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domingo, 27 de novembro de 2016

Eu, você e a Naty Vamp a Vampira - contos de vampiros - por Adriano Siqueira




Eu, você e a Naty Vamp a Vampira
Por Adriano Siqueira


─ Eu duvido que você pegue esta bola agora Fábio.

Sofia coloca a bola no chão, dá cinco passos para trás, olha para o Fábio e para Luiz e chuta com toda a força. Fábio era o goleiro. A bola estava vindo em direção ao gol. Ele corre em direção a bola mas é empurrado por Luiz caindo e comendo poeira. Luiz cabeceia a bola que vai direta para o gol.
Fábio se levanta com a cara cheia de poeira, enquanto Sofia e Luiz ficam rindo da cara dele. Sofia para de rir, tira a camisa que estava enrolada na cintura de Luiz e... Antes que ele diga algo ela corre até Fabio e limpa o rosto dele. Depois, dá um beijo no rosto e retorna para o Luiz que pega de volta a sua camisa suja e fica
murmurando palavrões. Sofia beija a sua boca e sai correndo. Ele corre atrás dela. Fabio fica assistindo o casal se divertir. Ele pega a sua bola e fica pensando porque a Sofia escolheu o Luiz como seu namorado e não ele. E por que ele tinha que ficar sempre perto deles?
Até quando ele iria segurar este segredo? Talvez ele devesse contar para o amigo e cair fora disso tudo... Mas Fábio estava tão envolvido em seus pensamentos que nem percebeu a presença de uma estranha.

─ É noite!
Fábio quase coloca o coração para fora da boca, quando viu quem era
fica muito zangado.
─ Mas que diacho Naty Vamp! Você me deu um tremendo susto.
─ Eu... Desculpe Fábio... Mas desde que eles começaram a namorar, você vive fora de órbita. Conta logo para eles que você está apaixonado por ela e sai disso tudo.
Fabio olha surpreso Naty Vamp e pensa... Será que todo mundo percebeu isso? Ou será porquê ela é uma vampira e tem certas percepções mais aguçadas do que os humanos. Antes de continuar este assunto ele ressalta.
─ Sou humano. Meus defeitos, as minhas maneiras resolver meus problemas não é da sua conta.
Naty Vamp dá um sorriso e responde:
─ Este é o Fabio que conheço. Sempre se enchendo de problemas só para bancar o ocupado.
Fábio jogou a bola na direção da Naty Vamp mas ela some deixando apenas, um pouco de fumaça.
Que droga! É isso que se ganha por salvar uma vampira. Uma versão imperfeita de "Jeanne é um Gênio".
Ela reaparece na frente dele...

─ Não sou tão ruim assim... É que vocês... Humanos! Complicam demais.
─ Leia bem os meus lábios Naty Vamp. - Isso não é da sua conta!
─ Não quer nem saber quem é o culpado?
─ Como assim? Tem culpado? Se têm algum culpado. Sou eu!
─ Já vi que você nunca vai ser um guru sentimental. Vamos pegar a sua bola de exemplo.

Fabio entrega a bola para Naty Vamp. Ela segura e brinca jogando de uma mão para a outra.

─ Então está bola é você... O gol é a Sofia e quem chuta é o Luiz.

Fábio fica escutando impaciente enquanto Naty Vamp posiciona a bola para chutar.

─ Luiz está muito confiante nesta jogada. O gol está apenas a três metros de distância e não existe nada que o detenha de conquistar a vitória. Ele esta tão certo que se esquece de algo terrível.
─ O que é? O que é? Fala logo!

Naty Vamp dá dois passos para trás e chuta a bola com muita força. A bola explode ali mesmo... Fabio cai sentado e fica olhando a sua bola completamente destruída.

─ É ou não é algo terrível?
─ Minha Bola!!! Você explodiu a minha bola!
─ Isso se chama destino Fábio. E destino é algo que, vocês humanos, nunca contam. Naty Vamp!! Você não precisava destruir a minha bola para me dizer isso!
─ É que eu gosto de causar impacto! Além disso, queria mostrar para você que eles estão juntos por causa disso. Destino. Pode ser difícil de você entender agora, mas um dia, vai saber porque as coisas são como são.

Fabio fica sentando e começa a fazer caminhos na terra com os dedos.

─ Sabe Naty Vamp. Eu só queria estar no lugar do Luiz agora. Só para tê-la em meus braços.
─ Não seja egoísta? E eu? Quem me salvaria? Sei que sou forte e que tenho muitas vantagens sobre os humanos. Mas se não fosse a sua humanidade e compaixão eu seria desintegrada pelo sol. Isso já faz um ano. Você nunca me perguntou como eu fui parar no meio deste campo de futebol as cinco da manhã? Eu estava junto com mais duas vampiras e lutava com dez caçadores poderosos. As minhas amigas foram destruídas mas eu consegui agüentar até o final. Foi quando eles viram que eu não tinha forças para fugir do Sol e me deixaram aqui... Neste campo... Para morrer. O destino sorriu para mim quando trouxe você e quando me levou para a sua casa fiquei protegida. E consegui me reabastecer até a noite. Eu sempre serei grata. Por isso sempre vou estar perto de você. Eu aprendi uma lição naquele dia. Mesmo o ser mais insignificante do mundo sempre nos surpreende com algo que chamamos de compaixão. Isso sim! Meu caro Fábio. Um dia vou aprender como se conquista isso.
Naty Vamp beijou levemente a boca de Fábio e desapareceu em uma grande névoa branca.
Na manhã seguinte. Sofia vem a sua procura. Ela toca a campainha.
Fabio dá uma olhada pela janela e fica surpreso quando a vê na porta.
A Sofia na casa dele? Nem dava para acreditar. Agora sim ele começa a acreditar em destino. Ele se arruma em um minuto e corre para abrir a porta. Ela olha para ele e dá um leve sorriso.

─ Posso entrar?
─ Claro Sofia.
─ Rapidamente ele liga o rádio e sintoniza na estação que ela gosta.
─ Eu adoro essa rádio!
─ É... Eu sei... Mas o que a trás por aqui.
─ Eu quero te dizer algo... Ontem... Eu e o Luiz terminamos.
─ Mesmo? Terminaram? Acabaram? Romperam?
─ Isso mesmo Fábio.
─ Por que?
─ Ele achou que era melhor assim!
─ Ah... Foi ele que terminou.
─ Isso é tão importante para vocês, homens, né? Quem terminou primeiro?
─ Não exatamente. Mas dá a impressão...
─ Impressão de que?

Fábio pensou que ela estava lá porque não queria ficar sozinha e se o Luiz tinha rompido ela certamente iria ficar com alguém para não ficar abandonada ou como dizem.... Encalhada. Mas certamente ela não estava lá por realmente gostar dele. Mesmo com tudo isso passando na mente do Fábio. Ele respirou fundo e continuou falando.
─ Dê nada! Olha... eu não estou muito bem hoje... estou com uma enxaqueca pesada.
─ Espera Fábio. Eu não sabia que estava indisposto... mas...
─ Diga...
─ Eu preciso de você... Você é especial para mim.

Ela senta ao lado dele e acaricia seu rosto.

─ Muito especial.

Fabio se torturava por dentro. Ele estava revoltado com a situação.
Ele não a queria assim. Não desta maneira. Luiz sempre era o cara por cima e ele sempre ficaria com as sobras. Fabio sentiu que seu ombro estava molhado. Ela estava chorando e no ombro dele. Ele a abraçou e limpou as suas lagrimas.

─ Não faz isso não Sofia. Não fica assim.

Fábio se desmonta completamente. Esse era o ponto fraco dele. Alguém que precisa de ajuda e ainda por cima... Chorando.
Sofia olha para Fábio e ele insiste:

─ Diz o que você quer de mim, então!
─ Já disse... Quero que me ajude. Posso contar com você?
─ Claro... Sempre. Peça o que quiser.
─ O que quiser.
─ Isso mesmo... Mas só se parar de chorar. Eu moro em uma área de risco de enchentes.

Sofia dá uma leve risada e logo vai enxugando as lágrimas. Eles se levantam e ela se aproxima dele.

─ Você prometeu...
─ É eu sei que prometi... Estou pronto.

Fabio estava quase explodindo de emoção. Como a sua bola na noite anterior. Essa triste lembrança o fez ficar mais atento a Sofia.
Destino! Destino! Ele lembrou das palavras da Naty Vamp. Isso o deixou alerta. E ele ficava pensando.... Eu disse que faria qualquer coisa. - Minha Nossa por que eu disse isso?
Ela coloca as mãos no bolso da sua calça e tira um envelope. Fabio tenta não escutar o que ela queria dizer. Mas era impossível.
─ Queria que entregasse esta carta para o Luiz.
─ Eu... eu... Não posso! Não posso Sofia... Sinto muito.

Fabio pensava que se existia alguma hora para acabar com estes jogos. Esta hora era agora.

─ Só você pode fazer isso. Por favor Fábio você prometeu. Eu já não sei mais o que fazer.
Sofia começou a chorar de novo. Fabio queria evitar tudo isso mas ele sabia que era tarde. Muito tarde para parar.
─ Pare de chorar Sofia! Eu vou! Eu entrego esta carta e depois mas não ache que vou ver você com os mesmo olhos de antes. Para mim você é fraca e não sabe resolver os seus próprios problemas. Eu vou mesmo. Mas não é por você... É por mim. É para acabar com essa relação onde me sinto um lixo.
─ Não Fabio! Você não é um lixo. Você tem razão. Sou fraca.

Nunca amei ninguém como amo o Luiz. Ele é tudo para mim. Eu faria tudo por ele.
As palavras da Sofia espetavam como agulhas no Fábio. Mas ele resistia. Ele sabia que logo isso tudo acabaria. Mas aconteceu ali,algo que ele nunca havia imaginado. Estava começando a ter ódio dela.
Um ódio que ele jamais achou que iria sentir. Mesmo assim ele sorriu para ela.

─ Hoje à noite ele estará na casa dele. Por favor.. Eu sei que é pedir demais, mas eu quero saber tudo.. Se ele odiou ou se ele amou receber esta carta... Quero saber tudo. Doa o que doer.
Sofia da um abraço bem apertado no Fábio. Ele a abraça bem forte.
Desejando que muito que aquele momento fosse de afeto e de amor e não de agradecimento, Não por deixá-la usá-lo. Ela para de abraçar e vai ate a porta da saída, olha de novo para ele.

─ Diz que vai me ligar quando você voltar?

Novamente ele lembra de ter sonhado que um dia ela diria isso.
Pediria para ele ligar. Mas neste momento, pela primeira vez. Ele pensou em mandá-la para o inferno. Ele respirou fundo...

─ Vou ligar!

Se você deseja escutar as respostas sussurradas de todas as perguntas que fez por toda a sua vida, ande pelas ruas a noite. Pois é lá, na mais densa escuridão que elas estarão.
Fabio estava andando por mais de uma hora. Segurava aquela carta, com raiva. Passou por muitos bueiros e latas de lixo. Pensou em jogar fora e sumir. Pensou em ler, pensou em mentir na resposta do Luiz,
mas só pensou.

─ Está pensando demais.
─ Ah!!! De novo Naty Vamp? Que droga! Já levei surtos demais para um dia.
─ É eu vi... Acaso isso que está na sua mão é uma carta?
─ É sim! Mas não é da sua conta.
─ Me diz Fábio! Quanto deve se viver... Quantos exércitos devemos enfrentar para chegar a ter uma situação tão embaraçosa como esta que você está?
─ Não enche Naty Vamp! Não me interessa como soube que a Sofia me convenceu a entregar essa carta para o seu ex-namorado, mas o assunto acaba aqui.
─ E você queria ser ele?
─ Ainda quero! E queria que você estivesse no meu lugar só para me ver por dentro agora.
─ Nem preciso. Dá para ver que você está bem sisudo.

Fabio para de andar e olha para Naty Vamp e pergunta:

─ O que eu faço?

Naty Vamp olha para o Fabio Ela sabe que jamais chegaria perto de uma situação dessas. Ela não gosta de jogar, mas quando joga é para ganhar. Ela sabia que Fábio era inexperiente e apaixonado.
Dois problemas que levariam muitos guerreiros a morte. Mas Fabio precisava passar por isso. É parte da vida dos humanos. Aprender com os erros.

─ Vá em frente! Faça o que prometeu. Mas não culpe só ela por estar fazendo isso. Neste jogo é importante saber quem realmente é o culpado. Sabe Fabio... Às vezes aceitar a derrota evita mais humilhação. Você ganha mais tempo para se preparar melhor. E você sabe bem que estes jogos existem todo o dia.
─ Isso não é um jogo! É minha vida!

Fábio não percebe que eles estavam sendo seguido por dois homens bem suspeitos. E eles abordam os dois.

─ Tudo bem com vocês! Tem um real para arrumar para a gente?

Fabio toma a frente e diz:

─ Não tenho não!

Naty Vamp retoma a frente do Fábio e diz.

─ Ele tem sim. Um monte. Olha o tênis novinho dele. E essa camisa ele comprou ontem mesmo.

Fabio levanta as sobrancelhas e fica olhando para a Naty Vamp.
─ Obrigado pelo apoio viu Naty Vamp!

Ela nada diz... Apenas pisca para Fábio.

─ Então o garoto esta escondendo o dinheiro? Isso faz mal para a saúde.

Eu adoro humanos gananciosos! - Diz Naty Vamp indo ao encontro dos dois homens.

─ Então Dona! Vai facilitar para nós!
─ Claro meninos! Que tal um jantar!
─ É! A mulher é cheia da grana!

Um dos homens segura o braço da Naty Vamp e a abraça.

─ Me dá um beijinho...

Naty Vamp segura firme os cabelos daquele homem e morde o seu pescoço. Sem perdão, sem compaixão e principalmente... Sem culpa. O outro homem tenta reagir mas, mal consegue se mover. Paralisado pela frieza de como ela tira a vida do amigo. Ele só gagueja e cai de joelhos e fica clamando pelos nomes de muitos deuses.
Porém ela já estava satisfeita, deixando o pobre homem clamando por sua vida e sanidade.
Naty Vamp olha para o Fábio e ele entende que ela não poderia ficar ali. Ele concorda silenciosamente com a cabeça. Ela manda um beijo e desaparece.
A casa do Luiz já estava bem perto. Não havia muito para pensar. Era algo menor. Chegou a pensar naquele instante que tinha perdido a sua humanidade. Tudo de repente ficou sem sentido para ele.
Quando chegou na casa do Luiz ele bateu na porta e ficou esperando seu amigo aparecer mas, para a sua surpresa, uma enfermeira abriu a porta. Ele ficou preocupado e perguntou onde o seu amigo estava. Ela disse que estava fazendo seu tratamento diário. Ele era portador de uma doença que não tinha cura e ontem os sinais de sua morte estavam aparecendo. Fabio tentou convencer a enfermeira de que era importante mas foi em vão. Ela fechou a porta e ele andou um pouco. Parou se
sentou no chão.
Fabio pensava por que ele havia escondido seu estado para do seu próprio amigo? Esconder da sua própria namorada?
Fabio entendia finalmente o motivo dele acabar o namoro. Ele não queria que eles sofressem. Não queria os amigos por perto com pena.
Defeitos humanos ele dizia:

─ Naty Vamp tinha razão! Vivemos pensando no nosso próprio nariz. Bem que ela disse para não desejar ser outra pessoa. Nós nunca sabemos o que elas realmente são. Somos mascarados. Completamente desconhecidos até para os amigos. E eu... Fui um egoísta.

Ele vê uma ambulância vindo pela rua até a casa de Luiz... Os enfermeiros correm para dentro da casa. Ele volta para ver melhor.
Vê um corpo coberto por um pano branco. A enfermeira e os pais estavam chorando muito e diziam claramente "Luiz se foi."
Eu não pude segurar as lágrimas. A chuva começou a cair e a carta,que estava na minha mão agora estava molhada e borrada. O que estava escrito não tinha mais sentido. Nada tinha mais sentido.


autor
Adriano Siqueira

sábado, 26 de novembro de 2016

Drácula: A origem contada em livros, filmes e Hqs

A origem do Conde Drácula
A origem contada em filmes, HQs e livros

Quando o irlandês Bram Stoker lançou o livro Drácula em 26 de maio de 1897 ele baseou em alguém real. Vlad Tepes III (Vlad o Empalador) foi o príncipe da Valáquia e seus métodos para afugentar  seus inimigos incluía empalar os inimigos. Sua fama cruel se espalhou e isso fez com que ele fosse temido. 
Abaixo segue algumas fontes que contam a origem do Conde Drácula

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Filmes

Filme Drácula A História Nunca Contada - 2014


Filme: Vlad - O Cavaleiro das trevas - 2003

O Príncipe das trevas - A verdadeira História de Drácula (2000)

Drácula 0 príncipe das trevas - 2013


Este filme conta muito bem a história do Vlad Tepes.

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Livros


Em busca de Drácula e outros vampiros


História dos Vampiros - Autópsia de um mito - Claude Lecouteux

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Histórias em Quadrinhos

álbum - Clássicos de Terror da Editora Taika
Drácula - O Conde da transilvânia torna-se O Vampiro da Noite






Drácula A sombra da noite - conta uma história romantizada sobre a origem do Conde Drácula. Está é uma história em quadrinhos brasileira.






O italobrasileiro Eugênio Colonnese Também produziu uma história em quadrinhos contando a origem do Conde Drácula. A Hq era em três partes e depois fizeram uma hq especial com capa dura e ficou tudo em um único volume. 




A histórias sobre o Conde Drácula também foram contadas nestas duas Hqs







Conto sobre Lobisomens - O reflexo da maldição - por Adriano Siqueira


O Reflexo da Maldição - Uma história de lobos
por Adriano Siqueira







Acordei com um barulho. Parecia um grito.

No caminho para a cozinha vejo uma gota de sangue no chão. Rapidamente chamo por minha mulher. Não ouço resposta. Vou para o quarto da minha filha e vejo o que eu temia. Ela estava olhando para mim. Com os olhos arregalados e algumas partes do seu corpo, estavam espalhadas pelo quarto. Comecei a vomitar, não acreditava no que via.

─ Minha filha!... Meu Deus! Quem teria feito isso?

Andei bem devagar... Olhando para seus olhos, toquei em seu rosto ensanguentado... Lembrei dos momentos em que a vi crescer.

Não conseguia tirar os olhos do corpo mutilado. Foi quando eu vi... Vi claramente ela sorrindo. Sua cabeça virou em minha direção... Eu cai de joelhos e coloquei minha mão na boca para não gritar. Meu Deus... por favor meu Deus... Seus pedaços pelo chão. E se ela perceber que faltam algumas partes do seu corpo. O que vou fazer? Ela sorriu...

─ Pai, Me abraça?

─ Eu estava louco? Fiquei ali. Paralisado e apavorado.

─ Me abraça papai!

─ Eu me arrastava tentando compreender tudo.

De repente ela começou a gritar desesperadamente!

─ Lobisomem! Papai! Me ajuda! Quando olhei para trás vi a fera com sangue na boca e os olhos vermelhos. Uivando, enquanto suas garras me rasgavam.

Consegui me livrar e corri para a cozinha. Minha mulher estava de costas perto do fogão. Porque ela não me ouviu gritar? Ela estava tirando os bolinhos de queijo do forno e falou comigo sem me olhar:

─ Querido! O café está quase pronto.

Lourdes a nossa filha...

─ Oh! Sim ela já vem.

Ela virou para me olhar... Seu rosto estava todo estraçalhado, a pele caia, misturando-se com o seu pescoço e sua roupa estava ensopada de sangue...

─ Lourdes, Meu Deus!

Ela cai sem vida.

Escuto novamente aquele uivo.

Saio de casa e corro pela floresta. Meu coração estava disparado... Gritei por socorro, mesmo sabendo que ninguém me ouviria ali. Cansado, desmaiei próximo a estrada...

Aos poucos meus olhos se abriram e eu estava em uma cama. Aos poucos fui conhecendo o local. Eu estava na casa do meu irmão Heitor.
A porta abre e Verônica aparece com um pouco de chá.

─ Você teve uma noite difícil.

Verônica era a esposa do meu irmão.

Minha família? Um lobo... Devorou minha família.

─ Eu sei.

Ela me abraçou por alguns instantes.

─ Deus! Eu ainda não acredito o que fizeram com a sua família.

─ O lobo... Tinha um lobo...

─ Como era o lobo?

─ Grande... Parecia humano... Grande demais para um lobo. Ele andava como a gente. Nunca vi algo assim.

Ela estava olhando fixamente para mim, e aos poucos Verônica desabotoou a sua camisa e me disse:

─ Era humano?

─ Não, era um lobo. Olhos vermelhos. Todo preto. Garras enormes não pareciam ser de um simples lobo. Parecia mais um leão. Seus olhos eram a própria morte.

Ela olhou para mim e abriu a camisa sorrindo.

─ Olhe, veja o que ele fez. Venha me dar um beijo?

Ela estava sem a pele da barriga... Tinha sangue por toda a calça.

─ Pelo amor de Deus Verônica! Por favor! Não chegue perto de mim. Por favor.

─ Mas eu quero você. Quero fazer amor. Antes que o lobo apareça.

Eu escuto o uivo novamente quando o vejo na janela, e saio correndo.

─ Volte Cícero! Não corra do lobo! Eu preciso de você!

Olho para trás e ainda a vejo cair sem vida.

Continuo correndo pela floresta. De repente alguém me segura com toda força. Tento lutar, mas é em vão. Quando minha visão clareia, vejo que é meu irmão Heitor que estava me segurando.

─ Pare! Eu sei quem é o lobo. Venha! Venha agora!

Eu não conseguia mais falar. Ele me pegou pela mão e me levou para a casa do meu outro irmão, Doutor Prático ou simplesmente Doc, um apelido que usavamos depois que ele se formou em veterinária. Era bem perto dali. Ele falava muitas coisas, mas eu ainda não entendia direito o que estava acontecendo. Já não sabia se era real ou pesadelo. Minha cabeça era um grande vazio preenchido pelo terror. Era muita coisa em uma só noite.

Entramos na casa do Doc. Lá, tinha uma grande sala e fiquei no sofá.

─ Cícero. Fique aqui. Vou chamá-lo.

Espero por um momento e logo vejo meus irmãos vindo em minha direção e discutindo:

─ Não me importa! Sinceramente isso não é da minha conta. Você sempre protegeu o nosso caçula. Resolva o problema você mesmo. Ele deixa Heitor na sala e sai rapidamente daquele cômodo sem falar comigo.

Eu não acreditei! Nossa família estava morta e o meu maldito irmão mais velho não queria se envolver?

─ Não se preocupe com ele Cícero. Ele sempre foi assim.

De repente escuto as portas e janelas se fechando.

Ouço uma gargalhada. Era o Doc. O som era alto, estava vindo de um autofalante colocado na sala. Fiquei atento, ouvindo tudo:

─ Heitor! Heitor! Finalmente você entendeu que nosso irmão caçula deve morrer.

─ Por favor! Não faça isso Doc! Eu sei que você me avisou, mas eu simplesmente não posso. Não posso! É nosso irmão! Será que você não tem coração.

─ Eu tinha... Até o lobo aparecer em nossas vidas. Até ele destruir nossa família e por isso hoje sei o que deve ser feito.

Fiquei desesperado. Nossas famílias mortas e eles discutindo daquela forma? Não fazia sentido! Eu tinha que dizer algo.

─ Do que é que vocês estão falando? Heitor? Doc? Por favor, vamos chamar a policia. Nossa família está morrendo por causa desse maldito lobo.

Heitor abaixa a cabeça, olha para a cintura, pega uma arma e aponta para a minha cabeça.

─ Cícero. Perdoe-me Eu não tinha coragem para fazê-lo, mas vendo você mencionar a família só me da mais coragem de atirar. Por favor, não se mova.

─ Mas que diabos está acontecendo aqui? Porque esta apontando essa arma para mim?

Heitor, com a arma na mão fala para o Doc.

─ Eu sei que está certo. Sei que viveu seus últimos quinze anos estudando veterinária. Escreveu muitos livros sobre a vida dos lobos. Cícero merece saber a verdade antes de morrer...

─ Tudo bem Heitor eu conto:

─ Cícero, quando éramos mais jovens, fomos atacados por um lobo você lembra?

─ Sim Doc! É Claro. Ele voltou e é por isso que estamos aqui pedindo ajuda, mas eu não esperava que meu próprio irmão apontasse uma arma para mim...

─ Eu salvei vocês dois, só que Heitor me escondeu um segredo.

─ C... Como assim? Que segredo?

Heitor corre em minha direção e me segura pelo colarinho, aponta a arma para minha cabeça e grita:

─ Ele te mordeu idiota! Será que não se lembra disso? O maldito lobo te mordeu!
Eu escondi este segredo de você e do Doc, mas ele sempre desconfiou. Por isso ele colocou uma bala de prata neste revolver. Para acabar com isso. Acabar com sua vida. Com a maldição e principalmente matar o Lobo.

─ Lobo? Eu? Você está Louco. Eu o vi!

Eu não estava acreditando. Meu próprio irmão dizendo que eu era o autor dos assassinatos, da minha própria filha, esposa e cunhada. Heitor me levou até uma das janelas da sala... Olhei para a janela e Gritei.

─ O lobo! Ele está bem aqui na janela! Atira Heitor! Atira Agora.

Ele me segurava e gritava.

─ Cícero esta não é uma janela comum. Ela é de prata. Está mostrando seu verdadeiro reflexo. Você esta vendo o que realmente é.

Oh. Meu Deus. Não é possível. Não pode ser. Eu, eu...

Não havia mais o que falar. Fiquei olhando meu reflexo. Estava, o tempo todo, tentando fugir de mim mesmo, dos meus crimes, da minha maldição.

Por um momento olhei para o Heitor e finalmente disse.

─ Então atira. Atira agora e acabe com isso de uma vez!

Heitor me empurra e caio sentado no sofá. Ele aponta a arma no meu peito e fica tremendo... Eu fecho os olhos e escuto ele dizer que me ama e logo em seguida um tiro. Dou um grito.

Finalmente escuto o Doc correr para a sala.

─ Não... Não!

Eu abro os olhos e vejo Heitor no colo do Doc. Atirou nele mesmo e estava sangrando muito, mas ainda estava vivo e disse:

─ Fracassei Doc! Ele é meu irmão... Eu o amo.

Vejo Heitor lentamente parar de respirar. O Doc fica chorando.

─ Era para ser tão simples... Tão... Tão "Prático".

Eu queria dizer algo, mas não conseguia me mover. Algo me possuía. Olho para a janela e a vejo quebrada. A bala passou por Heitor e quebrou um dos vidros da janela. Fiquei tonto e a última coisa que vi foi a lua cheia, através da janela.




Escrito por Adriano Siqueira


sexta-feira, 25 de novembro de 2016

SAÍDA PELA ESQUERDA - Contos de Vampiros - por Adriano Siqueira




— Preciso ir! - Claudinei dizia olhando para o relógio e para a porta.
— Mas ainda não amanheceu! - Bibiana estava agarrando ele pelos braços e tentando dar-lhe um beijo.
— Você não entende, eu nunca passeio de dia... Eu sou diferente!
— Todo mundo diz isso! Deixa disso e fica um pouco mais comigo! Ainda faltam alguns minutos para amanhecer e ficamos aqui no meu apartamento apenas duas horas! Vai com calma, tá bem?
— Não dá! Olha! Eu já te dei meu telefone, meu e-mail e meu msn. Agora tenho mesmo que ir. Então me dê um beijo e a gente se vê a noite. Desculpe-me, mas eu realmente não posso ficar... Quem manda gostar de homens que se vestem de preto e que freqüentam casas noturnas. - Ele sorri, tocando no rosto dela.
— É uma pena que vai embora. Vou sentir sua falta. Gostei mesmo do seu jeito. Ligue-me está bem?
Bibiana beijou seus lábios e ele saiu correndo. Quando ela fechou a porta, ouviu um grito...
Claudinei batia na porta, rindo muito. Como se ele tivesse ganhado na loteria.
Ela abre a porta e o vêde costas para a porta, apontando para o sol...
— Veja... O sol apareceu... E eu não estou morto. Não morri queimado. Estou vivo! Inteiro! Eu... Argh...
O barulho do pescoço quebrado não é ouvido pela vizinhança.
Ela o arrasta para dentro e empurra a porta.
Porém, antes de fechá-la, ela morde o pescoço dele.


Autor: Adriano Siqueira - siqueira.adriano@gmail.com

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Evento - 1º Curitiba RPG - 03 de dezembro de 2016



Olá pessoal,

Estarei no evento 1º Curitiba RPG junto com muitos escritores. Será no dia 3 de dezembro de 2016 e começa às 14hs e vai até às 21hs
Local: Biblioteca Pública do Paraná - Curitiba PR - Rua Cândido Lopes, 133, 80020-901 Curitiba

Segue abaixo detalhes sobre o evento.

Site do evento
http://curitibarpg.com.br/evento/

Página do Evento
https://www.facebook.com/events/1203806639661112/

Informações sobre o evento conforme está na página do facebook:

O “1º Curitiba RPG” é um evento gratuito que irá acontecer no dia 3 de dezembro de 2016 na BPP (Biblioteca Pública do Paraná) das 14:00 às 21:00h. Nele teremos atividades como Mesas de RPG, Jogos de Tabuleiro, Card Games, Sorteios e Palestras. Já contamos com a participação de clubes temáticos e outros parceiros, e teremos nesse mesmo dia o "Galápagos Day" uma atividade especial para você conhecer os jogos da Galápagos. Em breve postaremos mais informações sobre o evento. Enquanto isso, dá uma espiada lá no nosso site: www.curitibarpg.com.br/evento 


O apoio e a presença de vocês são muito importantes. Por isso, apareçam.

Abraços e nos vemos por lá.
Adriano Siqueira

veja fotos do evento
https://www.facebook.com/pg/literatopeia/photos/?tab=album&album_id=1237749986305040



A primeira vez você nunca esquece - Contos de Vampiros - por Adriano Siqueira



A primeira vez você nunca esquece
Contos de Vampiros - Por Adriano Siqueira



— Helena, desculpe. Sei que estamos casados e temos filhos, mas o nosso amor acabou. Gastou. Não sinto mais nada por você. Vejo você como uma irmã e quando nós homens vemos a mulher assim, é melhor nos separarmos do que tentar resgatar e desgastar também as nossas lembranças. Sinto muito.
Ângelo pega as malas e sai. Helena fica sentada no sofá. Pernas cruzadas, braços cruzados. Ela não chora. Fica naquela posição por um bom tempo. Olha para cada canto da sala até que vê a estante e, olhando bem devagar, os nomes dos livros, vê o livro "Vampiros". Finalmente desperta da sua angústia, corre até o telefone e liga para seu melhor amigo.

— Rodrigo, ele já saiu.

Eram quase dez da noite quando Ângelo chega na casa de Denise. Ela o abraça cheia de desejo. Ela tem 21 anos e é virgem. Tratava Ângelo como um rei e sabia que, aos poucos, cativaria o amor dele. Por isso se reservou. Até hoje.

— Denise... Tem certeza?
— Claro que tenho, Ângelo. Eu sempre sonhei com esta noite. Nós dois, juntinhos. Por favor, venha agora. Eu estou... Ah, deixa de conversa e vem logo para cama. Quero você inteiro.

Ângelo vai para a cama e a abraça carinhosamente, beijando-a nos lábios. As mãos dela afagam seu rosto. Descendo até o seu peito, a intensidade do beijo aumenta. Fica mais ardente e mais forte. Ela morde os lábios dele, borrando o seu rosto de sangue sem que ele perceba. Suas unhas arranhavam a sua pele. Mais! Ela dizia louca e se mexia como uma cobra se arrastando pelo deserto. Mais! Ela queria mais! O corpo já estava em brasa. Era inevitável. Era imprescindível. Tinha que ser agora... E finalmente acontece. Era quente... Úmido, o corpo dela queria mais fundo, mais forte. Quando ele consegue, ela grita de prazer. Seu corpo endurece como pedra e Ângelo percebe que alguma coisa estava errada. Como se os ossos dela estivessem andando pelo corpo. Ele arregala os olhos, assustado, olha para a sua face endurecida com muitos músculos e veias ressaltadas. Ela finalmente grita.
Os seus dentes pontiagudos, fazem com que o Ângelo saia da cama.
Ela uiva.
Ele procura algo para se defender.
Ela rosna e salta em sua direção, mas é agarrada pelos cabelos por um homem.

— Este homem não!

Ela se debate, descontrolada, e ele a joga para o outro lado do quarto.

— Ele é meu! – Ela dizia rosnando em posição de ataque. Quando o estranho responde:

— Atreve-se a reagir?

O corpo do vampiro se modifica. Agora era um lobo. Salta ferozmente, sem piedade, e morde o pescoço da criatura. Ela uiva, rosna e enfia suas garras nas costelas do lobo que sangra, mas ele persiste e aprofunda mais a sua mordida até que ela perde a sua força e seu corpo fica pendurado na boca do lobo, que morde ainda mais fundo até que finalmente arranca a sua cabeça e brinca com ela chacoalhando de um lado para o outro, espalhando sangue por todos os lados.
Ângelo presencia toda a briga. Fica no canto, encolhido esperando sua hora. De repente, uma mão é estendida para ele.

— Venha, Ângelo! A sua mulher o espera.


Por Adriano Siqueira

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