sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

AMOR VAMPIRO convite de lançamento


quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

cinco contos narrados por Conde Vortak

O Conde Vortak é um personagem criado por Adriano Siqueira - siqueira.adriano@gmail.com



Meu Nome é Conde Vortak. Sou um vampiro. Uma criatura noturna que vive de sangue. Tenho muitos amigos e alguns são humanos mas eles nunca aparecem quando estou com fome. Eu não os culpo. Afinal, eles poderiam ser meu prato principal.
Adoro viajar. Por isso, eu não tenho um endereço fixo. Eu já morei em castelos, hotéis, parques e até no metrô.
Estou há muito tempo neste mundo. Tempo suficiente para adquirir bastante informação sobre os humanos.
Conheci muitos que queriam dominar o mundo e às vezes, até destruí-lo. O ódio, a ganância e a vaidade, que eles possuíam aguçavam o meu paladar. Por muitas vezes. Estes tipos de humanos foram o meu prato principal. Estes eu os tenho no meu sangue. Foram jantares maravilhosos. Uma iguaria.
Sobre estes jantares... quer dizer... Humanos, são os que irei falar. As histórias que vou contar trarão muita diversão como poderão ver nas linhas que se seguem.

Você é meu convidado.


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O CD que você me deu - narrado por Conde Vortak
por adriano siqueira


- Não acredito que você fez isso Carlos!
- Fiz sim Cláudio! Eu gravei a conversa do Henrique com a amante dele e coloquei no CD junto com as músicas que a Cris, a namorada dele, me pediu. As músicas da Luisa Paloma.
- Luisá Paloma é uma cantora e tanto.
- A Cris é fã daquela mulher. Que mau gosto. Comprei os CDs dela e alguns pôsteres só para impressionar a Cris. Mandei até um e-mail para a Luisa só para dizer que tenho contato com ela.
- E você coloca a conversa deles no CD dela? Cara! Essa foi demais! Foi o pico da maldade.
- Eu consegui acabar com o relacionamento deles com a maior molesa... Amanha mesmo vou pedi-la em namoro.
Carlos queria acabar com o namoro do Henrique com a Cris, por causa do ciúmes que ele tinha. Um garoto com problemas sérios ao qual eu me interessei de imediato. Eu tinha que conhecer mais este humano. Ele tinha que ser meu jantar.
Quando Carlos voltou para a sua casa, a sua mãe deu um recado.
- Carlos! Uma mulher esta te esperando na sala.
- Mulher? Na minha casa?
Empolgado Carlos corre para ver quem era.
- Luisa Paloma! Minha Nossa! Eu sou seu fã. Tenho todas as suas músicas gravadas.
- Olá Carlos. Meu agente achou você e me contatou. Você tem todos os meus CDs e vários pôsteres. Você enviou um e-mail querendo me conhecer melhor e estou aqui.
- Nossa! Eu não posso acreditar. Me belisca que estou sonhando.
- Não é sonho bobinho.
Carlos e Luisa Paloma saem para ir jantar em um restaurante. No caminho ele vê a Cris chorando e ele começa a rir.
- Do que está rindo Carlos?
- Eu contei para aquela garota que o namorado a estava traindo.
- É mesmo? Então olha de novo.
Carlos perde a graça quando vê Henrique ir ao encontro da Cris e os dois se abraçam.
- Que droga!
- É Carlos. Pelo jeito, eles se amam mesmo.
- Eu vou acabar com eles. Eu prometo!
- Calma Carlos. Olha... Escuta meu novo CD tenho certeza que vai adorar.
- É... Claro!
Quando a Luisa coloca o CD para tocar não é bem a sua música que ela escuta. É uma gravação.
- “Luisá Paloma é uma cantora e tanto.”
- “A Cris é fã daquela mulher. Que mau gosto. Comprei os CDs dela e alguns pôsteres só para impressionar a Cris. Mandei até um e-mail para a Luisa só para dizer que tenho contato com ela.”
Luisa Breca o carro e grita para o Carlos.
- Sai do meu carro!
- Mas Luisa... não fui eu que disse isso!
- Agora!!!
Carlos sai do carro e a Luisa acelera sem se quer, olhar para o lado.
- Fui enganado. Vou matar o cara que fez isso comigo.
É nesta hora que apareço.
- É mesmo! Pois adivinhe quem foi!
Carlos tenta gritar mas sou mais rápido e garanto o jantar daquela noite.

Pessoas ciumentas como o Carlos usam a maldade para conquistar. Mas o que eles querem mesmo é prejudicar o relacionamento dos outros. Só tem uma maneira de conquistar um amor! Amando!


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Um rosto Inesquecível - - narrado por Conde Vortak
por adriano siqueira

- Rosana! Minha querida! Você vai adorar essa novidade!
- Mostra logo Vilma! É aquele produto para passar no rosto?
- Isso mesmo! Eu trouxe da França. A sua amiga que mora no andar de baixo também pediu!
- O que? A Patrícia quer um? Nada disso Vilma! Eu pago por todos os que tiverem com você...
- Não posso! Eu prometi que traria para ela também! Agora mesmo ela está me esperando!
- Por favor Vilma! Eu quero ser a única do Brasil a ter esse produto! Olha.. Eu pago em dobro para ter todos!
- Não seja tão egoísta! Eu sou uma vendedora e eu tenho compromissos com meus clientes! Agora cm licença que vou descer para o apartamento de Patrícia... Eu estou atrasada.
Vilma pega a maleta dos produtos e sai em direção ao apartamento da sua outra cliente, Patrícia.
Rosana estava desesperada. Ela tinha que dar um jeito para que Vilma nunca chegasse ao apartamento de Patrícia. Ela a seguiu e quando Vilma estava nas escadas, Rosana a empurrou mas a maleta abriu bem perto dela. Rosana foi vitima dos produtos que quebraram e atingiram diretamente a sua face.
- Não!! Meu rosto!!!
Vilma estava desacordada pela queda na escada. Aparentemente estava tudo terminado. Ela teve o que merecia mas, como eu sou um vampiro. Eu queria dar uma boa lição nesta humana.
Enquanto ela gritava. Dei uma mordida em seu pescoço. Ela desmaiou.
Enquanto alguns vizinhos socorriam Vilma, eu levei Rosana de volta ao seu apartamento. Ela acordou alguns minutos depois.
- Quem é você?
- Sou um vampiro que gosta de se divertir com pessoas como você!
- O que você fez comigo! Meu rosto!
Rosana corre para um espelho mas ela não consegue se ver.
- Vampiros não podem ser vistos no espelho Rosana.
- Não!!! Não pode ser!! Eu quero ver meu rosto! Eu tenho que ver!!
- Eu posso vê-la Rosana! Sinceramente! Nunca vi uma vampira mais feia em toda a minha vida! Mas não se preocupe! Você agora é uma vampira e será, agora, uma eterna vampira feia!
- Não!!! Não!!!

Deixei a Rosana em seu apartamento, ela gritando muito e depois começou a rir como uma louca.

Acredito que ela tenha aprendido que o egoísmo e a vaidade são defeitos mortais.


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Paixão Roubada - narrado por Conde Vortak
por adriano siqueira

Em uma das minhas aventuras, passei um tempo exilado perto de um reino chamado Duran. Eu tinha feito um pacto com o rei. Eu prometi que não iria atacar ninguém que morasse por lá.
Era um reino onde todos viviam pacificamente. Porém, sempre existia alguém dominado pelos males da inveja.
Acompanhem-me nesta história...

O soldado Ramirez e a sua amada Madalena Beijavam-se apaixonadamente perto do Castelo.
Sem que o casal percebesse, o príncipe Rhodes observava os seus movimentos.. Por muito tempo Madalena negou o amor do príncipe mas, ele sabia que um dia a teria em seus braços.
- Como pode uma mulher tão bela estar apaixonada por um simples soldado? Mas aquela plebéia vai pagar caro por recusar meu amor! Sou um príncipe! É meu direito ter tudo que quero!
Completamente dominado pela sua fúria e ciúmes o príncipe Rhodes coloca o seu plano em ação. Ele vai ate a minha casa que era fora do reino. Foi a primeira vez que nos vimos.
- É aqui que mora o vampiro. Tenho uma oferta que ele não poderá recusar.
- Príncipe Rhodes... É uma honra telo em minha morada! Por acaso não veio aqui para cobrar impostos, espero. Eu continuo sugando o sangue dos animais da floresta conforme combinado com seu pai, mas sempre estou disposto a mudanças de contrato.
- Sim, Vortak! Eu tenho um novo acordo. Quero que use seus poderes para matar o soldado Ramirez e fazer Madalena apaixonar-se por mim.
Eu estava rindo por dentro. Pobre tolo. Eu entrei no jogo. É claro.
- Isso é fácil para os meus poderes. Em troca, quero uma mulher por mês e seus soldados longe da minha morada.
- Aceito o acordo! Vá agora! Estarei esperando dentro da sua casa.
Não foi difícil imaginar o príncipe Rhodes rindo, esperando que eu obedecesse as suas regras absurdas. Mas madalena era uma mulher fascinante. Rhodes era um fraco. Até mesmo o rei não iria permitir que tal homem assumisse as obrigações do seu reinado.

Já havia passado um bom tempo até que finalmente Madalena chega na minha casa para encontrar o príncipe Rhodes.
- Finalmente a minha amada chegou. Venha meu amor. Venha abraçar o seu novo senhor.
Madalena abraça Rhodes e antes de perceber o que estava errado ela o segura com muita força e mostra para ele os seus caninos bem salientes.
- Não! Aquele vampiro traiçoeiro o transformou em uma vampira! Não!
Madalena não diz nada! Apenas morde o pescoço do príncipe Rhodes.

Tenha certeza, meu amigo! Não existe dinheiro que compre o amor. Ele deve ser conquistado apenas por uma forma. Amando.


Em minhas andanças encontrei uma garota chamada Lucilia. Ela tinha apenas 10 anos mas, Desde que a vi, sabia que ela era uma garota especial.

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A Eterna Arte de ser um Artista - narrado por Conde Vortak
por adriano siqueira

Lucilia era uma menina órfã e gostava muito de ficar na casa de um pintor chamado Lantis!
Ele era um pintor de quadros magníficos e só pintava animais. Suas pinturas eram tão perfeitas que pareciam vivas.
Esta menina gostava de vê-lo pintar e ficava sentada em uma cadeira olhando, curiosa... Até dizer, com certeza, que bicho ele estava fazendo.
Ele olhou para a menina e disse, bem baixinho:
— Esse vai ser meu último quadro... vai ser o melhor de todos!
Os olhos da menina ficaram arregalados:
— Como? — disse ela — O Senhor não pode me abandonar... Seus desenhos são os melhores do mundo!
— Não há outro jeito... Preciso partir.
E, pela primeira vez, ele não a deixou ver qual o desenho que estava fazendo. Cobriu o quadro, chegou perto dela e disse:
— Amanhã você virá aqui e pegará o quadro, porque vou fazê-lo para você! Mas você não me encontrara mais por aqui...
Deu-lhe um grande abraço e ela foi embora chorando.
Naquela mesma noite, alguns homens entraram na casa daquele senhor...
Revistaram tudo mas não acharam sinal dele. Apenas o quadro, coberto por um pano, endereçado àquela menina.
— Aquele bruxo de nome Lantis sumiu, e ainda caçoou da gente fazendo sua última obra de arte! Vamos queimar tudo!
Eles começaram a colocar fogo na casa. Fiquei impressionado com tanta arrogância, com tanto descaso com a arte daquele homem. Eu tinha que interferir.
Chamei alguns morcegos e lobos para entrarem na casa. Era muito engraçado ver os homens saindo correndo desesperados.
Por mais que eu tentei não consegui apagar o incêndio. Mas consegui salvar o quadro que estava endereçado a menina. Eu me escondi do povo daquela aldeia. Todos foram ver a casa se incendiar. Finalmente encontrei a menina na multidão. Eu consegui ter contato com ela.
—Não se preocupe minha jovem. Os homens que fizeram isso. Jamais voltarão. Posso garantir também que o pintor não estava em casa. Mas ele deixou este presente para você.
Ela pegou o quadro e saiu correndo. Eu fui atrás dela. Ela entrou na floresta e parou perto de uma arvore. Começou a rasgar o papel que embrulhava o quadro... Era uma águia!
Os olhos do pássaro brilhavam de tal maneira que assustou a menina, deixando o quadro cair no chão. Aos poucos, a águia ia saindo do quadro como se fosse de um ovo para o nascimento.
— Lantis, é você? — perguntava, em prantos, a garota...
— Sim! — respondeu-lhe a águia — Estas serão minhas últimas palavras. Obrigado por salvar a minha arte. Nunca me esquecerei de você.
Então, olhando para o alto, a águia partiu.

Devemos respeitar a arte. E devemos fazer de tudo para preservá-la . A arte é a única obra do homem que dura eternamente!




Estou a muito tempo neste planeta. Muito antes de existir o próprio Sol. Mas Como ele apareceu? Essa história é sobre ele.

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A Lenda do Sol - narrado por Conde Vortak
por adriano siqueira


Existia apenas escuridão na terra e só as estrelas pequenas é que brilhavam.
Havia também uma indiazinha que se chamava Lilandra. Ela gostava de dançar em homenagem àquela estrelinha que era muito fraquinha e rosada.
Muitos índios não entendiam porque ela fazia aquilo. Eles achavam que ela estava provocando a ira dos deuses que davam comida e abrigo para a aldeia. Afinal. Existiam muitas estrelas bem maiores do que ela. Era um sacrilégio ver que algo tão pequeno merecia adoração.
Uma reunião foi feita, e nela participava também os pais da Lilandra. A tribo decidiu que se ela dançasse de novo seria severamente punida, pois ela estava colocando em risco toda a aldeia por adorar algo inútil e sem valor.
De nada adiantou alertá-la, pois ela continuava dançando e ainda dizia:
— Sabe...? Um dia aquela estrelinha será muito forte e vai iluminar todo mundo!
Isso irritou muito o chefe da tribo e seus pais também. Decidiram puni-la afastando-a da aldeia.
Ela foi andando para a floresta, e ficou chorando muito.
No meio da floresta ela parou, perto de um riacho. Seus olhos ainda estavam lacrimejados. Olhou para a água e viu o reflexo da estrelinha.
Com uma tristeza enorme, ela pulou de encontro ao reflexo e nunca mais submergiu daquele riacho.
Então, a noite começou a virar dia.
Os índios, assustados, cantavam e dançavam para seus deuses, procurando a salvação.
Mas, o brilho e o calor eram tão fortes, que, aos poucos, caíam desidratados. Aquela estrelinha agora tinha um brilho tão forte que os índios que olhavam para ela ficavam cegos.
Meu corpo estava começando a queimar. Eu percebi que está nova luz era minha maior fraqueza. Por isso me escondi em uma cabana até a noite voltar.
Quando anoiteceu pude sair novamente. Os habitantes daquela tribo desapareceram completamente.
Lilandra ainda está com o sol ! Dizem que é só fechar os olhos quando o sol estiver bem forte e sentirá alguém passando por volta dele... Ela estará lá para proteger aquela estrela que agora dá luz e calor para os humanos!

Devemos respeitar a opinião dos outros.Geralmente são as pequenas coisas que fazem a diferença.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007




O Clube dos Cinco Vampiros

Por Adriano Siqueira - siqueira.adriano@gmail.com

- Corram para o fundo da casa!

Eclipse, o vampiro, é ágil no comando. Suas experiências em dirigir tropas foram adquiridas nas varias batalhas que participou.Esta batalha não será menor. O Ritual macabro que se inicia trará grandes poderes para os bruxos de Rockwood. Neste exato momento, eles estão caçando a fórmula mais preciosa dos seus rituais... O sangue dos vampiros!Por isso, atacam sem piedade. Seus cavalos alados cobrem a noite com suas asas e criam terríveis vendavais confundindo seus inimigos.Eclipse sabe que deve proteger os cinco vampiros a qualquer preço. Nocte, Escuridão, Obscuro, Sombrio e Neblina. Eles são fortes, foram treinados por ele, mas devem ser reservados para uma batalha maior.

Enquanto os cinco se escondem dentro da casa eclipse corre na direção do inimigo. Um dos cavalos o persegue e quando vai atacar, Eclipse volta repentinamente e dá um soco no cavalo jogando-o ao chão. O bruxo que estava em cima do cavalo voa em sua direção, mas Eclipse o agarra no ar e quebra o pescoço dele antes que ele diga algum encantamento. Logo em seguida o vampiro pega o cavalo desacordado pelas pernas e roda o cavalo várias vezes, lançando em direção as tropas voadoras que vinham em sua direção. Finalmente um encanto de gravidade é pronunciado fazendo o corpo do Eclipse pesar o triplo do seu peso caindo sem esperanças de ajuda.

Neblina - > - Vocês vão ficar aqui parados?
Sombrio - > - Está com a mente embaçada minha cara? Esquece que o Eclipse é o mais experiente para lutar?
Obscuro - > - Comentário típico de quem usa uma máscara.
Nocte - > - Parem com isso! Neblina tem razão.
Sombrio - > - Oh! Finalmente a Nocte chega! Obscuro! Aonde vai? Eclipse disse para ficarmos aqui!
Obscuro - > - A Escuridão... Não está aqui! Temos que achá-la.

Os bruxos aceleram em sua direção, mas são desviados por uma mancha escura.A Vampira Escuridão derruba três bruxos com seu golpe surpresa. O encanto é quebrado e Eclipse agradece a vampira, mas foi um erro. Um bruxo atravessa uma lança por seu corpo. A escuridão vê os olhos de Eclipse fechando... Até que seu corpo vai se transformando em cinzas...Voltando para a parte da frente da casa. Os quatro vampiros encontram a Escuridão ajoelhada tentando segurar entre seus dedos as cinzas de um herói, de um mito.
Os bruxos riem e comemoram a destruição do mais poderoso vampiro da terra. A guerra acabou. Os bruxos voltam para Rockwood para anunciar as novidades ao rei.
O vampiro Obscuro segura levemente os ombros da Escuridão.
Escuridão - > Ele nos ensinou tudo... Tudo para nada! Vou destruí-los. Um por um!
Obscuro - > Nós vingaremos a sua morte! Mas não hoje!

Ele pega um pouco das cinzas e passa em seu rosto e cabelos. Os outros fazem o mesmo.
Obscuro - > Agora! Cada um de nós tem uma chama acesa dentro da nossa alma. Ela vai queimar até ter um bruxo vivo em rockwood!!!Eles levantam as mãos e gritam para avisar o inferno que o melhor vampiro do mundo está chegando e atrás dele...Seguirá um rio de mortes!

AutorAdriano Siqueira



Vampiro: A batalha final

Autor: Adriano Siqueira - siqueira.adriano@gmail.com


Uma das vantagens de viver a noite é que quando estamos em um lugar onde a escuridão é total, aproveitamos para refletir sobre nossa eterna vida.Nesta pequena reflexão, dou um sorriso. Hoje ela virá! A caçadora virá para terminar de vez com a minha vida. Hoje realizarei meu mais sórdido e sedutor desejo de batalhar com ela.
Escuto passos. São passos cuidadosos. Quase imperceptíveis se não fosse meus poderes eu jamais ouviria seus movimentos. Ela abre a porta... Eu quase deixo escapar um suspiro, mas me seguro ao máximo para aproveitar cada movimento que ela faz.
E então! Ela acende a luz e com uma coragem esmagadora ela me encara e diz:
- Não me importa como o encontrei. Não me importa se esta sentindo dores. Está ouvindo?
- Sim!
Eu estava tão atento aos seus movimentos que quase deixei de responder. Seus olhos verdes. Cabelos longos, ruivos e uma pequena pinta na sua bochecha avermelhada.
- Sabe! Não é tão difícil assim, capturar um vampiro. É só pegá-lo na hora certa. Sem defesas, sem dificuldades. Consegui tempo suficiente para trazê-lo aqui. A propósito. Tem sete hóstias cravadas nas suas costas e um pouco de água benta na coroa de espinhos colocadas na sua cabeça. Suas mãos e pés estão amarrados com espinhos de uma roseira.
- O que pretende fazer?
- Não pretendo libertá-lo. Vai ficar aqui até o amanhecer. E eu vou ouvir, bem de perto, seus gritos! Assistir a cada sofrimento que sentir. Seus apelos, Suas súplicas para libertá-lo.
- Oh. Sim... Por favor.
Ela me deixava louco.
Fique sabendo que a sua espécie está acabada. Só restou você e logo estarei vendo cada parte do seu corpo ser destruído, ser destroçado, ser devorado pelo sol.
- Por favor! Não me torture mais!
- Ainda não acabei vampiro! Você jamais terá a minha piedade, a minha compaixão. Só quero te destruir. Só quero a sua dor. Só quero seus lamentos.
- Oh...! Como você é maligna!
- Uma pena que o Sol logo aparecerá e tudo será apenas uma lembrança da minha vitória sobre você.
- A Vitória será minha caçadora!
- Chegou a hora!!! Agora é hora de queimar. Está pronto Vampiro?
- Sempre estarei pronto!
- Torne-se brasa então, Torne-se fogo, quero vê-lo fervilhar. Chamas... Muitas chamas incandescentes.
- Oh... Sim... O fogo... É demais!!! Não pare!!! Nãaaao!!!
- Finalmente destruí o vampiro! Finalmente o mundo está livre desta ameaça. Agora... Eu... Estou tão cansada! Tão... Preciso dormir um pouco. Só um pouco...
- Isso minha caçadora! Sonhe com sua vitória. Recupere por completo as suas energias, pois amanhã... Estaremos nos enfrentando novamente nesta eterna e deliciosa batalha.

“And love's strange: so real in the dark - Simple Minds”


O espelho que refletia os vampiros

Por Adriano Siqueira - siqueira.adriano@gmail.com


Dentro do castelo, o Rei Lucius e seus discípulos aguardavam as palavras do viajante, que caregava um objeto curioso.
— Está bem aqui senhores! O único espelho que realmente pode mostrar um vampiro! Está baratinho, baratinho!
O Rei chega bem perto do vendedor e diz:
— Tem certeza que este espelho mostra mesmo um vampiro?
— Vossa alteza, eu estou lhe dizendop, pode testar se assim desejar!
Desconfiado, o rei avalia calmamente o espelho. Ele olha de cima a baixo e direciona a sua mão bem devagar ao centro do espelho até finalmente atravessá-lo. Ele retira a mão rapidamente e diz ao viajante:
— É um embuste! Esta armação está vazia!
— Oh, não! Não senhor! Este espelho é especial, é claro! O senhor não o vê, mas ele está aí. Só os vampiros é que irão aparecer. Nada mais.
O rei pegou o espelho e chacoalhou um pouco, mudando de direção, e disse:
— Tem razão, forasteiro. Estou mesmo vendo um vampiro e é você!
— Como assim, vossa alteza?
— Meus suditos podem comprovar! – O rei levanta as mãos para os seus súditos e diz: – Todos estão vendo o vampiro?
E todos concordam com o rei. O forasteiro tenta fugir, mas os guardas o detêm.
— Vossa Alteza! Piedade! Clemência!
— Você sabe o que fazemos com os vampiros aqui? Nós o amarramos nas portas do castelo e abrimos, quando o próximo forasteiro aparece! Assim ele já estará avisado de que o rei tem bom humor.
— Minha nossa, majestade! Eu suplico! Realmente, o espelho deve ter caído no caminho. Tenho certeza que está lá fora!
— Levem-no!
O forasteiro é amarrado nas portas do castelo. Seus braços e pernas esticados em cada lado das duas portas da entrada. Anoiteceu e finalmente um novo visitante aparece fazendo os guardas abrirem o portão destroçando o corpo do viajante.
Os guardas ficam impressionados com a cena.
Ele estava com uma capa enorme que cobria quase toda a entrada do castelo.
Em seus braços, um espelho, onde seu reflexo aparecia como fogo.
Quando apresentado ao rei, o forasteiro diz:
— Achei este espelho pelo caminho! Obrigado por me convidar a entrar!
Ele dá uma gargalhada e seus caninos salientes aparecem.
—Está mesmo na hora do jantar.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007




- A Vampira de Vermelho -

Autor Adriano Siqueira


Local: Mata Atlântica.

Reinaldo e seu amigo Fabio trabalham como ecofisiologistas. Este trabalho esta diretamente ligado à pesquisa para compreender os fenômenos da natureza. Neste caso, as arvores da Mata Atlântica... Mais especificamente a Jatobá. Em 2000 eles formaram juntos com o EUA uma fundação para proteger e estudar as arvores. Eles estavam ali para verificar uma denuncia... Estavam preocupados. Estas arvores são ecologicamente essenciais. Elas ajudam nas suas funções ecológicas na fase final de formação da floresta.
Quando eles chegam ao local ficam completamente paralisados. Finalmente Reinaldo retira o celular do bolso e diz:
- Está confirmado! Mais de cinquenta arvores sumiram!
Fabio, ainda atônito fala com Reinaldo.
- Se a denuncia for completamente verdadeira essas arvores não foram derrubadas para fazer moveis material de esporte... Mas sim...
Reinaldo interrope...
- isso mesmo Fabio... Foram usadas para produção em longa escala de estacas para matar vampiros!
- Mas isso é lenda!
- Olhe a sua volta... Lenda ou não as arvores sumiram!


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Local: São Paulo
Roberto mora com a filha Katrin de 18 anos. Enquanto ela desmontava a arvore de natal ele estava assistindo ao noticiário das oito. A repórter dizia claramente sobre as arvores desaparecidas.
- E conforme o nosso contato, as arvores sumiram faz mais de um mês! Elas tinham mais de 100 anos e foram transformadas em simples estacas de madeira para, acreditem se quiser... Matar vampiros!
Katrin olhou para seu pai e disse:
- Vampiros? Pai... Que tipo de gente derrubariam árvores para fazer isso?
- Esse mundo é insano Katrin.
Roberto sai da sala e vai até o seu quarto. Pega o baú que estava em cima do guarda—roupa e dentro dele... Uma estaca de madeira ainda com sangue... Ele escuta a janela da sala se quebrar. Ele se assusta e deixa a estaca cair e logo em seguida ouve o grito de sua filha. Ele pega a estaca e corre, mas já era tarde...
Ela foi levada...
Levou duas noites para que Roberto desmaiasse devido a exaustão e procurar a sua filha. Na terceira noite um vulto aparece em frente à janela quebrada.
Roberto estava segurando a estaca com as duas mãos. Um vento frio atravessava a janela e e poucos segundos sua estaca desaparece e ele é lançado para a parede da sala como se fosse atropelado por um caminhão... Roberto estava quase inconsciente quando o agressor o carregou e o amarrou em uma cadeira.
Ele quebrou algumas costelas e sua cabeça sangrava.
- Acorde rapaz... Dizia aquele ser que mal aparecia no escuro... Uma manta preta cobria o seu corpo forte e media quase dois metros de altura. Sua voz multiplicava pelos cantos da sala. — A noite ainda não acabou...
- Q—quem é você!
- Alguém que perdeu alguém por causa disso...
Ele coloca no colo do Roberto a estaca...
- Como foi mesmo que fez... Ah... Sim! Você e mais quatro amigos viram um anuncio de como ganhar dinheiro fácil. Ganharam as estacas com uma lista de endereços. Nem perguntaram... Entraram de dia no apartamento dela abriram caixão, matelaram a estaca profundamente até atravessar o caixão... Enfiaram espinhos por todo o corpo. Logo em seguida cortaram a sua cabeça e colocaram nos seus pés. Ainda não suficiente... Jogaram gasolina por todo o corpo levaram para a varanda e tocaram fogo.
Roberto estava perdendo os sentidos quando ele segurou seu cabelo e levantou a sua cabeça. – Preste atenção.
Ele retira uma câmera do bolso e mostra através do visor de cristal liquido quatro homens com estacas enfiadas em suas bocas e logo em seguida eles são queimados.
Roberto estava desesperado... Eram seus amigos. Mortos por aquele vampiro que estava na sua frente...
- Minha filha... Por favor, ela não tem culpa.
- Cale—se! Como pode pedir piedade depois do que fez? Nem ao menos se peguntou sobre essas estacas... Quantas dessas estão por ai? De onde vieram? Quantas da minha gente foram destruídas? Não importa! Ela era especial para mim.
O Vampiro foi até a janela e olhou para a lua.
- Todo o natal a gente se encontrava para falar sobre o que aconteceu no ano. Era sagrado. Dá para acreditar? Vampiros se encontrando no natal... Mas eu gostava pois ela aparecia sempre de vermelho. Era a nossa noite especial e eu aproveitava pois sabia que só a veria no natal... assim ela queria. Assim eu gostava. Mas ela não apareceu neste natal e quando eu a procurei achei seu corpo queimado... Vocês mataram uma vampira que jamais tocou em um humano. Ela sempre dava um jeito de conseguir seu alimento e pagava por ele. Tínhamos uma empresa onde existem pessoas que doam o alimento para nos em troca de dinheiro e compramos. Assim fizemos por muito tempo até você acabar com tudo. Minha sede não era mais saciada por aquele sangue comprado... Eu queria diretamente da fonte... Posso dizer que me deixou mais forte e me devolveu o prazer da conquista pelo alimento e por esse motivo eu agradeço por me devolver esta vontade de devorar cada gota diretamente da carne.
- Mate—me! Leve tudo... Apenas traga a minha filha...
O vampiro dá um sorisso.
- Oh... Mas eu não posso fazer isso... Matar você tiraria o meu prazer de vê—lo sofrer.
Novamente o vampiro mostra um outro filme.
Roberto arregala os olhos quando vê a sua filha na tela... No chão...Desfalecida... Cheia de sangue... Abrindo lentamente os olhos ela sorri... Seus dentes... Meu Deus...
- Argh! Eu odeio essa mania que os humanos tem de chamar divindades nestas horas! Que importa... Ela está voltando! Oh... Sim!
- Sua filha logo estará aqui! Assim poderei assistir bem de perto ela degustar a sua primeira refeição.
- Pois é... O natal está indo embora, mas os presentes duram para sempre.
- Ela vira de vermelho e sempre nos encontraremos no natal!


- Boas Festas!




- Dois Vampiros no Espaço -
Por Adriano Siqueira


Planeta Rovus II: os vampiros são bem poderosos neste lugar.
Eles foram chamados para destruir um monstro que aterrorizava a civilização de Rovus.
Kaiby e Carlos Osborne estão com sorte, pois lá não existe sol, mas inimigos é que não faltam!
Logo que desceram da nave, foram muito “bem” recebidos por rajadas de estacas de madeira pelos Grots, aliados do monstro.
Kaiby, com seu machado, avançou em direção à arma que enviara as estacas, protegendo-se com sua habilidade de supervelocidade. Carlos, que tinha uma espada laser, estava fazendo o seu trabalho de arrancar cabeças e com a fome que estava, acabou bebendo o sangue de um dos Grots, que levou a uma transformação em seu corpo, ele agora tinha asas:
— Kaiby, veja! Eu sou o Super Vampiro!
O grande gladiador Vampiro não acreditou no que via:
— Desça daí, idiota! Estamos no meio de uma batalha!
Mal acabou de dizer a frase e um monstro de três metros de altura o agarrou de surpresa... Kaiby tentou de tudo com seu machado, mas era inútil, o monstro nem sentia seus golpes.
O terrível monstro soltou Kaiby que caiu no chão, inerte... Carlos Osborne estava atrás do monstro com sua espada laser em punho:
— Eu sou um Vampiro que está do lado da Força, monstro idiota!
Kaiby não conteve sua gargalhada.
Os Rovulanos os chamaram de deuses, pois destruíram seu maior inimigo. E ganharam as condecorações do Planeta...

Autor: Adriano Siqueira



- Os Visitantes -
Por Adriano Siqueira

Aquela garota sempre utilizava o mesmo caminho quando ia para a escola.
Andava os seus 10 km diários. Só que, dessa vez, eram quatro da manhã - ela andou de madrugada aquele dia porque estava sem sono.
Um homem apareceu na esquina correndo ao seu encontro.
Ela parou de andar e ficou paralisada vendo o homem se aproximar dela.
— Corra... - Ele dizia - Eles estão vindo!
Denise não pensou duas vezes, mas antes de correr notou que o homem estava ferido.
— Você precisa de um médico!
— Eu estou bem. Recupero-me rápido, vou segurá-los para que não alcancem você. Agora vá!
Foi quando ela ouviu um ruído que nunca tinha ouvido antes, sombras voando saíam daquela esquina e o barulho era assustador!
— Morcegos gigantes! - Ela disse, protegendo-se atrás daquele homem.
— Não consegue acabar com apenas um de nós, imagine os três! — Disse um dos morcegos.
O homem protegia a garota com uma cruz.
— Deixe a garota ir embora!
— Nunca! Ela será nossa sobremesa!
Um dos vampiros bateu no rosto do homem, jogando-o a uns cinco metros de distância, deixando a pobre garota sozinha e indefesa!
— Qual o seu nome, garota? Gostamos de saber quem devoramos!
Denise vê o homem desmaiado e fica revoltada com aquela cena. Correndo para perto de uma cerca de madeiras, e ficando protegida por ela, Denise gritava!
— Venham, seus ratos voadores!
Um dos morcegos gargalhava de prazer, mas eles não conheciam a habilidade de Denise, as madeiras que ela arrancara da cerca, ajustadas nas mãos como uma espada mortífera.
O vampiro ficava olhando-a fazer malabarismos com as "armas". Gritando, o vampiro foi ao encontro do pescoço, mas errou longe, deixando espaço para ela enfiar a estaca bem no peito dele transformando-o em cinzas... O outro vampiro segurou seus cabelos, mas ela segurou um dos seus braços e os quebrou no joelho!
Agora eram apenas dois. Um deles já estava com o braço quebrado. O outro, na forma de lobo, estava pronto para atacar.
- Acabe logo com isso. É só uma garotinha!
Denise dançava no ar como em um balé e flutuava na luta que parecia ser interminável! O lobo não conseguia mordê-la e era atacado por todos os lados pelos braços e pernas.
O vampiro que estava com o braço quebrado correu ao encontro do caçador para mordê-lo, mas o caçador já estava esperando com uma arma e explodiu a cabeça do sanguessuga!
O caçador olha para aquela garota que ora era meiga e ora era valente e corajosa - o lobo estava no chão com três madeiras enfiadas nele!
Ela corre para o caçador e ficam lá abraçados.
Afinal, ela é apenas uma garota... Ou não?


Autor: Adriano Siqueira



- Portáis da Imortalidade -
Por Adriano Siqueira

Eu entrei. Até aqui, tudo bem.
John Garred, matador de vampiros, estava agora em meio a vários caixões de vampiros. Sua arma era uma besta com várias estacas e ele ia atirando rápido, para não dar tempo de um deles sair do caixão.
Os gritos eram apavorantes. Todos se retorciam de dor com a penetração das estacas, que atravessavam o caixão. Sangue, fumaça e um cheiro horrível dominavam o local. Ele não estava mais suportando aquilo, mas John era treinado para matar.
Um dos caixões lhe chamou a atenção, pois era branco e tinha fitas vermelhas em volta. Tomado pela curiosidade, ele abriu o caixão bem devagar e viu uma mulher, que abriu os olhos e ficou olhando para John. Era Sylvia, uma mulher que ele conheceu na escola! Ele era apaixonado por ela. e foi por ela que virou militar. Ela tinha um olhar carinhoso, mas era uma assassina como qualquer vampira, que agora só queria seu sangue. Porém, a beleza dessa mulher era maior que a sua vontade de matá—la e havia em seu pescoço as marcas de um vampiro. Ela era uma vitima! Uma das milhões e estava ali por ter sido mordida. ”Tenho que salvá—la”, pensava ele, silenciosamente.
Ela abraçou John, seu perfume de rosas tomando conta do ambiente, e disse suavemente:
— Não me mate! Serei sua por toda a eternidade!
Sem pensar duas vezes, John largou as armas, jogou seu comunicador no chão e pegou a vampira no seu colo, levando—a para longe daquele lugar.
A tropa de elite esperava na porta do lugar... Ele, segurando—a nos braços, chorava por clemência:
— Ela é minha, não façam mal a ela!
— Por favor, John largue esta vampira... — dizia um dos soldados. Mas de nada adiantava, ele abraçou—a mais ainda e disse:
— Ela era tudo o que eu queria... Tudo o que sou devo a ela!
Um dos soldados se aproximou, viu que todos os explosivos estavam no lugar certo, e só precisava apertar o botão para tudo ir pelos ares! Deu então um sinal para a tropa se afastar...
— John. Eu tenho um detonador, por favor! Eu tenho que matá—lo, mas você é um soldado e sabe o que deve fazer.
O soldado então viu seus amigos entrarem no caminhão. Ele entrega o detonador para John.
— Pode ficar com ela até o amanhecer, John, nós confiaremos na sua decisão. Adeus, amigo!
O caminhão não precisou percorrer nem 10 quilômetros para ver a explosão.
Perto dal, um carro passa em frente à explosão e fica abismado com o estrago. Mal consegue saber o que havia ali exatamente...
John e Sylvia se aproximam e dizem ao motorista:
— É, meu amigo... Só o amor vive para sempre.



Autor: Adriano Siqueira



- Procura-se um Vampiro -

Por: Adriano Siqueira


Eu não me lembrava de nada. Todos estavam no chão com marcas no pescoço!
Fiquei impressionado com as cenas de terror que estava vendo.
Havia um retrato da família toda reunida, porém tinha uma pessoa na foto que não estava lá no chão. Um homem que só poderia ser eu mesmo. Provavelmente, eu era o pai da família que agora não existia mais!
Fui para a delegacia mais próxima tentando manter o sangue frio e a calma para que tudo pudesse ser resolvido.
Chegando lá, fui jogado no chão e ameaçado por um policial. Eles não queriam me ouvir. Talvez por estar com sangue por todo o corpo!
A minha sorte é que uma policial apareceu e impediu que eles atirassem. Ela conversou com eles por um tempo e depois vieram a mim mais calmos. Então eu disse a eles que não lembrava do que tinha acontecido, mas que minha família tinha sido vítima de um vampiro.
Embora a história fosse completamente louca, eles acreditaram. Então entrei no carro com eles para levá-los para a minha casa.
Quando cheguei, havia um homem gritando muito no meio da rua.
Alguns policiais saíram do carro e foram falar com ele.
Depois de uns cinco minutos de conversa, os policiais foram para o carro e disseram para que eu saísse e falasse com o cara!
“Mas e se ele fosse o vampiro que atacou a minha família?”, eu disse, assustado
O policial disse para eu me acalmar, que tudo não passava de um engano! Então saí do carro para ver o homem. Estava com medo!
O cara gritava muito e conforme fui chegando perto seu rosto me pareceu familiar...
Oh não! Aquele homem apavorado era eu? Não pode...
O policial vendo que eu tinha ficado aterrorizado com tudo, chegou bem perto de mim e me mostrou um espelho, mas o meu reflexo não aparecia.
O policial me explica que minha amnésia, talvez tenha acontecido porque estávamos em solo sagrado... Ali mesmo, fôra contruida a primeira igreja da cidade. Eu fiquei sentando no chão com as mãos na cabeça, calado. Meu corpo já sentia os primeiros raios do sol...


Autor: Adriano Siqueira




- Vitória -
Autor: Adriano Siqueira



— Esconjuro—te, maldita criatura vampírica...
Antes que eu terminasse o vampiro pulou para cima de mim com suas garras.
Estava täo faminto que parecia um animal. Eu conseguia sentir o seu cheiro de mofo por todo o lugar. Peguei a estaca e enfiei nele uma, duas... Quatro vezes... Até que ele gritou e caiu.
Mesmo cansado e ferido com a luta, eu estava feliz por ter dado conta dele sozinho, já que meus amigos estavam no chão, junto àquela fera, completamente mortos!
Tudo estava acabado. Porém, aquele cheiro de mofo não acabava...
Olhei para minhas mãos... O sangue que estava nelas começava a sumir! Eu me sentia mais forte, e meu reflexo no espelho estava desaparecendo!
Não... Estava me transformando naquele animal!
Por sorte, eu era o único vivo naquela sala e o sol estava nascendo.
Corri em direção a janela e pulei.
Finalmente... Vou morrer, mas levo a maldição comigo!
Durante a queda, olho para a janela e vejo a criatura rindo; eu fui enganado!
No meio da luta, ele me hipnotizou e tudo que eu tinha visto era ilusão!
Infelizmente, a queda da janela era a única realidade nisso tudo...
Autor: Adriano Siqueira



- Unidos Para Sempre -

Por Adriano Siqueira - siqueira.adriano@gmail.com

Quando dei o anel para a Selma nunca imaginei ser presenteado com uma noite tão linda!
Mas aquele carniceiro tinha que atacar aquela noite?
Aquele vampiro sem alma! Atacou sem pensar duas vezes! Transformou a minha amada em uma vampira!
Por quê? O que eu tinha feito de tão mal para perdê-la desta forma tão cruel?
Mesmo quando o meu avô enfiou uma estaca no seu peito, eu sentia que a Selma ainda poderia ser minha...
Fui no cemitério, à noite. Tinha que vê-la novamente. Queria ela de volta a qualquer preço e sabia exatamente o que deveria fazer. Mas... Parece que outros também tiveram a mesma idéia.
Algumas pessoas estavam desenterrando o caixão da minha amada! Não conseguia ver quem era... Estava escuro.
Meu Deus! Eles me viram! Era tarde demais. Por mais que lutasse, era inútil; eles eram fortes e me levaram para perto do caixão.
Agora eu conseguia vê-los melhor... Um deles era meu avô! Ele tirou a estaca da minha amada e ela acordou furiosa!... Ela continuava linda, porém mortífera! Tentava arranhar e morder todos que estavam lá. Amarraram-na com cordas enrroladas com espilhos e alho. Trouxeram ela para junto de mim. Meu avô abriu a bíblia e começou a ler:
— Meus amigos, estamos aqui para anunciar o casamento destes dois filhos de Deus.
Selma gritava como se queimasse no inferno!
E eu era presenteado com aquela noite tão adorável.

Autor: Adriano Siqueira



- Paixão Mortal -
Por Adriano Siqueira



Seus caninos perfuravam meu pescoço novamente.
Maldita vampira.
Ela me sugava toda noite... Eu tinha medo até de dormir. Sabia que ela iria aparecer de novo. Só que, desta vez, estaria preparado. Fiz uma estaca com um cabo de vassoura e peguei um martelo de carne na cozinha. Apaguei a luz e fiquei ali, escondido atrás da porta do quarto.
Eu estava suando muito e ficava pensando nas noites em que fui atacado e seduzido por esta vampira.
Desde que a conheci, eu nunca mais consegui dormir novamente.
Você sabe o que é ser sugado por onze anos? Onze anos indo a clínicas, fazendo exames, tratamentos médicos, pílulas, antibióticos...
Quase não conseguia mais sair da cama. Chamavam-me de louco, mas hoje ela iria pagar.
Estava certo que ela morreria esta noite. Minhas mãos tremiam, minha boca estava seca, mal conseguia manter meus olhos abertos.
Chovia muito, quando ouvi um barulho na janela. Isso não era comum. Ela nunca fazia barulhos. De repente, escutei a janela sendo quebrada e, logo em seguida, ouço gemidos bem baixos.
Finalmente tomei coragem e olhei para ver o que estava acontecendo.
Era ela. Caída, com uma estaca no peito e cheia de sangue...
Larguei o cabo de vassoura e o martelo. Corri para ver o que estava acontecendo e coloquei-a em meu colo... Ela olhou para mim, chorando... Alisando meu cabelo, bem devagar, ela me disse, bem baixinho:
— Eu te amo!
Eu arranquei a estaca de seu peito e a coloquei em meu colo. Conforme as minhas lágrimas alcançavam seu corpo, uma fumaça tomava conta daquele lugar. E quando a fumaça parou, seu corpo já não existia mais...
Aquela noite foi longa...

Autor: Adriano Siqueira



- SAÍDA PELA ESQUERDA -
Por Adriano Siqueira


— Preciso ir! - Claudinei dizia olhando para o relógio e para a porta.
— Mas ainda não amanheceu! - Bibiana estava agarrando ele pelos braços e tentando dar-lhe um beijo.
— Você não entende, eu nunca passeio de dia... Eu sou diferente!
— Todo mundo diz isso! Deixa disso e fica um pouco mais comigo! Ainda faltam alguns minutos para amanhecer e ficamos aqui no meu apartamento apenas duas horas! Vai com calma, tá bem?
— Não dá! Olha! Eu já te dei meu telefone, meu e-mail e meu msn. Agora tenho mesmo que ir. Então me dê um beijo e a gente se vê a noite. Desculpe-me, mas eu realmente não posso ficar... Quem manda gostar de homens que se vestem de preto e que freqüentam casas noturnas. - Ele sorri, tocando no rosto dela.
— É uma pena que vai embora. Vou sentir sua falta. Gostei mesmo do seu jeito. Ligue-me está bem?
Bibiana beijou seus lábios e ele saiu correndo. Quando ela fechou a porta, ouviu um grito...
Claudinei batia na porta, rindo muito. Como se ele tivesse ganhado na loteria.
Ela abre a porta e o vêde costas para a porta, apontando para o sol...
— Veja... O sol apareceu... E eu não estou morto. Não morri queimado. Estou vivo! Inteiro! Eu... Argh...
O barulho do pescoço quebrado não é ouvido pela vizinhança.
Ela o arrasta para dentro e empurra a porta.
Porém, antes de fechá-la, ela morde o pescoço dele.

Autor: Adriano Siqueira







- O Prazer Eterno -


Por Adriano Siqueira




Cadastre-se no The Tred, dizia um site de vampiros!
Cadastre-se e seja um de nós... Eterno e cheio de prazeres!
É lógico que eu queria isso... Quem não quer? Mentira? Claro que era! Mas a ansiedade misturada com a curiosidade não deixava que eu recuasse. Então, deixando as ironias de lado, eu cliquei no botão cadastrar... um bonito visual feito acho que em flash apareceu... Cores bonitas! Visuais gráficos muito bons, porém achei um exagero fazer um visual desse apenas para um cadastro simples, mas fiquei lá olhando... Até que apareceram olhos... Olhos de uma mulher... As cores agora formavam a sua face e sua boca, muito sexy com um batom vermelho, e as mãos mexendo no cabelo estavam como que dançando na tela!
Eu queria copiar aquilo - era magnífico, mágico e místico. Quando ouvi sua voz, fiquei quase que hipnotizado! Então eu dei o comando "Print-Screen" por instinto (costumava fazer isso para copiar algo interessante, assim fica mais fácil para ver on-line as imagens na net) rezando para conseguir capturar a imagem!
— Então você me quer?
-Claro! Claro que sim! Como faço? Eu quero! - eu digitava afoito no teclado, como se estivesse falando com ela cara a cara, e clicava no meio do rosto dela, tentando achar um botão ou abrir um link.! De alguma maneira, não poderia terminar ali, eu precisava continuar. Desesperado por pensar que o programa travou ou que tivesse simplesmente caído a linha, ouvi mais uma vez a voz dela...
— Venha...!
Naquele exato momento, eu sentia meu corpo sofrer transformações que eu não conseguia explicar. Estava tonto e meus olhos estavam distorcendo tudo o que viam - já não conseguia mais identificar nem as letras do teclado. A cor da minha camisa se misturava com as cores da mesa e do computador... Tudo ficou de uma cor só! Uma cor rubra! Eu sentia que estava cego... Aquela cor estava por todo o lugar e meu corpo estava flutuando, como se estivesse em uma grande piscina... Mas respirando!
Um túnel se formou à minha frente e uma pequena luz apareceu. No final desse túnel, uma mulher acorrentada e perdida em desejos insanos, pois eu não via nada naquele lugar para ter o tanto de prazer que ela aparentava ter, por causa dos movimentos que fazia com o rosto. Aquele sorriso, como se ela estivesse mesmo vivendo momentos de luxúria e sedução! Achei que ela estava sonhando ou drogada!
Antes que eu olhasse para os lados e percebesse que as nuvens de cor rubra tinham se transformado em paredes, ela acordou do que mais parecia um pesadelo e gritou para mim:
— Corra! Saia daqui... Sou investigadora de sites da Internet e isso não real é...
— Por quê? O que está havendo?
Nada! Nenhuma resposta. Do jeito que ela acordou, ela voltou a ter aquele sorriso. Fechando os olhos e voltando a um prazer que não entendia!
Uma mulher apareceu. Diferente do que eu achava que encontraria lá (uma vampira ou uma bruxa), vi apenas uma mulher com asas de anjo. Chegou perto de mim e disse que seu nome era Cristina e que eu teria o prazer que tanto procurava! Não como aquela mulher que estava lá vivendo feliz e sempre satisfeita de prazeres, sejam eles quais forem, mas que seria melhor bem melhor que aquilo!
Ela segurou meu braço e foi me levando para um lugar alto e mostrou para mim que não tinha só aquela mulher, mas muitas pessoas estavam da mesma maneira que ela.
— Sonhos, meu cavaleiro. Aqui todos eles se realizam!
— Não estou vendo nada! Estou vendo apenas muitas pessoas aprisionadas!
Cristina me abraçou e disse bem baixo.
— Eles são felizes. Cuido bem deles. Você! Eu quero você para me ajudar, para ficar comigo! Embora aqui tenha muitas pessoas, eu me sinto só. Eles não me desejam... - Apareceu um espelho e ela olhou como se estivesse em transe como eles: Eu sou tão linda! Tão linda e ninguém ali embaixo sonha comigo! Uma rainha com reino e súditos, mas sem rei. Juntos, realizaremos todos os seus desejos... Eternamente!
Talvez ela não estivesse mentindo. Afinal, todos tinham seus sonhos particulares. E, mesmo assim, não deixava de pensar se ela fez essa proposta a todos que entraram no seu reino, e que a resposta "não quero, sua bruxa" era uma resposta perigosa e mortal! Em todo o caso, o jogo estava apenas começando.
Uma cama, com várias luzes e móveis do estilo colonial apareceram a minha volta, e aquele lugar onde estávamos se transformou em um verdadeiro paraíso. Era real? Era minha mente que ela estava lendo? Afinal, eu estava mesmo ali?
Debatendo minhas dúvidas, as palavras dela estavam ficando mais altas. Dominar, ser Rei tendo sua companhia para sempre! Ela sabia que eu estava procurando uma saída!
Quando meus dedos passaram pelo seu cabelo, senti que uma parte parecia ter tocado meu teclado. Um calafrio correu a minha espinha. Será?
Um computador apareceu no quarto!
— Era isso que queria, meu rei?
Ela tentava me persuadir. Entendi!
Sentei no computador... Tentei imaginar o começo de tudo... O site... The Tred... Cristina me guiando... O maldito Print-Screen, que agora eu acionava e seu rosto ficava preso na tela - preso e claro. Um demônio apareceu... O encanto estava quebrado para mim e finalmente via a sua horrível face! Mas, e ela?
Gritando de raiva, Cristina me jogou a metros de distância. Fiquei bem no fundo do quarto. Aquela criatura monstruosa via a sua face como realmente era, quase que hipnotizada. Presa a sua própria imagem, o mundo que a cercava estava desaparecendo, com ela junto! Eu não sabia como sair disso, então corri para o túnel – para onde todos estavam correndo apavorados.
Cada um voltava para sua realidade e a destruição me seguia...
Até que finalmente encontrei meu quarto!
O prazer eterno permanece prazer?

Autor: Adriano Siqueira



- No Limiar da Dança -
Por Adriano Siqueira


Ela dançava como se estivesse flutuando sobre o chão.
Seus movimentos suaves, e a maneira como movia o ventre, eram incríveis. O brilho da roupa iluminava toda a casa... Ela era uma deusa da dança.
Seus olhos me atraíam para seu interior e, quanto mais ela se movia, mais eu me sentia atraído por ela!
Ela chegou bem perto de mim, movendo suas mãos como se brincasse com uma pena bem macia, desenhando no ar...
Estava ficando embriagado com as suas formas, suas curvas, seu sorriso.
Um homem que estava ali gritava de alegria por ver aquela beldade em forma de mulher.
Ela olhou para mim e me disse, dançando, sem dizer palavra alguma:
— Esta noite não...
Virando-se para o homem, fez-lhe algumas carícias e levou-o para fora da casa.
Desesperado, eu perguntei seu nome...
— Meu nome é Katrin!
Fiquei sonhando com aquelas palavras. Afinal, "essa noite não”. Qual noite seria a minha?
Na manhã seguinte a primeira notícia do jornal: um homem morto. Mordido no pescoço... Vampiros, é claro!
E o homem era o que estava comigo naquela noite.
Então, era uma vampira! Fiquei aliviado por ela não ter sido minha naquela noite...
Novamente fui atraído para aquela casa de dança!
Mas dessa vez estava preparado; embora sua sutileza me dominasse completamente e eu estivesse hipnotizado por aqueles movimentos. Eu só pensava, "Preciso tê-la... Preciso sentir sua pele”.
Ela, como se tivesse lido meu pensamento, veio até mim e levou-me para o meio do antro. Em pé, eu fiquei assistindo sua dança.
Suas mãos me tocavam levemente. Às vezes, seu rosto e suas pernas encostavam em mim. Eu estava suando.
Segurei seus braços. Eu estava completamente possuído pelo desejo; beijava seu pescoço e, aos poucos, ia descendo para seus seios. E ela, mesmo presa pelas minhas mãos, ainda mantinha os movimentos da dança, acompanhando os compassos da música com seu ventre.
Suas pernas envolviam meu corpo como cobras em uma dança que não tinha fim. Desabotoando minha camisa, ela beijava meu corpo...
Nem me dei conta que estávamos seminus... As pessoas, loucas, aplaudiam como se estivessem em transe, e eu nem me importava que ela fosse uma vampira; estava excitado demais para pensar em detalhes que, no momento, eram assim, insignificantes...
Os toques eram mágicos e sua pele queimava. Tudo o que ela fazia, era olhando para mim. E seus olhos transbordavam prazer.
Não sei o que houve, mas fui jogado contra a parede. Um homem enorme, vestindo uma capa, estava lá. Fiquei completamente tonto, mas conseguia vê-lo levantando o corpo dela do chão ao teto, segurando seu pescoço e gritando:
— Não é pra você flertar com a comida!
Os dentes daquele monstro cresciam e seus olhos pareciam fogo. Ela estava à sua mercê! As presas estavam chegando perto do pescoço dela.
Ela o olhava com pavor. Os caninos enormes chegando cada vez mais perto... ela estava quase desmaiando quando ele a largou e caiu, gritando como se visse o inferno.
A estaca tinha atravessado o corpo do vampiro... e onde havia um monstro agora só existia poeira.
Eu estava meio desacordado, mas consegui forças para derrotá-lo...
E a Katrin? Bom... Ela dança até hoje!




- A Vampira do Lotação -
Por Adriano Siqueira




- Olá Greg! Mais uma noite de ida e volta.

Roberto, 32 anos, cobrador, seu turno era das oito da noite as cinco da manhã.
Greg era um motorisma metódico. Preocupava—se apenas com o bem estar dos passageiros e do ônibus.

- Mais um que sumiu. — Dizia o cobrador.

- Eu li o jornal. Notei que eles pegavam nosso ônibus. — Greg dizia olhando para frente.

- Isso não te assusta?

- Muita coisa me assusta... Salário atrasado, greve.

- Nossa! Isso é mesmo assustador. E a kadja?

Greg olha para o cobrador.

– O que tem ela?

– Sem essa... Você treme quando ela pega nosso ônibus.

Greg estaciona o ônibus para pegar alguns passageiros. Eles escutam uma gargalhada. Os dois se olham e engolem seco antes de continuar. Em menos de meia hora de viagem o ônibus tinha mais de quarenta passageiros.

Roberto pega um livro e começa a ler.

- Sabe o que estou lendo Greg?

- Sei... Algo como “falar menos” ou “Como não atormentar um motorista”.

- Nada disso. Estou lendo um livro sobre vampiros.

- Pode parar por ai Roberto. Eu não quero falar sobre isso. A katja é normal.

- Falando de mim...

Um calafrio tomou conta do Greg. Aquela mulher morena de cabelos cacheados e os olhos cinzas bem claros um corpo bem definido. Uma vez por semana ela tomava aquele ônibus.

- De onde você veio?

Acabei de subir. Você não me viu?

- Como consegue fazer isso? Novamente eu não a vi entrar.

- Mágica seu bobo.

O sorriso dela destacam os seus dentes brancos.

- Como vai pagar a passagem hoje Katja.

- Vai ver garoto esperto.

Roberto viu Kadja olhando diretamente em seus olhos. Ela fica bem perto dele. Dá um sorriso e por um momento, ele vê a sua vida inteira passando por sua mente.

- Que livro curioso Roberto!

Ela pisca e desvia os olhos do Roberto segura em um dos braços de um passageiro que estava perto, seus dedos finos passam pela camisa e quando vê que o seu cartão de passe está no bolso da camisa ela vira o homem de frente para a máquina e faz massagem nas suas costas... o homem gosta e vai ficando cada vez mais perto da catraca. Relaxando pela massagem, seu corpo vai um pouco para frente até que o cartão que esta na camisa aciona e libera a catraca. Ela sorri e diz:

- Isso paga a massagem!

Os amigos do homem riem e ele fica enfurecido por ter sido enganado.

- Sua Louca! Devolve minha passagem agora!

- Onde estão os seus modos? Bem. Vamos lá para o fundo que lhe darei tudo que pedir.

Os amigos dele sorriam e cumprimentavam pela sorte que ele tinha. Kadja era linda. Era impossível deixar uma mulher como esta, sozinha.

Greg e Roberto fizeram três viagens de ida e volta. Estavam voltando para a garagem quiando Roberto olhou para todo o interior do ônibus.

- Greg! Me responde... Você viu a kadja descer?

Greg olhou para o Roberto e disse.

- Não. Eu não sei como ela faz isso.

Ele estaciona o ônibus na garagem e descem para acertar os horários. Quando vêem logo a sua frente uma multidão.

- Sai da frente. Precisamos desse ônibus para fechar a entrada da garagem.

- Você está louco... Esse é meu ônibus.

Não! Não é... É da frota e estamos em greve. A multidão empurra Roberto e Greg. Pegam o ônibus e levam até o portão. Jogam gasolina e colocam fogo.

- Parem com isso! Roberto gritava, mas não era ouvido. A bagunça toda organizada pela multidão acabou trazendo varias radiopatrulhas e bombeiros. Os primeiros raios do sol já tomavam conta do local.

Roberto tenta empurrar a multidão, mas é agredido e fica sangrando sentado na calçada.
Greg não consegue tirar os olhos do ônibus em chamas. De repente todos escutam um grito apavorante. Todos se calam. E debaixo do ônibus cai um caixão que estava preso na carroceria e de lá sai uma mulher. Era Kadja gritando e correndo para Greg. Ele estava paralisado... Ela queimava por completo. Ela corria para agarrar o pescoço do Greg, mas quando restava apenas alguns ela parou... Contorceu de dor e caiu a poucos metros dele.

Seu corpo foi desaparecendo até que finalmente transformou—se em cinzas.


Autor: Adriano Siqueira



- Ajudar o Próximo -
por Adriano Siqueira -

Lucília era tão cheia de vida, tão alegre.
Até que seu marido começou a espancá-la.
Ele bebia muito e estava sempre caído na rua. Ela o ajudou várias vezes a se levantar, mas ele sempre agradecia batendo nela. Seus olhos mal conseguiam ficar abertos.
Ela estava com raiva de não poder agüentar as surras que levava.
Força... Foi o motivo dela ter vindo a mim. Ela queria força para poder amá-lo e agüentar os murros que ele dava:
— Não sei mais o que fazer. De tanto ele me bater eu posso acabar morrendo e ele jamais será amado de novo, por favor, Lorde... — ela não parava de chorar — Ajude-me... Dê-me forças para amá-lo eternamente!
— Está bem. Venha para perto de mim! Você tem certeza que quer realmente isto?
— Sim! — Ela me disse sorrindo — Dê-me um pouco de esperança!
Fechei os olhos e fui em direção ao seu pescoço.
A porta foi arrombada; era ele, e estava lá, com uma garrafa de Vodka.
— Sua cadela, você está me traindo! Só porque ele é um Lorde! Eu vou mandá-la para o inferno!
Eu olhei para ele. Meus olhos queimavam. Como alguém tão bela pode amar tal monstruosidade? O marido enlouquecido puxou sua mulher dos meus braços e a levou.
Ela ainda estava sangrando um pouco por causa da mordida, mas agora seria diferente... Logo ela seria uma vampira e o homem pagaria finalmente pelos seus atos!

Autor: Adriano Siqueira



- Aperto no Coração -
Por Adriano Siqueira -

Tão apaixonado eu era que nem percebi o que estava fazendo.
Lilith pedia chorando que, se eu realmente a amava, deveria esmagar o passarinho que estava em minha mão.
Eu, com a força que tinha! Jovem, corajoso e destemido, simplesmente não conseguia fazer aquilo!
Ela se virou e me disse que eu era um fraco, um idiota!
Então, ela partiu sem dar adeus.
O tempo passou e eu agora, estava com outra mulher. Uma noite, escutei um barulho na floresta e fui investigar sozinho.
Lilith apareceu de novo... Queria mostrar que estava diferente e mais adulta do que antes. Levou-me para uma árvore ali perto e me pediu delicadamente que eu deixasse a outra mulher e ficasse com ela. Disse que gostaria de continuar compartilhando o amor que tinha comigo no passado.
Eu neguei seu amor novamente, mas desta vez ela entendeu e como prova da sua amizade ela me levou até uma grande árvore e ofereceu-me uma fruta. Experimentei... Era adorável e açucarado.
Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, um raio atingiu a árvore nos jogando para longe. Logo, uma tempestade se iniciou.
Quando olhei para Lilith fiquei impressionado com o que vi.
Ela estava sem sentidos, seus dentes estavam maiores e pontiagudos e seu rosto estava envelhecendo muito rápido.
Assustado, corri para casa, a tempestade estava mais forte, as árvores eram arrancadas do chão e lançadas pelo caminho.
Minha amada estava me esperando. Ela tremia muito. Nunca sentimos tanto frio. Era perigoso ficar ali. Os raios estavam acabando com tudo. Coloquei a minha amada no colo e fugi sem olhar para trás. Nada mais eu podia fazer. Então, aos poucos fui percebendo que estávamos completamente nús.
E a Lilith? Será que ela ainda está viva? Será que um dia ela vai se vingar? Bom... Depois eu penso nisso... Agora eu tenho um novo mundo para construir.

Autor: Adriano Siqueira




- A Carta -
Por Adriano Siqueira - siqueira.adriano@gmail.com



Sandra não gosta de viajar. Mas Transilvânia é um convite que ninguém recusaria!
Normalmente ela recebe convites para decoração através dos seus e-mails, não era esse o caso. A carta havia sido escrita a mão! Coisa muito rara hoje em dia, ainda mais quando as passagens estão no envelope. Seu trabalho era mesmo reconhecido no Brasil, mas no exterior? Pensar em como seu currículo seria enriquecido se decorasse uma casa na Transilvânia, a deixava muito eufórica - não importava que a carta dissesse que só poderiam atender à noite! Quem se importa?
Depois de mais de 6 horas de vôo, um carro já a esperava! O motorista não falava muito bem português, arrastando muito para o espanhol! Dizia algo sobre o dono da casa já aguardar a presença de Sandra...
O motorista pára perto de um morro e aponta para uma colina logo no final da cidade.
— É lá, senhorita! Devemos continuar o percurso a cavalo! - A charrete esta nos aguardando!
No caminho, o homem olhava para Sandra... Como se procurasse algo... E encontrou! As mãos do então motorista, que mais parecia um guarda-costas, pegaram seu pescoço e ele abriu a boca, revelando os dentes caninos para mordê-la... Sandra pula da charrete e cai ribanceira abaixo, correndo pela estrada quando um homem aparece.
— Esse lugar é perigoso para uma mulher andar sozinha!
— Quem é você e como fala a minha língua?
— Seus trajes a denunciaram... Meu nome é Thomas!. Você está pálida!
— É meu charme! Acho que um vampiro queria me morder!
— Não precisa ser um vampiro para querer te morder! - Disse Thomas chamando seu cavalo!
— Venha comigo! Eles atacam à noite... Venha para minha morada! - Thomas deu as mãos para ela subir. Uma armadilha sem dúvida, mas até então, era isso ou ficar lá só esperando ser jantar de algum vampiro.
— Tudo bem! Espero que tenha um chá bem quente!
— Aqui a bebida mais conhecida é o rum! As pessoas adoram álcool. Aqui é muito frio!
Sandra coloca os braços em volta do estranho e ele galopa velozmente para o castelo que estava perto.
— Você mora aqui?
— Sim... É a única moradia por perto. Venha... Vou mostrar seu quarto. Não se preocupe... É natural que tenha medo. Afinal aqui é o lar dos vampiros, não é?
Sandra sorri:
— Sim, é verdade. As lendas aqui são terríveis!
— Acredite em todas! A propósito, fui eu quem a chamou! Mas não enviei ninguém para apanhá-la, pois não sabia a que horas chegaria!
— Entendo perfeitamente – disse ela, olhando com desaprovação de tão clara era mentira que Thomas disse, pois ele havia comprado as passagens e com certeza saberia que horas ela iria chegar.
— Olhe ao seu redor, Sandra... Veja quanto trabalho terá!
— A começar pelas suas roupas de séculos passados! - Ela fecha a porta na cara de Thomas e ele sorri... E grita:
— O jantar será às nove horas!
— Jantar as nove horas? - Sandra vai até o guarda-roupa e olha com desaprovação, embora as roupas foram as coisas mais novas que ela encontrou lá. Parece que seu anfitrião sabia exatamente do que Sandra gostava.
Ela veste um vestido preto com alguns desenhos dourados envolvendo todo o vestido, colocando um pequeno lenço vermelho ao redor de seu pescoço, solta os cabelos e coloca uma sombra não muito visível, mas o suficiente para chamar a atenção. Embora estivesse frio, o castelo não tinha muita corrente de ar... Mas os barulhos de ratos e gotas pingando deixavam o ambiente inquieto e inseguro.
Sandra sai do quarto e anda pelos corredores do castelo até chegar na escada que dá para a sala de jantar. Uma mesa enorme servida apenas por dois garçons. Com variações de comida local e algumas coisas bem típicas brasileiras, como frutas etc.
— Demorei muito para encontrar as coisas da sua terra, mas quero que se sinta em casa!
— Nunca vou me sentir em casa com seus ratos fazendo festa pelo castelo...
— Pois saiba que esses "ratos" comem baratas e aranhas e tenho certeza não encontrou nenhum na sua cama!
— Não sei! Nada ainda me fez ter vontade de ir pra cama! - Sandra estava atacando a jovialidade de Thomas. Mas ele também sabia jogar!
— Acredito que os camponeses daqui tenham te chamado mais a atenção!
— Talvez, Thomas! Gosto de gente que trabalha e batalha pelas suas coisas!
— É claro... Andar pela floresta sozinha a deixou humilde! Pois vou dizer uma coisa que não sabe. Se você for agora para lá, para a vila, todos vão querer pendurá-la em uma árvore! Sabe, Sandra, as pessoas acham que este lugar é amaldiçoado!
As luzes das velas estavam ficando mais fracas, até que um relâmpago ilumina Thomas por completo. Rindo com os dentes salientes... Sandra leva um susto e fica bem grudada à cadeira. Mas as luzes voltam e ele estava absolutamente normal!
— O que foi, querida Sandra? Viu um fantasma?
Completamente pálida e suando, Sandra balança a cabeça negando ter visto algo. Ela tinha que sair de lá, e rápido!
— Eu preciso ir para o quarto, Thomas. Não estou me sentindo bem.
— Mas é claro, minha querida, a viagem era mesmo cansativa... Merece um descanso! Depois irei visitá-la em seus aposentos!
— Tudo bem, Thomas!
Ela ficou na cama, pensando em uma maneira de escapar dali. Mas nada tinha em mente.
Por mais que lutasse, Sandra estava cansada e adormeceu. No seu sonho, muitas imagens apareceram, era como se ela estivesse vivendo o sonho de outra mulher. As roupas diferentes. Épocas distantes. Banquetes de sangue e sempre que ela olhava para o lado, Thomas aparecia.
Enquanto Sandra tinha os mais diversos sonhos, uma névoa entra vagarosamente pela porta e, aos poucos, vai se transformando num corpo de homem. Era Thomas! Sentado na cama ele, passa as mãos no rosto de Sandra e sente o calor de sua pele...
— Não posso... Maldita é a fome e o desejo de amar...
Sandra acorda e olha para Thomas. Levando as mãos dele para o rosto dela! Ele a beija e seu beijo fica cada vez mais ardente... Mais desejos invadem aquele quarto! As mãos de Sandra tentam encontrar a estaca embaixo da cama, mas para sua surpresa, não encontram... Havia um rato brincando com ela, levando-a para mais longe de Sandra!
— Eu quero você, Sandra!
— Oh, eu também te quero, Thomas!
Ela pulou para o outro lado da cama para encontrar a estaca, mas foi em vão, o rato estava brincando com ela... Até que a estaca rola para a o lado esquerdo da cama, quase deixando Thomas ver. Ela troca de posição com o homem para deixar só ela vendo!
— Preciso do seu pescoço, Sandra!
— Claro Thomas! - Ela salta para fora da cama e senta-se perto da estaca...
— Porque saiu da cama? - Dizia Thomas atônito!
— É para não sujar a cama. Afinal, se me morder, vou ter que cuidar do castelo!
Thomas ria insanamente:
— É verdade. Agora venha!
Sandra com a estaca na mão, escondida por trás de seu corpo, chega perto de Thomas.
— Feche os olhos, Thomas! As nossas vidas jamais serão as mesmas!
Ele fecha os olhos e ela enfia com força a estaca no seu peito, fazendo Thomas instintivamente agarrar Sandra e mordê-la com a estaca enfiada e em seguida seu corpo se transforma em pó.
Depois de horas, ela acordou. Sandra só queria sair daquele lugar. Arrumou as suas malas e saiu do quarto. Antes de partir. Sua curiosidade foi maior. Ela tinha que conhecer o quarto do Thomas. Ela abriu a porta e viu que o quarto parecia ser de um príncipe. Ele tinha bom gosto. A decoração do quarto dele era um exemplo em decoração. Muito bem planejado. A não ser por aquele quadro velho. Não combinava com o quarto. O quadro mostrava Thomas com uma mulher. Uma mulher muito parecida com a Sandra. Ela sorriu e partiu...
Mais tarde, no avião, lendo o jornal. Sandra lê uma matéria sobre prováveis vampiros na região, quando o passageiro sentado ao lado dela pergunta:
— Você acredita em vampiros?
Sandra não responde. Ela apenas “abraça” o passageiro.



- Adivinhe quem vem para jantar -

Por Adriano Siqueira


Eram mais de dez horas da noite. Giulia,sentada lendo as propostas de criação para seu cliente, não costumava receber pessoas a essa hora no escritório, mas o trabalho de criação nunca tinha hora para terminar.
O cliente vinha dos Estados Unidos e ela não o conhecia pessoalmente, apenas por telefone. Jeremy era seu nome.
Ela estava sozinha e cansada, quando finalmente alguém bate na porta.
Ela abre e vê um homem alto, cabelos longos e presos em um rabo de cavalo, com olhos que pareciam duas labaredas de fogo e olham para o rosto de Giulia e para todo o escritório.
— Desculpe a demora, Giulia.
Sua voz era suave e calma. Giulia tentou responder no mesmo tom, mas o sorriso daquele homem era encantador, os dentes perfeitos e brancos. Ele segurava nas mãos de Giulia tão carinhosamente - eram tão macias que não pareciam ser de um homem. Ele olhava para Giulia como se estivesse procurando algo em seu pescoço.
Usando de toda a delicadeza o visitante disse:
— Não vai me convidar para entrar?
— Claro!! - Ela disse, olhando para os papéis e torcendo para que ele também olhasse e desviasse a atenção dela.
Ele olhou para os papéis junto com ela, mas logo em seguida, ele voltou a olhar para seu rosto.
— Você é admirável!
— Obrigada, mas... Sobre o projeto...
O telefone toca e Giulia quase derruba o telefone no chão de tanta euforia.
— Alô! Alô?
— Giulia, sou eu, Jeremy.
Ela muda de cor e fica pálida. O homem olhava o projeto e perguntava se foi ela que fez...
— Sim, fui eu mesma. Eu e minha equipe.
No outro lado da linha Jeremy falava com ela...
— Quando poderemos nos encontrar novamente?
O homem que estava olhando a mesa de Giulia viu o telefone. O aparelho registra o número e o nome de quem ligou. Para a sua surpresa, o nome que estava em cima do número era Jeremy!
— Quarta-feira pra mim está ótimo. Está ok para você?
O sinal havia caído!
Ela teve apenas uma fração de segundos para ver que aquele homem havia desligado o telefone e estava quase aguarrando seu pescoço
Desviando-se daquelas mãos que outrora eram macias, ela corre tentando escapar.
Então aquela montanha segura o braço de Giulia e ela não tem outra saída senão revidar.
Agarrando o pescoço dele, ela levanta-o a meio metro do chão. Ele agarra a mão dela tentando se libertar. Ela sorri.
— Quem enviou você?
— A igreja... Eles me pagaram pra isso!
O falso Jeremy retira uma estaca do seu sobretudo e Giulia segura o braço do Caçador com a outra mão.
— Não foi rápido demais, Jeremy!
Chegando perto da janela, o homem fica louco e implora por clemência!
— Por favor, moça! Estou apenas trabalhando... É o meu trabalho!
Giulia empurra o homem para fora do prédio e segurando, com apenas uma mão, ela diz:
— O meu também!
Giulia solta o homem e, enquanto ele grita, esperando pelo seu fim, ela olha para a lua... E sorri.

Autor: Adriano Siqueira



- Aleluia -


Fui a uma igreja que estava exorcizando demônios — eu achava que talvez minha maldição pudesse ser quebrada!
Queria apenas me livrar do mal de ser vampiro!
Quando cheguei àquela igreja, nada ali me assustava... Eles não usavam cruzes e nenhum artefato religioso! Mas fiquei um pouco tonto com as palavras daquele homem segurando uma bíblia e, rapidamente, fui levado para frente em um grande altar.
Tremia muito... E estava pensando se era certo fazer aquilo, se eu não estaria enganando a mim mesmo...
Um homem colocou a mão na cabeça de uma garota que estava gritando ao meu lado. Tinha mais dois homens que a seguravam. Ela dizia coisas que eu não entendia... Palavras estranhas para uma garota tão bonita! Ela olhou para mim e começou a rir, e me disse com uma voz que parecia ser de várias pessoas juntas:
— Esses homens não podem fazer nada por você! Leve—me daqui e eu te ajudarei!
Os homens que estavam segurando—a agarraram seus cabelos e a colocaram no chão. Ela olhou para mim de novo:
— Você não quer ser salvo?
Olhei para os homens que estavam atrás de mim e sorri.
Com um olhar meu, eles começaram a brigar entre si. Começou um tumulto.
Agarrei a garota e saí voando por cima deles.
Levei—a para um beco escuro, mas ainda podia ver sua beleza.
Ela acordou assustada:
— O que estou fazendo aqui?
Sua voz agora era macia... Seja lá quem a estava possuindo, já tinha partido...
Olhei para ela e disse:
— Você deve se esquecer desta noite. Pois é exatamente o que devo fazer também!

Autor: Adriano Siqueira

sábado, 8 de dezembro de 2007




- Sexo, Suor e Vampiros -
Por Adriano Siqueira - siqueira.adriano@gmail.com


Mexendo as pernas, ela movimenta seu corpo de forma sublime, jogando seus lindos cabelos loiros para os lados e sempre me olhando com aqueles olhos verdes. Que mulher maravilhosa... Nem dava para acreditar que estava nesta espelunca de bar!
Tudo estava enfumaçado e tocava um blues de Ella Fitzgerald. Aquele palco era escuro e havia apenas uma luz.. Uma única luz que iluminava o corpo daquela mulher. Eu já estava na minha segunda dose de vodca. A cada gole que eu dava, um olhar transparecia pelo copo.
Até esqueci que estava aqui para prendê-la por assassinato. A polícia, lá fora, estava esperando um sinal, exatamente como pedi.
Quando o show acabou, fui para o camarim. Era pequeno, mas cheio de flores, que faziam o local ficar agradável para um tigre como eu, colocado dentro de uma jaula com uma pantera.
Ela não fez pergunta alguma. Apenas olhou com raiva por ter invadido seu pobre e pequeno local. Fui golpeado por suas mãos várias vezes até que não agüentar mais e, segurando suas mãos, dei um tapa em sua face, fazendo–a cair na poltrona que ali estava. Ela se levantou e ficou me olhando então... Seus dentes surgiam mais brancos, mais pontiagudos, mais selvagens. Ela não dizia mais nada... Só rosnava! Rosnava como um animal louco pela presa.
Avançou em minha direção e começou a arrancar minhas roupas (boa parte com os dentes). Tocou em cada centímetro do meu corpo. Raiva? Paixão? Que se dane! Eu sentia tudo deliciosa e silenciosamente. Ela me possuía por completo. Seus seios dançavam na frente dos meus olhos, enquanto ela sentava e penetrava cada intensidade de prazer em meu corpo.
Eu entendia perfeitamente porque ela assassinou seu marido e entendia também que dessa eu não passava. Ela ficou mordendo meu pulso e, sangrando, ela passou pelo seu corpo. Era um banho excitante. Eu podia ver em sua face que ela tinha orgasmos por sangue e sexo. Era um tesão! Tinha que ir até o final.
Agarrei seus cabelos e a forçava mexer mais e mais até que ela enfiou as unhas na minhas costas e rasgou até embaixo! Eu gritava, mas não sabia se era prazer ou dor. Ela gritava junto como um uivo de lobo que consegue agarrar a presa.
Quando tudo terminou, fiquei ali não sei quanto tempo... Inerte até a policia chegar e ver meu corpo completamente jogado na cama.
Aos poucos fui acordando e a única pista que eu tinha para provar que ela esteve ali era a rosa que estava em minhas mãos e uma mensagem.
"Se você ficar vivo, nos veremos de novo! — Ass. Veri"

Abraços
Adriano Siqueira - siqueira.adriano@gmail.com



- Olhos Negros -
Por Adriano Siqueira - siqueira.adriano@gmail.com

Selma: — Você havia ligado e eu vim correndo.
Angelo: — Que bom que veio. Sempre é bom ter alguém ao meu lado.
Selma: — Por favor, não diga isso. Para mim é um prazer.
Angelo: — Preciso de outro. Aquele que me deu ontem não durou nada.
Selma: — Não posso. Aquele que dei ontem era pra durar mais de uma semana.
Angelo: — Você não entende... Está muito forte... Pequenas doses já não adiantam mais.
Foi quando ela me abraçou e desabotoou a camisa.
Nunca consegui que ela parasse de me ajudar. Acho que era paixão, mas não sei... Ela se sacrificaria por mim. Levemente, ela levou a minha cabeça para seu pescoço e me alimentei por um longo tempo.
Vomitei aquela noite toda. Seu corpo na sala, jogado no sofá, me fazia pensar se a fome era tão importante assim para matar a única pessoa que eu realmente me amava...
Sentei ao lado dela... Seus olhos vazios... Seu corpo frio... A pele branca... Deitei no seu colo.
Liguei o teto solar. Estava quase amanhecendo.
O sol! A grande estrela que iluminava os homens, agora me abraçava com seus raios quentes e mortíferos. O calor que não sentia há anos, agora estava ao meu alcance.
Abraçado a minha adorada, a quem devia minha vida, vi seus olhos se abrirem na imensidão do fogo que já havia tomado todo o local.
Ela me olhou com seus olhos negros, me deu um sorriso e nos beijamos.
Finalmente todo o meu sofrimento acabou. E agora estamos juntos.
Até que a vida nos separe.

Autor: Adriano Siqueira







- A Conquista do Vampiro -
Autor Adriano Siqueira siqueira.adriano@gmail.com

Vejo você, sentada, quieta e raramente olha para os lados.
Está em seu mundo.
Completamente do jeito que gosto.
Aproximo aos poucos.
Sou discreto.
Peço um favor. Nada demais. Digo algo apenas para ter a sua atenção.
Geralmente sou atendido e você já está olhando em meus olhos.
Falo por eles, mas você jura que estou falando com a boca.
Você ouve tudo que quer ouvir... O assunto é sempre você, neste momento, só você importa.
Você mostra as partes do livro da sua vida que interessam, mas na verdade, estou te lendo completamente.
Diz os seus desejos, eu mostro que sou um deles e que também sou o portal do mundo que realmente quer. Irresistível, sedutor, amigo, companheiro.
Finalmente você me abraça e me leva.
Faço você acreditar nisso.
Adoro fazer pensar que está no poder, que tem tudo em suas mãos.
Adoro quando você diz que me quer para sempre. Mesmo sabendo que o para sempre termina de manhã.
Pode ter certeza de uma coisa...
Nunca vou te esquecer.

Autor Adriano Siqueira
- OS ABANDONADOS -

Moramos aqui.
Não temos casas e nem castelos.
Somos os abandonados, os condenados.
Os humanos nos chamariam de moribundos ou um bando de indigentes.
Mas, amamos uns aos outros.
Poetizamos, contamos nossas histórias,
de nossa familia de nossos amigos de nossa vergonha.
A dor é menor quando vomitamos nossos defeitos e pecados.
Não pense em encontrar riquezas e nem conforto aqui.
Terá apenas proteção. Uma proteção duvidosa. Garanto.
Pois quando a fome chega...
é só ela que importa.

Autor: Adriano Siqueira



- O Pescador -
Autor Adriano Siqueira - siqueira.adriano@gmail.com

Geraldo, Alcides eram amigos a muito tempo e resolveram trazer o Lucas para pescar naquele rio. Eles eram bons para pescar e sabiam que ele jamais havia pescado. Seria ótimo contar para os seus amigos da escola que ele era mesmo um perdedor. Eles fizeram uma aposta com o Lucas para ver quem conseguia pescar mais peixes. Era comum naquela cidade que os jovens que pescavam mais peixes se tornavam grandes líderes de sua escola. Mas pescar a noite... Isso sim era um ato de coragem!
Geraldo olha para o rio e dá um sorriso e pergunta para o Lucas:
- Tem certeza que não quer desistir Lucas?
Lucas estava com a lanterna no chão e enquanto estava mexendo na sua mochila. Ele olha para o Geraldo...
- Não! Nunca! Se vocês já pescaram por aqui eu também posso!
Alcides olha para o Geraldo e dá um sorriso e todos começam, a armar as suas varas de pesca. Em poucos minutos os três estavam em silencio esperando o primeiro peixe quando de repente escutam um barulho. Lucas se assusta e deixa cair a sua vara no rio.
- Droga! Perdi a minha vara!
Geraldo e Alcides riem da situação do Lucas e comentam.
- Desista Lucas! Já é difícil ganhar da gente e agora que perdeu a sua vara podemos nos considerar vencedores.
- É isso mesmo Lucas! Você sempre será um perdedor!
Revoltado e olhando para a sua vara de pesca sendo levado pelo rio, Lucas responde:
- Eu não vou desistir! Vou pensar em outra maneira de pescar os peixes eu já volto.
- Peguei um! Peguei um! Geraldo gritava alegremente.
Lucas pega a sua lanterna e sai da beira do rio deixando os dois comemorando. Lucas anda pela floresta e fica falando sozinho.
- Eu nunca vou conseguir pescar os peixes. Eles têm razão! Sou mesmo um perdedor. O pessoal da escola vão rir de mim o ano todo! Para completar a minha namorada Marisa estava fazendo um bolo para comemorar a minha pesca. Tenho certeza que ela vai jogar ele na minha cara! Perdedor! Perdedor!
Lucas ouve novamente aquele barulho estranho e resolve investigar. Ele vai seguindo o barulho até chegar em um espinheiro enorme e ele finalmente vê um morcego branco preso bem no meio dele.
- Ah... Então foi você que me deu um susto... Eu deveria deixá-lo ai para sempre! Tem idéia do que você fez com a minha vida? Do que estou falando? Ele é apenas um morcego em apuros.
O morcego se debate tentando se livrar mas os espinhos estavam ferindo ainda mais o seu corpo. Lucas não agüenta ver a angustia do morcego. Ele tira a sua camisa e rasga em dois pedaços. Ele enrola um pedaço em cada mão, quebra alguns galhos, tira os que estavam prendendo o morcego. Ele pega o morcego e tira do espinheiro.
Lucas coloca o morcego no chão. O morcego se lambe um pouco e logo depois de recuperar as suas energias, finalmente sai voando.
Lucas dá um sorriso e diz:
- Pelo menos alguém se deu bem nesta história. É melhor voltar para o rio. Não vou conseguir pescar nada mesmo.
Quando Lucas chega no local onde os seus colegas estavam ele vê que cada um pegou cerca de dez peixes. Eles estavam rindo a toa e começaram a rir mais ainda quando viram que o Lucas havia chegado.
- Olha lá Alcides! O perdedor assistindo nossa conquista!
- É Geraldo! Vamos fazer um troféu de perdedor e pedir para as garotas mais lindas da escola entregar para o rapaz! Vamos tirar fotos e espalhar pela internet! Ele vai ficar famoso!
Furioso, Lucas responde:
- Pois podem parar de rir! Saibam que eu tenho um plano para pegar mais peixes que vocês! Mas para isso eu preciso ficar sozinho aqui na beira do rio!
Lucas disse isso para não ter que ficar ouvindo os seus colegas caçoando da sua cara até chegar em casa. Ele bem sabia que não tinha plano nenhum. Ele ficou assistindo os seus colegas arrumarem as suas coisas, Eles deixam um cesto para Lucas colocar os peixes e antes de partirem eles avisam que receberá o troféu de perdedor logo que chegar na escola pela manhã.
Lucas senta na beira do rio bem ao lado do cesto vazio e fica ali, pensando na sua derrota. Era humilhante demais. Ele não queria mais pertencer aquele mundo. Quando mais ele pensava em como seria amanhã mais ele queria acabar com a sua vida. Ficou pensando em se jogar no rio e acabar com tudo ali mesmo. Ele estava chorando. Lucas levanta e se prepara para mergulhar naquele rio frio. Ele sabia que não iria sobreviver, pois nem sabia nadar. Ele respira fundo e é surpreendido por uma voz feminina.
- Então acabou!
O coração de Lucas dispara. Ele liga a lanterna e fica procurando a pessoa que disse aquilo. Ele fica gritando... – Quem está ai? – Quem é você? - Apareça alma penada!
Aos poucos uma mulher aparece bem perto da beira do rio. Ela era bem pálida e usava um vestido branco. Seus lábios vermelhos mostravam claramente os seus dentes ponteagudos.
- Você é uma Vampira?
- Quem eu sou não importa! O que você vai fazer... Sim!
- O que eu vou fazer não é da sua conta! Você não sabe nada sobre a minha vida!
- Eu estou aqui faz um bom tempo. Eu ouvi o que seus colegas disseram. Vai ser um verdadeiro perdedor se continuar com esse seu plano insano.
- É minha vida! Faço dela o que eu quiser.
- Vocês humanos vivem colocando fantasias nas suas cabeças só para ficarem tristes. Acham que procurando a morte, encontram a salvação. Será que não entende que os problemas fazem parte da vida? Que eles aparecem para ser enfrentados.
Lucas abaixa a cabeça e diz:
- Eu não sei como vou resolver isso.
- Você já está resolvendo. Você está desabafando com alguém. E geralmente os problemas de alguns são fáceis para outros.
- Acha que pode resolver isso?
- Não completamente. Mas posso ajudar. Se quiser.
- Claro que quero! Mas... Mas o que vai querer em troca?
Ela sorri e se aproxima... Diz quase sussurrando:

- Um amigo!
A Vampira olha para as arvores e com apenas alguns gestos vários morcegos aparecem e ficam rodeando o rio. Aos poucos, eles vão mergulhando no rio. Cada morcego pega um peixe e joga no cesto de Lucas. Em poucos segundos os morcegos conseguem encher o cesto. Lucas fica impressionado com toda aquela cena. Seus olhos começam a lacrimejar. Ele olha para a vampira e diz:
- Foi mesmo tão fácil para você.
Ele a abraça... Os morcegos voltam para as arvores.
- Se você vier aqui uma vez por semana, os morcegos encherão o seu cesto e assim poderemos conversar. A floresta é um lugar muito solitário.
Lucas concorda. Dá outro abraço na vampira. Coloca o seu cesto nas costas e segue o seu caminho alegremente pois ele sabe que amanhã será um ótimo dia.
Enquanto Lucas se afasta da beira do rio a vampira se transforma novamente naquele morcego branco que ele salvou.
Autor Adriano Siqueira