domingo, 29 de março de 2009

LOBOS - O reflexo da maldição - Adriano Siqueira


O Reflexo da Maldição - Uma história de lobos
por Adriano Siqueira



Acordei com um barulho, parecia um grito.

No caminho para a cozinha vejo uma gota de sangue no chão. Rapidamente chamo por minha mulher. Não ouço resposta. Vou para o quarto da minha filha e vejo o que eu temia. Ela estava olhando para mim. Com os olhos arregalados e algumas partes do seu corpo, estavam espalhadas pelo quarto. Comecei a vomitar, não acreditava no que via!

- Minha filha!... Meu Deus! Quem teria feito isso?

Andei bem devagar... Olhando para seus olhos, toquei em seu rosto ensangüentado... Lembrei dos momentos em que a vi crescer.

Não conseguia tirar os olhos do corpo mutilado. Foi quando eu vi... Vi claramente ela sorrindo. Sua cabeça virou em minha direção... Eu cai de joelhos e coloquei minha mão na boca para não gritar. Meu Deus... por favor meu Deus... Seus pedaços pelo chão. E se ela perceber que faltam algumas partes do seu corpo. O que vou fazer? Ela sorriu...

- Pai, Me abraça?

- Eu estava louco? Fiquei ali. Paralisado e apavorado.

- Me abraça papai!

- Eu me arrastava tentando compreender tudo.

De repente ela começou a gritar desesperadamente!

- Lobisomem! Papai! Me ajuda! Quando olhei para trás vi a fera com sangue na boca e os olhos vermelhos. Uivando, enquanto suas garras me rasgavam.

Consegui me livrar e corri para a cozinha. Minha mulher estava de costas perto do fogão. Porque ela não me ouviu gritar? Ela estava tirando os bolinhos de queijo do forno e falou comigo sem me olhar:

- Querido! O café está quase pronto.

Lourdes a nossa filha...

- Oh! Sim ela já vem.

Ela virou para me olhar... Seu rosto estava todo estraçalhado, a pele caia, misturando-se com o seu pescoço e sua roupa estava ensopada de sangue...

- Lourdes, Meu Deus!

Ela cai sem vida.

Escuto novamente aquele uivo.

Saio de casa e corro pela floresta. Meu coração estava disparado... Gritei por socorro, mesmo sabendo que ninguém me ouviria ali. Cansado, desmaiei proximo a estrada...

Aos poucos meus olhos se abriram e eu estava em uma cama. Aos poucos fui conhecendo o local. Eu estava na casa do meu irmão Heitor.
A porta abre e Verônica aparece com um pouco de chá.

- Você teve uma noite difícil.

Verônica era a esposa do meu irmão.

Minha família? Um lobo... Devorou minha família.

- Eu sei.

Ela me abraçou por alguns instantes.

- Deus! Eu ainda não acredito o que fizeram com a sua família.

- O lobo... Tinha um lobo...

- Como era o lobo?

- Grande... Parecia humano... Grande demais para um lobo. Ele andava como a gente. Nunca vi algo assim.

Ela estava olhando fixamente para mim, e aos poucos Verônica desabotoou a sua camisa e me disse:

- Era humano?

- Não, era um lobo. Olhos vermelhos. Todo preto. Garras enormes não pareciam ser de um simples lobo. Parecia mais um leão. Seus olhos eram a própria morte.

Ela olhou para mim e abriu a camisa sorrindo.

- Olhe, veja o que ele fez. Venha me dar um beijo?

Ela estava sem a pele da barriga... Tinha sangue por toda a calça.

- Pelo amor de Deus Verônica! Por favor! Não chegue perto de mim. Por favor.

- Mas eu quero você. Quero fazer amor. Antes que o lobo apareça.

Eu escuto o uivo novamente quando o vejo na janela, e saio correndo.

- Volte Cícero! Não corra do lobo! Eu preciso de você!

Olho para trás e ainda a vejo cair sem vida.

Continuo correndo pela floresta. De repente alguém me segura com toda força. Tento lutar, mas é em vão. Quando minha visão clareia, vejo que é meu irmão Heitor que estava me segurando.

- Pare! Eu sei quem é o lobo. Venha! Venha agora!

Eu não conseguia mais falar. Ele me pegou pela mão e me levou para a casa do meu outro irmão, Doutor Prático ou simplesmente Doc, um apelido que usavamos depois que ele se formou em veterinária. Era bem perto dali. Ele falava muitas coisas, mas eu ainda não entendia direito o que estava acontecendo. Já não sabia se era real ou pesadelo. Minha cabeça era um grande vazio preenchido pelo terror. Era muita coisa em uma só noite.

Entramos na casa do Doc. Lá, tinha uma grande sala e fiquei no sofá.

- Cícero. Fique aqui. Vou chamá-lo.

Espero por um momento e logo vejo meus irmãos vindo em minha direção e discutindo:

- Não me importa! Sinceramente isso não é da minha conta. Você sempre protegeu o nosso caçula. Resolva o problema você mesmo. Ele deixa Heitor na sala e sai rapidamente daquele cômodo sem falar comigo.

Eu não acreditei! Nossa família estava morta e o meu maldito irmão mais velho não queria se envolver?

- Não se preocupe com ele Cícero. Ele sempre foi assim.

De repente escuto as portas e janelas se fechando.

Ouço uma gargalhada. Era o Doc. O som era alto, estava vindo de um autofalante colocado na sala. Fiquei atento, ouvindo tudo:

- Heitor! Heitor! Finalmente você entendeu que nosso irmão caçula deve morrer.

- Por favor! Não faça isso Doc! Eu sei que você me avisou, mas eu simplesmente não posso. Não posso! É nosso irmão! Será que você não tem coração.

- Eu tinha... Até o lobo aparecer em nossas vidas. Até ele destruir nossa família e por isso hoje sei o que deve ser feito.

Fiquei desesperado. Nossas famílias mortas e eles discutindo daquela forma? Não fazia sentido! Eu tinha que dizer algo.

- Do que é que vocês estão falando? Heitor? Doc? Por favor, vamos chamar a policia. Nossa família está morrendo por causa desse maldito lobo.

Heitor abaixa a cabeça, olha para a cintura, pega uma arma e aponta para a minha cabeça.

- Cícero. Perdoe-me Eu não tinha coragem para fazê-lo, mas vendo você mencionar a família só me da mais coragem de atirar. Por favor, não se mova.

- Mas que diabos está acontecendo aqui? Porque esta apontando essa arma para mim?

Heitor, com a arma na mão fala para o Doc.

- Eu sei que está certo. Sei que viveu seus últimos quinze anos estudando veterinária. Escreveu muitos livros sobre a vida dos lobos. Cícero merece saber a verdade antes de morrer...

- Tudo bem Heitor eu conto:

- Cícero, quando éramos mais jovens, fomos atacados por um lobo você lembra?

- Sim Doc! É Claro. Ele voltou e é por isso que estamos aqui pedindo ajuda, mas eu não esperava que meu próprio irmão apontasse uma arma para mim...

- Eu salvei vocês dois, só que Heitor me escondeu um segredo.

- C... Como assim? Que segredo?

Heitor corre em minha direção e me segura pelo colarinho, aponta a arma para minha cabeça e grita:

- Ele te mordeu idiota! Será que não se lembra disso? O maldito lobo te mordeu!
Eu escondi este segredo de você e do Doc, mas ele sempre desconfiou. Por isso ele colocou uma bala de prata neste revolver. Para acabar com isso. Acabar com sua vida. Com a maldição e principalmente matar o Lobo.

- Lobo? Eu? Você está Louco. Eu o vi!

Eu não estava acreditando. Meu próprio irmão dizendo que eu era o autor dos assassinatos, da minha própria filha, esposa e cunhada. Heitor me levou até uma das janelas da sala... Olhei para a janela e Gritei.

- O lobo! Ele está bem aqui na janela! Atira Heitor! Atira Agora.

Ele me segurava e gritava.

- Cícero esta não é uma janela comum. Ela é de prata. Está mostrando seu verdadeiro reflexo. Você esta vendo o que realmente é.

Oh. Meu Deus. Não é possível. Não pode ser. Eu, eu...

Não havia mais o que falar. Fiquei olhando meu reflexo. Estava, o tempo todo, tentando fugir de mim mesmo, dos meus crimes, da minha maldição.

Por um momento olhei para o Heitor e finalmente disse.

- Então atira. Atira agora e acabe com isso de uma vez!

Heitor me empurra e caio sentado no sofá. Ele aponta a arma no meu peito e fica tremendo... Eu fecho os olhos e escuto ele dizer que me ama e logo em seguida um tiro. Dou um grito.

Finalmente escuto o Doc correr para a sala.

- Não... Não!

Eu abro os olhos e vejo Heitor no colo do Doc. Atirou nele mesmo e estava sangrando muito, mas ainda estava vivo e disse:

- Fracassei Doc! Ele é meu irmão... Eu o amo.

Vejo Heitor lentamente para de respirar. O Doc fica chorando.

- Era para ser tão simples... Tão... Tão "Prático".

Eu queria dizer algo, mas não conseguia me mover. Algo me possuía. Olho para a janela e a vejo quebrada. A bala passou por Heitor e quebrou um dos vidros da janela. Fiquei tonto e a última coisa que vi foi a lua cheia, através da janela.

A primeira vez você nunca esquece - por Adriano Siqueira


A primeira vez você nunca esquece
Adriano Siqueira - siqueira.adriano@gmail.com



— Helena, desculpe. Sei que estamos casados e temos filhos, mas o nosso amor acabou. Gastou. Não sinto mais nada por você. Vejo você como uma irmã e quando nós homens vemos a mulher assim, é melhor nos separarmos do que tentar resgatar e desgastar também as nossas lembranças. Sinto muito.
Ângelo pega as malas e sai. Helena fica sentada no sofá. Pernas cruzadas, braços cruzados. Ela não chora. Fica naquela posição por um bom tempo. Olha para cada canto da sala até que vê a estante e, olhando bem devagar, os nomes dos livros, vê o livro "Vampiros". Finalmente desperta da sua angústia, corre até o telefone e liga para seu melhor amigo.
— Rodrigo, ele saiu.
Eram quase dez da noite quando Ângelo chega na casa de Denise. Ela o abraça cheia de desejo. Ela tem 21 anos e é virgem. Tratava Ângelo como um rei e sabia que, aos poucos, cativaria o amor dele. Por isso se reservou. Até hoje.
— Denise... Tem certeza?
— Claro que tenho, Ângelo. Eu sempre sonhei com esta noite. Nós dois, juntinhos. Por favor, venha agora. Eu estou... Ah, deixa de conversa e vem logo para cama. Quero você inteiro.
Ângelo vai para a cama e a abraça carinhosamente, beijando-a nos lábios. As mãos dela afagam seu rosto. Descendo até o seu peito, a intensidade do beijo aumenta. Fica mais ardente e mais forte. Ela morde os lábios dele, borrando o seu rosto de sangue sem que ele perceba. Suas unhas arranhavam a sua pele. Mais! Ela dizia louca e se mexia como uma cobra se arrastando pelo deserto. Mais! Ela queria mais! O corpo já estava em brasa. Era inevitável. Era imprescindível. Tinha que ser agora... E finalmente acontece. Era quente... Úmido, o corpo dela queria mais fundo, mais forte. Quando ele consegue, ela grita de prazer. Seu corpo endurece como pedra e Ângelo percebe que alguma coisa estava errada. Como se os ossos dela estivessem andando pelo corpo. Ele arregala os olhos, assustado, olha para a sua face endurecida com muitos músculos e veias ressaltadas. Ela finalmente grita.
Os seus dentes pontudos e a sua pele cheia de pêlos fazem Ângelo saltar da cama.
Ela uiva.
Suas mãos procuram algo para se defender.
Ela rosna e salta em sua direção, mas é agarrada pelos cabelos por um homem.
— Este homem não!
Ela se debate, descontrolada, e ele a joga para o outro lado do quarto.
— Ele é meu! – Ela dizia rosnando em posição de ataque. Quando o estranho responde:
— Atreve-se a reagir?
O corpo do vampiro se modifica. Agora era um lobo. Salta ferozmente, sem piedade, e morde o pescoço da criatura. Ela uiva, rosna e enfia suas garras nas costelas do lobo que sangra, mas ele persiste e aprofunda mais a sua mordida até que ela perde a sua força e seu corpo fica pendurado na boca do lobo, que morde ainda mais fundo até que finalmente arranca a sua cabeça e brinca com ela chacoalhando de um lado para o outro, espalhando sangue por todos os lados...
Ângelo presencia toda a briga. Fica no canto, encolhido esperando sua hora. De repente, uma mão é estendida para ele.
— Venha, Ângelo! A sua mulher o espera.

terça-feira, 17 de março de 2009

Abraço Noturno - por Adriano Siqueira e Medye Platinun




Na magia em que nos envolvemos, o mundo se protege dos nossos lamentos e nossas angústias. Uma energia que pode dominar e ser dominada. Pois somos um somado á muitos que nos cercam. Completos e conquistadores, nós temos o poder do conhecimento, do ensinamento interior. Sabemos os segredos do Inferno e do Caos. Sabemos como fazer de você nosso devoto ou nosso alimento.
A cada suspiro, vejo que você se entrega a nós, vê que não tem escapatória e muito menos um refúgio, deseja o que teme e sabe que o clímax é superior, conhecer o que está obscuro na mente, achar caminhos proibidos extazia seu pensar e arde o seu corpo, deseje! Deseje estar junto à nós e sinta o poder do inexplicável.
Este poder que toma seu corpo e o mantém em completo extase, subjulgando a sua carne e se alimentando da sua própria energia, sua própria fonte de sabedoria e de conhecimento. Compartilhe agora nosso coração! Seja nosso irmão, nosso filho, nosso mais precioso objeto sagrado.
E no prazer da carne e do espírito, deixe-nos drenar a sua vida, sua alma, seus prazeres, nos alimentamos do mesmo rio que segue vermelho ás nossas vontades, de sentir, viver, e adorar! Vamos! Aceite nossas mãos e se acolha em nosso seio, o abraço da eternidade lhe aguarda e junto a nossa vontade, seja mais um anjo da noite.

Por Medye Platinun e Adriano Siqueira

acompanhem o blog da Medye Platinun - http://andandocomestranhos.blogspot.com/

quinta-feira, 12 de março de 2009

ebook - A Deusa dos Vampiros - Free Download




A História -

A Deusa dos vampiros invade o planeta Terra a procura de um vampiro para reinar com ela em seu mundo.

Tem muita ação suspense e romance.

clique e faça o download

http://www.overmundo.com.br/banco/a-deusa-dos-vampiros-por-adriano-siqueira

terça-feira, 10 de março de 2009

Carma Vampírico - por Adriano Siqueira




Já passou por um humano e deixou de chupar o sangue dele por achar que ele não merecia morrer ou não era a pessoa certa naquele momento?
E então você a deixa partir mas, esta pessoa não sai da sua mente e fica martelando a sua imagem como algo não resolvido.

Não deixe as coisas em aberto em sua eternidade como vampiro.
Sabemos bem o quanto é doloroso seguir em frente pensando sempre que poderiamos resolver algo.

Além disso, Este "fantasmagórico" Carma nos faz reviver sempre a mesma situação até enfrentar, esclarecer ou resolver.

Deixe estas assombrações para os fantasmas ou voce vai acabar enferrujando as suas asas!
Aproveite a sua eternidade!

Ela é para poucos.

Portanto deixa de conversa e...
MORDE LOGO A CRIATURA!!!

Abraços
Adriano Siqueira

domingo, 8 de março de 2009

A Mulher já Nasce Vampira - Textos especial para o dia da mulher - por Adriano Siqueira



Vampiras! Fascinação eterna.

São elas que se destacam em todos as lendas, em todos os filmes, em todas as histórias.
Lilith foi a primeira, A história faz parte da lenda hebraica onde a mulher por ser mais forte e por ter personalidade foi expulsa do paraiso, amaldiçoada por não se prender a regras do homem e ter vontade própria.
As Vampiras geralmente são ousadas e com poder em suas mãos podem também, dominar um reino para apenas manter a sua beleza e a sua vaidade. Estamos falando da Elizabeth Bathory A condessa que matou muitas comcubinas para se apoderar do seu sangue e assim tomar periodicamente o seu banho de sangue e manter a sua pele mais jovem. Quando descoberta de suas atrocidades foi emparedada viva.
Grandes personagens vampiras foram também criadas para eternizar a essencia de uma vampira. Antes de se ouvir falar do Conde Drácula. Sheridan le Fanu criou a vampira mais famosa da literatura. "Carmilla" se destacou por muito tempo na literatura mundial.
Incrível como as vampiras se multiplicaram em todas as áreas.
Como se não bastasse uma vampira, houve três noivas de Drácula. E pode ter certeza que em nenhum momento pode se achar que ele dominava estas mulheres, pois isso sim seria pura ficção. Se as mulheres dominam... Vampiras reinam pela eternidade.
Assim é o caso da Vampirella, a personagem de quadrinhos mais famosa das HQs. Uma super heroina que combate o mal e ainda tem um poder de sedução que deixaria qualquer homem a sua mercê.
No Brasil, também temos as nossas Musas vampíricas.
Liz Vamp, A filha do Zé do Caixão, se destaca em seus curtas, poemas, músicas HQs e ainda criou o "dia dos vampiros" que é dia 13 de agosto.
Vamp, a novela de Antônio Calmon, personificada pela atriz Cláudia Ohara, ainda é um cult brasileiro.
Nos quadrinhos brasileiros, A "Mirza" de Eugênio Colonnese ainda é a rainha das vampiras nacionais.
Se depender das Vampiras o mundo continuará repleto de muita sedução e de muita beleza.

Que as vampiras sejam eternas.


- VAMPYRA LUNA-
por adriano siqueira


Noite que me beija
cercada de estrelas em chamas
vermelhas como gotas de sangue
Me abraça com o seu vento frio.

Fortifique minhas vontades
não me deixe ser dominada pelo ódio
Quero apenas prazer.
Prazer em tê-los nos meus pés

Quero ser dona
ser mulher
ser vampyra.


FELIZ DIA DA MULHER

ouça o poema produzido por Adriano Siqueira, com a voz de Lis Momente

http://www.overmundo.com.br/banco/vampyra-luna-poema-narrado-dedicado-as-mulheres-vampiras

tenham todos uma adorável noite!
Adriano Siqueira