Livro Luar de Sangue da autora Dione M. S. Rosa

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quarta-feira, 10 de setembro de 2014

O Dia Em Que As Nuvens Caíram

Eu sempre desejei escrever algo sobre zumbis, mas com um toque meu, e vocês sabem bem o que faço. Escrevi esta história que foi publicada em um livro e, na época, chamou a atenção de muita gente por sua construção diferenciada sobre o assunto.
Bem, aqui vai a história para que todos possam conferir.
Boa Leitura e obrigado sempre por visitar este blog.
Abraços
Adriano Siqueira

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O Dia Em Que As Nuvens Caíram

Por: Adriano Siqueira


– Segure direito estas correntes! – Eu dizia em voz alta para o meu amigo Roberto.
– É fácil falar, Eric. Estes contaminados não tem muito senso de direção. Respondia Roberto olhando para os lados e segurando um fuzil.
Enquanto caminhávamos pelas ruas desertas do centro da cidade de São Paulo, ficava pensando em como tudo isso começou. Há mais ou menos um ano, os cientistas acharam uma solução para resolver o problema da alta temperatura. Era um pó químico que, jogado nas nuvens por vários aviões, iria resolver o problema da temperatura elevada. Mas algo deu errado. Não sei exatamente o que houve. Cheguei a ouvir que os elementos testados aqui no solo sofreriam alterações na atmosfera. Seja lá como for, as nuvens ficaram pesadas e sólidas e começaram a cair. Isso não deveria ser um problema tão grande, mas as nuvens se transformavam numa gelatina enorme e, quando entravam em contato com a água, esta também ficava naquele estado. Os humanos que tocavam nesta gelatina ficavam como mortos-vivos. Verdadeiros zumbis. Caminhavam sem rumo, sem cérebro.
O caos tomou conta da cidade. Em vários locais não havia mais água, só gelatina, e as usinas elétricas pararam de funcionar. Em pouco mais de uma semana não tínhamos mais energia elétrica. O exército tomou conta da cidade. A população ficou em pânico. Em pouco tempo as ruas ficaram desertas e, com a falta de água, tivemos que nos mudar para vários lugares. Passamos a usar máscaras pois o ar tornou-se seco demais. E nunca mais choveu.
Estranhamente os postos científicos começaram a aparecer procurando candidatos para caçar os humanos que haviam tocado nas nuvens. Eles os chamavam de "contaminados". Em troca, eles davam água potável. Não havia muita escolha. Eu nunca havia caçado alguma coisa na minha vida, mas por causa da sede eu me apresentei nestes postos e recebi muitas correntes e uma arma para proteger o "rebanho de zumbis" dos saqueadores que estavam sempre por perto.
Eu conheci uma cientista muito intrigante. Ela se chamava Crisla. Uma pessoa bem reservada, mas que sabia muito sobre os efeitos das nuvens e de como era a contaminação. Crisla mostrava que capturar os contaminados era apenas parte de um grande plano e, por mais que eu perguntasse, ela não respondia.
O céu ficava o tempo todo azul e não tinha mais nuvens. Elas estavam todas aqui na terra e não derretiam. Ficava aquela gelatina branca atrapalhando todas as ruas da cidade e nem dava para entrar em alguns prédios.
Agora eu e o Roberto estávamos passando pelo Viaduto do Chá, que era agora um lugar perigoso. Uma boa parte do viaduto tinha nuvens pelo chão, e não podíamos tocar nelas porque a contaminação era rápida. Passávamos com cuidado. Tínhamos trinta contaminados nas correntes e não queríamos que tudo se perdesse. Estávamos atentos aos perigos quando ele gritou.
– Olhe lá, Eric. Um contaminado sozinho. Vou pegá-lo. Fique aí que já volto.
Roberto sabia o que fazia. Era perto, uns cinquenta metros. Para ele seria fácil. Quando chegou perto do contaminado, três homens armados apareceram. Eles estavam escondidos por detrás do pequeno muro da beirada do viaduto.
– Solte a arma e entregue todos os seus contaminados. – O homem de barba dizia.
Assustado, eu atirei primeiro e matei um dos homens. Roberto pulou nos outros dois e eles caíram e entraram em contato com a nuvem que estava no chão. Eu gritei e corri para perto. Os dois homens já haviam sido infectados e levantaram como zumbis sem cérebro.
Roberto ainda estava consciente. Dizia, gritando:
– Me mate. Não me deixe assim...
Aos poucos a voz dele ia sumindo. Eu pensei que talvez ele não merecesse viver como um zumbi. Fechei os olhos e atirei três vezes. Quando abri os olhos vi algo que me deixou muito surpreso. Onde havia buracos das balas estava saindo um líquido que não era sangue, mas parecia... Parecia água.
Eu queria tocar. Fiquei com medo do que a cientista dissera sobre ser contaminado. Mas eu precisava saber. Toquei o dedo no buraco de bala do corpo do Roberto e experimentei o líquido com a boca. Era exatamente o que eu pensava. Era água potável.   Eu coloquei a boca no buraco de bala e tomei a água toda. Depois de saciar minha sede, olhei para os contaminados e fiquei pensando nas respostas. Os cientistas sabiam. Eles não tinham água. Ela vinha dos contaminados. Mas qual era o intuito deles? Fazer um reservatório de água só com os contaminados? Eu podia muito bem ficar aqui e matar todos estes contaminados e teria água por mais uma semana. Porém, eu queria respostas.
Peguei os contaminados pela corrente e os levei para o posto onde estava a cientista Crisla.
Quando cheguei ao posto científico, Crisla mal olhava para mim. Ela só se preocupava com os contaminados. Eu precisava de respostas. Então, comecei a fazer as perguntas.
– O que pretende fazer com eles? Transformá-los em um grande reservatório?
– Eric, acho que isso é uma informação confidencial.
Eu a segurei pelo braço e ela puxou tão forte que raspou o braço no cadeado da corrente, rasgando um pouco da sua pele.
Ela colocou a mão rapidamente no braço, mas foi inevitável. Vi água saindo do braço. Fiquei enfurecido.
– Então, os zumbis podem pensar que você achou um jeito de não ficar como eles? Eu matei meu amigo e você tinha a cura?
– Não tem cura! Eu já estava contaminada antes das nuvens caírem.
Eu sentei em uma cadeira coloquei os pés na mesa e disse:
– Pode me contar tudo ou todos vão ficar sabendo que você é uma contaminada.
– Tudo bem então! Logo será tarde demais para falar. Meu pai foi o homem que inventou o pó químico que foi jogado nas nuvens. Todas as nuvens da terra foram infectadas. O mundo inteiro está exatamente assim como o Brasil. Ele sabia que, se desse algo errado, precisaria descobrir como resolver, então injetou uma droga que alterou meu sangue para que eu ficasse com os efeitos de uma contaminação, e me disse o que fazer.
– E você deixou que seu pai te transformasse em uma cobaia?
– É claro. Sou uma cientista e sei o que fazer agora. Se eu não tivesse aceitado não teríamos esperança.
– Então, você é a solução?
– Não! Não sou. Não sozinha. Eu apenas sei o que deve ser feito. Juntando os contaminados que você trouxe, já devemos ter o suficiente para a experiência. Se você quiser pode vir junto para um dia você contar para a humanidade.
Eu segui Crisla até uma parte aberta do local. Havia muitos contaminados lá, segurando as mãos em círculos. Três cientistas controlavam uma máquina. Crisla continuou a explicação.
– Meu pai morreu logo após a contaminação. Ele foi um dos atingidos pela nuvem e um soldado atirou nele com medo da infecção. Reuni aqui os contaminados, que tem água agora no lugar de sangue. O que você ainda não sabe é que o corpo deles tem variações líquido/sólido/gasoso. A máquina que criei vai alterar nossos corpos para gasoso.
– Como assim “nossos corpos”? Você não vai participar disso, vai?
– Sim, eu vou. Quando meu pai me transformou ele esperava que eu fosse com eles. Não pode haver contaminados neste mundo, se tudo der certo, entende?
– Mas que mal haveria de ter contaminados por aqui se eles não fazem nada?
– Um dia você vai entender. No momento, apenas escute. A máquina vai nos transformar em uma forma gasosa. Seremos as novas nuvens. Assim poderemos fazer com que chova novamente e o mundo retornará ao que era antes.
– Isso é loucura, vocês vão se matar!
– Você tem algo mais importante para fazer, Eric. Tem que procurar mais contaminados. Eles podem destruir o mundo.
– Crisla, do que está falando? Eles não tem cérebro. São inofensivos.
– Apenas faça o que mando, está bem. Eu tenho que ir.
Crisla foi até o círculo onde os contaminados estavam. Não havia o que fazer. Ela tinha a missão dela e eu a minha. Fiquei assistindo a tudo. Raios atingiram todos que estavam naquele círculo e todos caíram.
Começaram a se transformar em uma grande nuvem gasosa e foram subindo para o céu. E desapareceram.
Fiquei olhando tudo. Todos estavam olhando para o céu. Tudo ainda estava azul. Ficamos um bom tempo esperando algo. Um sinal. Até que o azul do céu foi ficando mais e mais claro e apareceu uma pequena nuvem cinza. Ela estava cheia de eletricidade. Raios começaram a atingir o chão por toda a nossa volta. Todos tentavam se proteger. Eu corri mais do que podia. Saí do local e, quando cheguei à rua, vi uma mulher contaminada e um soldado que a arrastava pela corrente. Um poste atingido por um raio caiu sobre o soldado. Isso causou uma ferida enorme em sua cabeça e o sangue espirou na mulher.
Ela passou a língua no sangue e começou a olhar para os lados. Rapidamente balbuciou algumas palavras e experimentou mais sangue do soldado. Ficou alguns minutos tomando o sangue e olhando para os lado até que me viu e gritou.
– Você, pare aí! Quero respostas!
Ela jogou o corpo do soldado como se fosse uma caixa de papelão. Começou a correr para onde eu estava. Agora ela pensava, falava e era muito forte. Entendi o que Crisla falou. Mate todos os contaminados. É claro. Se eles tinham água no corpo o que eles tomariam para matar a sede? Sangue.
Eu corri como pude, mas ela era muito rápida e me agarrou. Por alguns segundos, pensei que tudo iria terminar ali, até que começou a chover.
A chuva era intensa e muito forte. A contaminada gritava de dor. Seu corpo começou a derreter e foi se misturando com a água.
Eu me levantei aos poucos. Crisla conseguiu. Ela fez o mundo voltar ao normal. A sua missão foi um sucesso.
Agora era a minha vez de completar a minha missão. Procurar todos os contaminados do planeta antes que eles tomassem sangue.



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