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sexta-feira, 13 de março de 2020

A Hora dos Gárgulas




A Hora dos Gárgulas

Por Wellington Purcino e Adriano Siqueira

- Tirem os carros da Avenida!

Daniel Santini era o caçador licenciado pelo governo para resolver casos sobrenaturais, dentre muitos era considerado o melhor ainda vivo.
  O MASP da Avenida Paulista, estava infestado de Gárgulas, de alguma forma essas criaturas da idade medieval estavam na avenida, atacando e destruindo carros e ônibus que por ali passavam. Era Algo completamente sem explicação para muitos, não para Daniel S.
  Todo o Trânsito estava sendo desviado para a Alameda Santos, porém como a rua era muito estreita, o pânico aumentava rapidamente, era um horário onde haviam muitos carros, ônibus e pedestres, isso as três da tarde de uma quarta-feira.
  Alguns carros estavam completamente destruídos, dificultando ainda mais a locomoção, deixando assim muitos outros sem opção para onde fugir.
  Daniel passou correndo pelo vão-livre e entrou no prédio, como tinha completa autoridade, mandou que todos saíssem o mais rápido possivel, sabia exatamente o que estava fazendo.
  Movendo-se rápido e sem parar, foi até  o centro do museu onde havia uma caixa antiga de madeira, de dentro da caixa arrancou um medalhão de ouro, todos os Gárgulas caíram no chão, restando somente grandes Mármores quebrados em centenas de pedaços.



Daniel guardou o medalhão no bolso e com muita calma levou a caixa antiga para fora do Museu, colocou álcool, disse algumas palavras em Francês e ateou fogo.
   
  Patricia Medina, uma garota que estava ali perto, filmou tudo afim de fazer mais um artigo em seu site. Não era a primeira vez que filmava algo e alertava as pessoas de como agir em casos estranhos e sobrenaturais.

  Daniel sorriu para ela, ele sabia o quanto Patricia ajudava indiretamente em seu trabalho, e claro muitas outras pessoas sobre o perigo do sobrenatural, mesmo que muitas ainda não acreditassem.
  Ele se aproximou e iniciou uma conversa.
 - Gostaria de ganhar um medalhão?
Tirando o objeto do bolso e estendendo a mão, entregou o medalhão para ela.
- O que é isso? - indagou Patricia.
- Foi parte do que fez os Gárgulas ganharem vida e causassem toda essa destruição - Falou Daniel.
 - Ele ainda é Perigoso? perguntou preocupada.
 - Em parte sim, usado de forma errada, mas agora é algo inofensivo, a caixa de madeira continha alguns manuscritos que faziam os gárgulas aparecerem e os controlavam. Como queimei a caixa e os manuscritos o medalhão é agora, apenas uma moeda que não trás perigo mas, em mãos erradas como o governo, pode trazer problemas como algum tipo de arma secreta. Não é algo que queremos não é? Já com você estará segura e inutil como qualquer outro talismã, sem os pergaminhos não há risco. Isso será bom para seu Blog, mais informação e mais histórias.
  - Colocarei uma matéria ainda hoje no ar, serei discreta como sempre, sei que não gosta de aparecer na mídia. Já sobre o medalhão, deixarei essa informação só para nós, ninguém sabe dele mesmo. - Falou Patricia com um leve Sorriso no rosto.
  - Ninguém precisa saber sobre o que faço ou quem sou, muito alarde, fantasmas? coisas estranhas? isso pode trazer pânico, e por pior que a situação esteja, pode piorar com muita agitação, por isso informações extremamente importantes divido com meus escolhidos em um canal direto.

Patricia ficou feliz em saber que ela é uma pessoa confiavel.

Daniel pede que ela vá embora logo, ele não gosta de estar junto de seus escolhidos, alguém ou alguma coisa pode estar vigiando seus passos.
  Patricia parte em seu carro. Vinte minutos depois dois carros pretos a fecham na rua, deles, saem alguns homem armados e ignorantemente altos...
  Eles estavam sendo vigiados desde o começo.

  Daniel chega em seu apartamento louco para descansar, seu dia foi cheio e estressante. Ao abrir a porta de seu quarto vê um Gárgula comendo seus travesseiros.
  - Como é possível? Queimei a caixa e os manuscritos...
  Lembrando que entregou o medalhão a Patricia, ele teve receio que ela estava em perigo.
  Quando a criatura viu Daniel, precipitou-se rapidamente em um bote para atacá-lo.
  Pegando o primeiro objeto em sua frente, abriu um pequeno guarda-chuva preto para se proteger.
 Sério? um guarda-chuvas - Pensou Daniel.


O monstro pareceu confuso, parecia ser algo perigoso aquele globo preto. Dessa forma o Gargula parou e recuou ate perto da janela.
  Daniel ainda segurando o temido guarda-chuva preto correu para perto da janela onde arrancou um pedaço de corda da cortina, baixou sua proteção e esperou a criatura ataca-lo novamente.

Quando a criatura foi em sua direção Daniel conseguiu laçar suas azas e pescoço em um movimento brusco e rápido, com as mãos segurando firme a corda, começou a girar jogando a criatura em direção a janela que quebrou facilmente, deixando o Gargula pendurado em direção a calçada.
Daniel morava no quinto andar, sera alto suficiente para matar a criatura.
O Gargula era forte e começou a puxar Daniel para junto dele, em direção a rua.
Segurando firme Daniel fez um movimento contrário. Esperto e arriscado afrouxou a força na corda e pulou em cima da criatura, fazendo com que ambos fossem em direção ao chão.
  O impacto foi forte o bastante para partir a criatura em um pó cinza escuro. Esse morreu de forma diferente das outras. Estrando pensou Daniel.
A Criatura não sobreviveu.
  Com o corpo todo coberto de pó cinza e sem nenhum arranhão, Daniel voltou a Pensar em Patricia. Pegou o telefone e ligou para ela, das oito tentativas Patricia não atendeu nenhuma.
  Não tinha como avisa-la que estava em perigo.
  Sabia que tinha queimado os manuscritos e aquela caixa que por sua experiencia eram originais, não havia outra forma de invocar os Gargulas, ou teria?

 Onde estava Patricia?
O que logo Daniel descobriria era que o medalhão havia sido roubado e Patricia desaparecida.
  
 Quem estaria por trás disso?

Adriano Siqueira
Wellington Purcino.



sábado, 22 de dezembro de 2018

A Freira e o Vampiro - História de Adriano Siqueira




A Freira e o Vampiro
Por Adriano Siqueira



A igreja estava toda iluminada. Em cada ponta havia velas enormes que a deixava em destaque por toda a floresta e na cidade. Tinha uma boa vantagem da igreja ser construída em um penhasco. Ela se destacava e a sua iluminação traria mais povos de outros lugares. Esses estrangeiros viriam de muitos lugares para conhecer a linda cidade.

Livia era uma freira encantadora. Sempre atenciosa com os cidadãos e principalmente as crianças que a acompanhavam em muitos lugares da cidade.

Todos os sábados as crianças acompanhavam a freira para um passeio na floresta. Embora fosse uma floresta calma e tranquila. Livia nunca levava as crianças para muito longe. Os lugares que costumavam ir já havia cadeiras e mesas para fazerem uma verdadeira festa ao lado de muita comida e sucos.

Em um dos sábados a Livia estava com as crianças e percebeu a falta da Amanda, que sempre gostava de arriscar um passeio mais ousado. Mas a Livia já conhecia o seu jeito rebelde e ela já até sabia onde Amanda iria. No lago.

Era tarde da noite. Todos estavam se arrumando para irem para casa quando a Livia disse que voltaria logo, assim que fosse buscar Amanda. Ela tinha apenas 10 anos e gostava mesmo de ser uma pessoa com decisões fortes. Livia imaginava que os pais teriam que compreendê-la pois será uma garota que quer conhecer o mundo muito cedo.

Quando ela chegou o lago. Ouviu um grito. Livia preocupada gritou chamando seu nome.
Amanda disse que estava perto. Para Livia ir correndo.

Amanda estava no chão sentada olhando para baixo.

Livia se aproximou e vu que se tratava de um pequeno morcego atingido por uma flecha. Livia disse para que Amanda não tocasse em nada;

Afastou a Amanda e colocou luvas, segurou o morcego e arrancou a flecha, jogando ao mar.
Livia pegou alguns panos e uma pomada. Colocou o morcego em um lugar seguro dos abutres e deixou lá. Ela disse para a Amanda que o morcego logo estaria bem e seguro. Levou a Amanda para seus amigos e eles partiram para a sua casa.

Em um outro sábado. Livia estava com as crianças e ela queria mostrar o lado onde Amanda estava. Todos foram juntos com a Livia para o lago e lá passaram a tarde brincando.
Um garoto disse para a Livia que ouviu um rosnado.

Livia ficou atenta. A floresta era perigosa, mas nunca teve notícias sobre lobos naquela área. Mas ela não podia arriscar. Chamou todas as crianças para se arrumarem para partir. Foi quando algo assustador aconteceu.

Um lobo feroz e sedento estava bem a sua frente. Logo em seguida apareceram mais oito lobos. Todos olhavam atentos às crianças.
Livia se pôs a frente e tentou acalma-las.

Quando o primeiro lobo deu um passo a frente. Um homem apareceu. Ele olhou para os lobos. Seus olhos pareciam ter luz própria. Os lobos abaixaram a cabeça e correram em direção a floresta fechada. Longe da população.

Livia fica impressionada com o acontecido. O homem olha para ela e as crianças. Ela era um homem desconhecido por todos. Cabelos curtos e pretos, seu corpo media quase dois metros, era forte e seu corpo era pálido, bem diferente do povo da região que estava acostumados a sempre estarem com as peles bronzeadas. Ele tinha uma barba bem cuidada e o seu traje era da mais cara nobreza. O homem sorri e retira do bolso um pequena flecha que enfia em uma árvore. e ao passar por ela, ele desaparece.

As crianças passaram a circular a árvore a procura daquele homem, mas ele havia mesmo sumido. Algumas acharam que ela era um mágico e ficaram dizendo que ele não tirava os olhos da Livia. Ela ficou sem jeito. Ele era mesmo um homem encantador. Pegou a flecha da árvore e lembrou como se parecia com a flecha que arrancou do morcego e jogou no mar. Ficou pensando se ele havia machucado o morcego ou se... Bem as crianças eram prioridades. Ela tinha que levá-los para casa. Rezou para que os seus pais continuassem a deixar as crianças passearem com a Livia. Afinal os lobos não são vistos por lá já fazia um bom tempo.

Naquela noite Livia teve os mais estranhos sonhos. Aquele homem estava nele. Sonhou com eles passeando pela floresta de mãos dadas como um casal apaixonado. Eles se beijaram perto do lago e tiraram suas roupas e foram nadar. A água do lado era estranha. Era uma nevoa, não era água mas seus movimentos eram parecidos com os movimentos do lago. Ela sentia o seu corpo flutuando pela densa camada de névoa. Era uma sensação confortante e deliciosa. Se sentia no céu. O homem disse o nome dele. Era Ravi Balan. Ele era um homem que perdeu sua vida em busca de poderes, foi amaldiçoado e condenado a caminhar pelo mundo.

A freira toco em seu rosto. Ele era um homem triste mas quando olhava para ela o sorriso aparecia. Era um homem lindo. Suas mãos e a pele muito macia. Parecia ser muito frágil. Embora suas palavras eram ditas com força e vontade. Vontade de desejar, de querer, de dominar.

Em seu sonho livia sentia Ravi por completo. Os seus abraços e beijos eram poderosos e cheios de desejo. Os dois estavam nus e flutuando em um mar de névoa.

De repente Ravi olha para o céu, coloca as mãos a frente dos seus olhos para se proteger do Sol e em suas costas, grandes asas de morcego aparecem.  Ele grita e desaparece.

Livia acorda assustada. Corre para abrir as janelas e descobre que já era dia. Vai até a sua escrivaninha e vê a flecha que pegou no da anterior. Abre a gaveta e a esconde.

Ela veste seu hábito e caminha pela igreja até chegar no quarto onde os padres e freiras passam os seus dias de penitência. Ela tranca a porta e pega um chicote. Tira as suas roupas, se ajoelha e começa uma longa sessão de rezas e chibatadas em suas costas. Ela estava determinada a arrancar os pecados e os desejos do seu corpo e da sua mente. Seria um longo dia.

Quando chegou no sábado ela não quis sair com as crianças. O padre, preocupado, foi a sua procura. Livia estava sentada na praça da igreja. Estava muito abatida. Seus olhos tristes. Sem nenhum sorriso no rosto como costumavam ver. Ela sempre foi um exemplo de alegria e felicidade e agora parece que seu coração estava esmagado. O padre se sentou ao seu lado. Livia segurou a mão do padre e logo em seguida se ajoelhou diante dele e beijo a sua mão. Olhou para os seus olhos e disse com todas as forças que ela pode: "Padre, eu pequei!"

O padre passou a mão no rosto da Livia. Limpou suas lágrimas. Livia tinha apenas 23 anos. Era comum ter pensamentos pecaminosos. O mundo facilitava muito para que estes desejos a dominassem. Ele sabia que era difícil, mas também sabia que ela era forte e que conseguiria ser a pessoa que era antes. Ele acreditava em sua plena recuperação.

O padre a abraçou e antes que pudesse dizer algo eles escutam alguém bater na porta da igreja. A força das batidas eram ecoadas por toda a igreja. Eram batidas fortes e determinadas.

O padre e a Livia foram ver quem havia batido. E era ele. Livia tremia e seu coração acelerava ao ouvir o homem gritando que precisava ver a Freira Livia.

O padre o convidou para entrar. O homem sorri e caminha para dentro da igreja. Vai até a Livia, mas ela recua. Ravi persiste e caminha com mais determinação e segura os braços da freira e olhando para os seus olhos ela avisa. "Você corre perigo aqui."

Livia e o padre ficaram surpresos com as palavras de Ravi. Livia era uma boa pessoa. Adorada pelo povo. Ninguém iria lhe fazer mal nenhum.

Ela se defende dizendo ao padre que aquele homem os salvou de uma matilha de lobos e que deveríamos agradecer, mas Ravi interfere e comenta. "Você sabe que nos conhecemos bem mais do que isso Livia." E ele pega a mão da Livia e a beija, novamente olhando para os seus olhos complementa: "Somos eternamente ligados."

Livia solta as mãos do Ravi e vai até o padre e implora para que aquele homem deixe a igreja e siga o seu caminho.

O padre fica intrigado. O que havia naquele homem para que Livia o tratasse de uma forma como se tivesse medo dele. Como se ele fosse um homem muito perigoso. Em respeito aos temores da Livia o padre pede para que o homem deixe o local e os deixe em paz.

Ravi fica irritado. Começa a caminhar de um lado para o outro. Coloca as mãos na cabeça e anda preocupado. Ele então toma uma decisão e anuncia: "Sairei da sua igreja, mas ficarei na redondeza vigiando este local pois sei que ela está em grande perigo e que logo eles irão caça-la e exterminá-la."

Ravi se retira do local e os deixa pensando no que ele disse.

O padre pergunta se eles já se viram depois do que aconteceu na floresta e ela diz que está sonhando com ele todas as noites. E os sonhos são cheios de pecado e desejos insanos. Ela tem rezado muito para os sonhos terem fim. Mas tudo reaparece na noite seguinte. Ela tem medo de dormir agora. Fazia dois dias que ela não dormia com medo do sonho voltar.

O padre a avisa que ele pode ser um demônio astuto e voraz e que veio para acabar com a alegria e felicidade da cidade e dos cidadãos. Mas pede para que a Livia não desista. Que ela continue o seu passeio com as crianças. Elas precisam da sua atenção ou ficaram tristes também. E a tristeza se combate com a alegria, se combate fazendo boas coisas aos outros. É esse sentimento que deve expandir e crescer.

Livia sorri e concorda. As crianças não são culpadas por sua tristeza. Elas não devem pagar por isso.
E Livia sai com as crianças naquele sábado e ela conversa sobre as dificuldades da vida e que todas as fases são apenas fases que nunca duram para sempre. Amanda diz para Livia que quando crescer quer ser uma freira como ela. Livia diz que ser uma freira é estar disponível 24 horas para Deus. E que quando tiver 18 anos ela pode ser uma freira.

Tudo correu bem. Livia leva as crianças para casa e depois segue o seu caminho para a igreja.
Ao chegar Livia observa três homens falando com o padre. Ela se aproxima para conhecê-los e o padre a apresenta aos homens.

Um deles fala com ela sobre um homem que eles estão procurando e mostra a foto de Ravi. Diz que ele é perigoso e que já matou muitas pessoas. Diz também que é um ser demoníaco e que deve ser retirado de lá para que seja punido e sacrificado.

Livia olha para o padre. Ela sabe que o padre não diria nada e diz para o homem que não o viu e que se ele aparecesse ela avisaria.

Eles falaram que estariam em um hotel naquela semana. Pois estavam procurando a criatura e que não seria seguro sair de noite pois o assassino que eles procuravam atacava mais nas horas noturnas. Depois do aviso. Os três homens saem da igreja.

 Naquela noite Livia tinha ido dormir. Ravi agora era passado. Ela estava certa que ele não apareceria novamente para atormentá-la. Mas não foi isso que aconteceu.

No sonho da Livia os três homens lutaram com Ravi. E ele venceu todos. Depois pegou cada corpo e sugou seu sangue. Ravi estava sedento e se alimentou do sangue de todos os homens. Quando Ravi sentiu a presença de Livia. Ele olhou para ela. E sorriu.

Livia acordou assustada novamente e lavou o rosto por vários minutos. Os gritos dos homens ecoavam em sua mente. A insanidade estava tomando conta dela. Se ela contasse ao padre ela teria problemas. O padre poderia afastá-la do seu cargo na igreja e teria que ficar internada para se curar de sua loucura. Foi quando ouviu um barulho na janela.

Livia olhou atentamente. A janela estava tremendo. O barulho começou a aumentar e os vidros começaram a rachar até que se quebraram e logo em seguida os pedaços de vidros e madeiras começaram a cair no chão. A janela foi destruída com rapidez. Ela continuava a olhar e, uma sombra tomou a janela por completo e nela um morcego saiu das sombras e voou pelo quarto. Deu três voltas e pousou perto da janela. Aos poucos o morcego tomou a forma de um homem. Era Ravi. Sorrindo.
Ele olhou para Livia e disse que os homens que a visitaram nesta tarde já não existem mais. E que ele estava lá para levá-la para um lugar seguro e que ficaria com ele o resto de suas vidas.
Livia não aceitou a sua oferta e o repudiou. "Não vou com você! Meu lugar é aqui!"

Ravi ameaça a destruir toda a igreja se ela não fosse com ele. Livia pega a sua cruz e mostra para o ele. "Em nome de Deus! Vá embora!"

Ravi por um momento se protege da cruz. No entanto ele abaixa os braços e sorri. "Você está em dúvida com a sua fé! A cruz não pode te salvar mais!"

Ele faz um gesto com as mãos e a cruz é arrancada das mãos de Livia e lançada pela Janela.
Ravi olha para Livia e ela cai de joelhos chorando e clamando. "Deus! Me salve dessa insanidade! Me salve dessa loucura que me possui!"

A porta se abre e o padre com uma cruz e uma bíblia em suas mãos enfrenta o vampiro. "Volte para o seu mundo criatura bestial." "Eu ordeno que saia desta igreja!" Deus ordena que saia deste lugar para sempre!"

Ravi se afasta de Livia e se protege com os braços, Ele salta a janela e antes de cair se transforma em um morcego novamente. O padre abraça Livia e a leva para um quarto de hospedes e lá ela reza agradecendo a Deus por tê-la Salvo.

Na manhã seguinte o padre descobre que os três homens que o haviam procurado no dia anterior estavam mortos e sem nenhuma gota de sangue no corpo. O padre vai até o quarto onde Livia deveria estar, mas não a encontra. Preocupado, o padre entra em contato com todos os superiores e conta a sua história e pede para que eles o ajudem e como resposta os seus superiores enviariam uma mulher.

O padre já sabia quem eles enviariam. Começa a procurar a Livia pela cidade. Todos estavam preocupados. As crianças choravam e queriam que a Livia aparecesse. Alguns homens a procuraram na floresta ao redor da igreja, mas nada encontraram.

No final daquela tarde o padre recebe a visita de uma mulher. O seu nome era Késsia Montenegro e era uma pesquisadora e investigadora sobre casos estranhos que acontecem nas igrejas.  Ela era também a irmã dele. A irmã que sempre ia contra os métodos legais da igreja. Destruiu muitas criaturas usando métodos que a igreja jamais aprovaria.
Depois de uma longa conversa e averiguações pelo local. Késsia avisa seu irmão que o monstro era um Morto-vivo, um vrykolakas ou um strigoi e que todas as janelas deveriam estar fechadas, mesmo as mais altas e que nelas tenham réstia de alho. Não convidar ninguém estranho para entrar e que todos devem andar com cruzes e água benta.
O padre anota todas as solicitações e pergunta se ela conseguirá localizar a Livia.
Como reposta Késsia explica: "Você sempre foi o irmão certinho. Tudo tinha que ser construído de forma correta. Eu não sou assim Norman. Não aprecio chamá-lo de padre. Agora tem que seguir as minhas regras para ter a Lívia de volta. Esse monstro é perigoso. Se trata de um ser desprovido de paixão. Sua alma é sombria e a sua sede de sangue é eterna. Não acredito que ela ainda esteja viva. Não existe esperança quando alguém encontra tal criatura. Seus desejos por sangue estão acima de qualquer lei. Acima de qualquer um. Acima de você Norman. A criatura não vai querer saber de seguir os seus métodos corretos que você criou para essa igreja. Ele vai destruir e se alimentar de todos se não seguir minhas ordens."
Com isso o padre abaixa a cabeça e implora para encontrá-la e explica: "As crianças viram a Livia pegar uma flecha. Livia deve ter deixado no quarto dela."
Késsia vai com o padre para o quarto de Livia e eles acham a fecha guardada em uma das gavetas. Késsia coloca as suas luvas e coloca a flecha em uma sacola. Depois ela segura as mãos do padre e diz que fará o possível para achá-la, mas precisava de um lugar para analisar a flecha e assim poder encontrar pistas para localizá-los. O padre concorda e leva a Késsia para um lugar silencioso e isolado.

Livia abre os olhos e vê que estava deitada em um chão umido. Olha para cima e vê que estava em uma caverna fria e muito estreita. Apenas um pequeno raio de luz aparecia, mas era muito alto para tentar escalar e fugir. Ela ecuta um barulho e olha para ver o que era. Lobos. Eram lobos raivosos. Os olhos vermelhos mostravam que eles estavam vindo bem devagar em sua direção. Livia recuou até encostar na parede. Ela não tinha como escapar. Seria devorada. O primeiro lobo saltou para atacá-la e ela acordou.

Era um sonho. Livia acorda em uma cama macia. Rezava para que isso também não fosse um sonho. O quarto onde estava era pequeno. Cabia apenas poucos móveis. Um guarda-roupa, a cama e uma penteadeira.

Embora pequeno. o quarto era  aconchegante. a cor das paredes bem pintadas tinham a tonalidade de azul bem claro. Um candelabro acesso no teto. Deixava o quarto bem iluminado. Ela não sabia onde estava. Alguém bate na porta e pergunta se pode entrar. Ela fica calada pois reconhece que a voz é de Ravi.

Mesmo assim a porta se abre. Ravi enra segurando uma bandeja com algumas frutas e sucos.  Sorrindo ele coloca a bandeja na cama e senta ao lado de Livia e tenta e justificar.

"Sinto por ter te raptado. A igreja era um alvo fácil para os inimigos." "Tenho muitos" "Eles sabem que você é importante para mim."Farão de tudo para usá-la como isca."

Livia não diz nada. Apenas pega a bandeja e começa a comer. Enquanto isso Ravi continua a falar.
"Já fui alguém importante. Um guerreiro sanguinário. Mas com o passar dos anos eu queria mais poder e foi então que um mago de outras terras me ofereceu uma garrafa de sangue e avisou que nela tinha o sangue real. O sangue do primeiro homem da terra. E disse que se eu bebesse daquele sangue eu teria todos os conhecimentos dos homens que nasceram até hoje. Fui um tolo. Minha sede pelo poder e o medo de envelhecer me fizeram esquecer de ponderar e de pensar. Naquele instante eu só pensava em ter mais poderes e mais força para dominar meus inimigos. Eu bebi. Não um gole. Toda a garrafa. Minha vida estava tão deplorável que nem passou pela cabeça que o mago poderia estar blefando e que poderia haver apenas veneno. Mas o que aconteceu naquele instante foi aterrador. Muitas e muitas imagens se formaram em minha cabeça. Imagens de guerra, pessoas gritando e morrendo. Famílias me abraçando. Rostos de pessoas conhecidas e desconhecidas. Eu vi todas as catástrofes que a terra teve. Senti em minha mente cada toque de destruição e... morte!"

Livia estava comendo e ouvindo cada detalhe da conversa. Pensava que seria a próxima a morrer e que essa seria a sua última refeição, mas Ravi continuava a falar.

"Eu fugi. Corri para ver se aqueles pensamentos iriam parar de entrar em minha cabeça. Era muita informação. Eu iria ficar louco. Na corrida eu cai ribanceira abaixo. Fiquei rolando no chou por mais de 800 metros. Estava ferido. Minhas pernas estavam quebradas e tinha muitos ferimentos aberto. Eu tinha certeza que iria morrer."

Livia esperava e tentava arrumar uma maneira de sair de lá. Ela precisava fugir daquele homem insano. Mesmo assim continuou a ouvir o que Ravi dizia.

"Lembro de alguns lobos me arrastando para dentro da floresta. Não me lembro quanto tempo fiquei ali na mata fechada. Talvez horas, talvez dias. Quando se está para morrer tudo parece estar devagar e você só pensa no passado."

Ravi segura a mão de Livia.
"Eu sobrevivi. Minhas feridas e as pernas foram curadas de alguma maneira e com o passar do tempo notei que eu poderia correr mais rápido que os lobos e eu caçava para eles. Assim podíamos dividir a comida. Quando vi que estava em melhor condição eu pude sair da floresta."

"Tentei voltar para minha antiga moradia, mas não existia mais nada lá. As pessoas nem me conheciam mais. Tudo que eu tinha foi destruído e esquecido. Todos me olhavam com medo. Eu estava com as roupas destruídas e com uma barba muito grande. Eu precisava de lugar para me trocar e voltar a ter uma imagem mais civilizada. Eu fui em um bar e falei com o dono para trocar serviços por roupas e comida. Lipei o chão, lavei as louças, limpei a janela e o dono do bar me deu roupas e uma navalha para cortar a barba. Fui até o banheiro e depois que voltei, me alimentei. Comi um grande prato de comida, mas logo o meu sorriso de satisfação se tornou algo desesperador. A comida não descia pela garganta. Eu estava sufocando. Arrastei-me e joguei a comida fora. Eu estava com fome. Mas não era da comida. Lembrei que eu tomava o sangue dos animais que ajudava a caçar para os lobos. Era só isso que me alimentava. Sangue. O homem do bar tentou me ajudar, mas eu o afastei e fui embora. Quando andei pelas ruas mais bem arrumado uma mulher me perguntou se eu queria prazer. Eu só pensava em me alimentar. Me levou para um hotel. Ela sorria muito. Eu só a via como comida. E foi o que ela se tornou naquela noite. Tomei todo o seu sangue. Cada gota. E ela não foi a última vítima. Desde então eu passo as noites procurando alimento. O Sangue."

 Livia sorri e tenta acariciar o rosto de Ravi. Ele pega a sua mão e a beija dizendo:
"Você é uma mulher maravilhosa. Será minha pela eternidade. Juntos vamos ter o nosso espaço merecido neste mundo e vamos aproveitar cada dia, cada noite."

Ravi segura os ombros de Livia. E se prepara para mordê-la quando finalmente ela lhe diz:
"Eu quero ficar com você, mas não como você está. Quero continuar sendo a humana que sou. Sei que você é frágil quando o Sol está no alto. Posso proteger o seu sono até a chegada da noite. E assim você pode me proteger nas horas escuras."

Ravi pensa por uns instantes e responde:
"Eu não preciso realmente te transformar no que sou tão imediatamente. Podemos adiar sim. Ficaremos aqui por muito tempo. E aceito sua proposta."

Eles sorriem e se abraçam.
A caçadora késsia aparece e lança com a sua besta, a flecha encontrada no quarto da Lívia. Ravi foi agil, ele pegou o objeto no ar e olhou e sorriu para a caçadora. "Acha que não percebi a sua chegada caçadora? Eu sou muito poderoso e vou... Argh..."
Ravi sente muita dor na sua mão que estava segurando a flecha. Ele a joga longe, mas a sua mão havia pegado fogo. Começou a gritar. Késsia responde: "A flecha estava preparada para você. Eu passei água benta com alho. Certamente iria causar muita dor e eu contava com isso."
A caçadora foge do local e Ravi vai ao seu encalço. Quando ele passa pela porta uma rede feita de espinhos cai por cima dele. Os espinhos ferem todo o seu corpo e começa a soltar fumaça. Késsia sorri. "Os espinhos também estão com água benta e alho. Você vai morrer Ravi. Já matou muita gente."
Lívia segura os braços da Késsia e suplica: "Por favor! Não o mate! Ele também é filho de Deus."
Kessia olha para a Lívia e responde de maneira sarcástica: "Não me venha com sua conversa ingênua, puritana. Saia daqui, tem um cavalo a sua espera e ele a levará para a sua igreja. Esse vampiro vale muito e eu pretendo me aposentar depois dessa caçada. Vocês que trabalham na igreja são muito piedosos e por causa disso, criaturas como ele matam sem perdão."     

Ravi sofre em desespero. Levanta a sua mão pedindo ajuda para Lívia, mas ela é empurrada pela caçadora que pula na rede e usando uma estaca ataca e enfia diretamente no coração de Ravi.
Lívia senta no chão e começa a chorar. Eles tentam se tocar, mas Késsia chuta a mão de Ravi e explica: "Quantas famílias sofreram pelas mortes que causou vampiro? Quantos humanos perderam a vida por sua causa? Quantos ainda perderiam se ficasse vivo?"
Késsia olhou para a Lívia e conclui: "Você seria a próxima vítima dele. Você seria mais um brinquedo na mão deste vampiro. Agora volte para a sua igreja e conte para todos o que aconteceu. Quem sabe eles deixarão de ver essas criaturas com compaixão e comecem a fazer o que deve ser feito."

Ravi se debateu e gritou por algum tempo até que finamente, seu corpo foi queimado e destruído.

Késsia vê o que restou de Ravi e sorri. "Está feito. Finalmente o vampiro não vai mais matar ninguém." Ela se vira e vai para a saída daquela casa. Enquanto isso a Lívia olha para a poeira que restou do Ravi ela toca na poeira e por baixo dela havia um pouco do sangue do vampiro. Livia pega o sangue com as mãos e passa por seu rosto e bebe. Seu corpo começa a tremer. Ela entra em um estado de convulsão e cai no chão desmaiada.

Késsia fica a espera da Lívia do lado de fora junto com o outro cavalo que trouxe para levá-la; De repente os dois cavalos começam a pular desesperados. Késsia tenta acalmar os seus cavalos, mas é inútil. O cavalo onde ela estava montada, salta em desespero e faz com que a Késsia seja derrubada. Os cavalos fogem do local. Ela se pergunta o que aconteceu. Afinal acabara de destruir o vampiro. Késsia, ainda no chão olha para a porta da casa e vê a freira lívia. Coberta de sangue e com os olhos do próprio demônio.
Kessia fica em pânico. Os cavalos levaram as suas armas. A freira agora era uma vampira e estava faminta. Késsia era a unica fonte de alimentação para a freira. "Lívia! Não faça isso. Se você não sugar o sangue de ninguém ainda existirá uma cura. Não jogue todos os ensinamentos da igreja fora. Resista! Lute! Não deixe essa doença te exterminar!"
Mas já era tarde. Lívia segura o pescoço da Késsia e a levanta com facilidade. Ela sorri e responde.
"Quem disse que quero me curar? Essa doença vai mandar você para o inferno!"
Lívia mostra os seus caninos pontiagudos para Késsia e ela morde o seu pescoço. Suga todo o seu sangue e arranca a cabeça dela e depois joga para longe da casa.
Livia limpa a sua boca que estava coberta de sangue e se afasta sorrindo.

Depois de muito tempo quando as crianças estavam no lago brincando junto com uma nova freira chamada Helena. Elas contavam histórias sobre a sua antiga amiga a Freira Lívia. Quando a Amanda, que era a criança mais atenta que todas, viu a Freira Lívia escondida nas árvores. Ela foi ao seu encontro e se abraçaram. A Freira Lívia disse em voz baixa: "Eu estou bem. Só que agora faço parte de outro mundo. Mas sempre estarei aqui para protegê-la quando precisar. É só me chamar."
Lívia afasta a Amanda e se transforma em um morcego e vai em direção a mata fechada.
Amanda volta para feliz para contar para os seus amigos.

E a história é contada até hoje.

Escrito por

Adriano Siqueira

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Viver para contar a história. - Contos de Vampiros




Viver para contar a história


Desde o início da humanidade e das criaturas sobrenaturais, um certo grupo era escolhido para decidir e organizar uma cidade. Estes pequenos grupos elegiam os guardiões para serem responsáveis para cuidar de uma cidade, um vilarejo e até mesmo um castelo.

Os guardiões eram responsáveis para manter a ordem e manter certas máquinas funcionando para o bem do local.

O castelo de que vou falar. Era povoado por vampiros.
Eles tinham o seu grupo que se reunia para eleger um guardião que pudesse dar segurança para todo o castelo. O vampiro Darfiglio foi escolhido para fechar todas as janelas do castelo após todos os vampiros chegarem da sua noite de caça. Isso evitaria que os raios do Sol entrassem no castelo, dando substancial segurança para os vampiros que iriam dormir durante o dia.

Uma noite o vampiro Darfiglio foi atacado por um caçador de vampiros enquanto todos tinham saido para caçar.
O caçador destruiu Darfiglio enfiando uma estaca em seu coração.

Os vampiros começaram a chegar e foram descansar em seus devidos quartos. Não se perguntaram e nem notaram que o vampiro Darfiglio não estava no local.

Por causa deste pequeno descuido. O Sol começou a aparecer. e todos os vampiros que estavam descansando em seu quarto, foram queimados pelos raios do Sol.

Houve muita gritaria, fogo e fumaça. Alguns gritavam por ajuda, outros chamavam Darfiglio. Mas nada adiantou. Em pouco tempo não existiam mais vampiros naquele castelo.

Todos os vampiros foram destruídos. O castelo ficou em ruínas.

Até hoje os vampiros contam esta história para os seus irmãos e acrescentam que devem ficar atentos e que todos devem cuidar um dos outros.

Deixar só um indivíduo cuidar de algo muito importante e se isentar da culpa por não verificar, por não ser responsabilidade sua, pode condenar a todos e levar um mundo a extinção.



Se algo saiu do cotidiano, Pergunte, Questione, Fique atento e de olhos abertos. Isso pode salvar muitas vidas. Todos somos responsáveis pelos que estão em nossa volta. Assim cuidamos devidamente do nosso mundo.


Abraços
Adriano Siqueira






   

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Aleluia - Contos de Vampiros - Adriano Siqueira




- Aleluia -


Fui a uma igreja que estava exorcizando demônios — eu achava que talvez minha maldição pudesse ser quebrada.
Queria apenas me livrar do mal de ser vampiro.
Quando cheguei àquela igreja, nada ali me assustava... Eles não usavam cruzes e nenhum artefato religioso! Mas fiquei um pouco tonto com as palavras daquele homem segurando uma bíblia e, rapidamente, fui levado para frente em um grande altar.
Tremia muito... E estava pensando se era certo fazer aquilo, se eu não estaria enganando a mim mesmo...
Um homem colocou a mão na cabeça de uma garota que estava gritando ao meu lado. Tinha mais dois homens que a seguravam. Ela dizia coisas que eu não entendia... Palavras estranhas para uma garota tão bonita! Ela olhou para mim e começou a rir, e me disse com uma voz que parecia ser de várias pessoas juntas:

— Esses homens não podem fazer nada por você! Leve—me daqui e eu te ajudarei!

Os homens que estavam segurando—a agarraram seus cabelos e a colocaram no chão. Ela olhou para mim de novo:

— Você não quer ser salvo?

Olhei para os homens que estavam atrás de mim e sorri.
Com um olhar meu, eles começaram a brigar entre si. Começou um tumulto.
Agarrei a garota e saí voando por cima deles.
Levei—a para um beco escuro, mas ainda podia ver sua beleza.
Ela acordou assustada:

— O que estou fazendo aqui?

Sua voz agora era macia... Seja lá quem a estava possuindo, já tinha partido...
Olhei para ela e disse:

— Você deve se esquecer desta noite. Pois é exatamente o que devo fazer também.


Autor: Adriano Siqueira

terça-feira, 15 de novembro de 2016

A Conquista do Vampiro - Contos de Vampiros - Adriano Siqueira





- A Conquista do Vampiro -
Autor Adriano Siqueira


Vejo você, sentada, quieta e raramente olha para os lados.
Está em seu mundo.
Completamente do jeito que gosto.
Aproximo aos poucos.
Sou discreto.
Peço um favor. Nada demais. Digo algo apenas para ter a sua atenção.
Geralmente sou atendido e você já está olhando em meus olhos.
Falo por eles, mas você jura que estou falando com a boca.
Você ouve tudo que quer ouvir... O assunto é sempre você, neste momento, só você importa.
Você mostra as partes do livro da sua vida que interessam, mas na verdade, estou te lendo completamente.
Diz os seus desejos, eu mostro que sou um deles e que também sou o portal do mundo que realmente quer. Irresistível, sedutor, amigo, companheiro.
Finalmente você me abraça e me leva.
Faço você acreditar nisso.
Adoro fazer pensar que está no poder, que tem tudo em suas mãos.
Adoro quando você diz que me quer para sempre. Mesmo sabendo que o para sempre termina de manhã.
Pode ter certeza de uma coisa...
Nunca vou te esquecer.



Autor Adriano Siqueira

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Balada Noturna - Contos de Vampiros - por Adriano Siqueira




Balada Noturna
por Adriano Siqueira


Márcia era uma vampira odiável, as suas duas amigas vampiras a temiam. Geralmente elas se metiam em encrenca por sua causa. Mas esta noite, ela prometeu que iria se comportar. Ficaram quase uma hora dentro de uma casa noturna sem ter nenhum problema. Até que ela começou a achar que tudo estava um tédio. Márcia começou a ficar inquieta. Isso era sinal de que ela estava procurando barulho. Ela não queria perder a amizade das suas amigas ela só queria se divertir um pouco.
— Meninas. Me esperem lá fora. Vou pedir mais uma bebida e iremos para outro lugar mais agitado. Não fiquem preocupadas!
Márcia foi até o bar que ficava ao lado da pista de dança. Olhou para as pessoas que estavam encostadas, até o garçom perguntar o que ela iria beber.
— Uma vodca, sem gelo.
O garçom se abaixou para pegar a garrafa de vodca, quando escutou o barulho dos socos, e das cadeiras e garrafas sendo atiradas no balcão. Ele ficou abaixado tentando entender o que acontecia. Mas ele só conseguiu ouvir:
— Vamos matar a maldita!
Quando se levantou, tinha muita gente machucada e alguns mortos... mas a mulher que estava no balcão olhava como se nada tivesse acontecido.
— Qual é garçom? Cadê minha vodca?
— Márcia. Tá na hora!
— Ela segurou o garçom pelo colarinho e o levantou um metro do chão.
— Quero a minha vodca agora!
Ele suou muito quando viu mais duas mulheres discutindo com a Márcia.
—Você prometeu Márcia! Já chega! Acabou!
—Quem são vocês para mandar em mim! Ou vocês são minhas amigas ou não são nada!
Márcia solta o garçom, que cai, sua camisa absorve o sangue do chão. Ele ainda escutou ela falar.
—Ah, meninas. Eu estava só brincando. Somos amigas!
Márcia abraçou as duas e finalmente, elas saem do local.

Mais tarde o Sangerto Henrique estava colhendo o depoimento do garçom.
... E essas foram as suas últimas palavras.
— Tudo bem! Pode ir para casa.
O sargento Henrique anotou o seu depoimento e seguiu para casa. Foi uma longa noite. Ele estava cansado. Quando chegou em sua casa, ele reparou nos sapatos de salto alto jogados no chão da sala. O sangento pegou a sua arma e foi ao único lugar que estava fazendo barulho. O banheiro. O chuveiro estava ligado.
Abriu a porta lentamente e viu as cortinas de plástico transparente que monstravam apenas a silueta do corpo e os cabelos ruivos. Ele reconheceu bem aquelas curvas insinuantes. Guardou a arma. Henrique era solteiro e em toda a sua vida, nunca tinha visto uma mulher com curvas tão perfeitas.
Os olhos da mulher finalmente se direcionaram para ele. Por algum tempo, os dois não disseram nada. Apenas o sorriso daquela mulher fez Henrique aproximar e dar um beijo demorado. Ela respondeu ao beijo com ansiedade e tirou a roupa de Henrique, quase arrancando. Sem paciência para botões e zípers. Eles se amaram no resto da noite.

Eram cinco da manhã. Henrique olhou novamente aquelas curvas. A mulher vestia-se com roupas que lhe caiam perfeitamente. Os olhos sedutores assistiam Henrique na cama.

— Para alguém de quarenta e cinco, você tem a fome de um adolescente.
— Por você, eu teria essa mesma fome com oitenta.
— Tem certeza que não quer se manter assim pela eternidade?
— Não! A velhice faz com que nossa vida tenha um sentido. Um sentido que só a lembrança pode trazer. E eu quero lembrar de você. Isso sim! Eu quero essa lembrança pela eternidade.
— Eu sou eternamente sua. Essa é a nossa balada noturna.
— Laura! Eu...

Ela desviou os olhos para acertar a calça e respondeu:

— Não posso, Henrique... Por favor, não me peça.
—Ela matou 22 pessoas! Quem sabe quantas mais ela vai matar só para se divertir?
— O destino dela está marcado. É só uma questão de dias... Meus amigos logo irão pegá-la.
—Eu a quero, Laura. Não importa a lei de vocês. Ela matou muita gente. Você pode ser a próxima. Se ela souber que está comigo. Um humano. Ela pode...
—Silêncio! Não fale mais... Nada vai acontecer. Abrace-me.
—Antes de ir... Não se transforme em morcego. A vizinha passou mal do coração quando viu um morcego voando por aqui. Ela quase chamou os bombeiros.
—Pode deixar. Serei mais discreta.
Ela soltou a mão de Henrique e correu para a janela. Ela saltou mas, quando chegou ao chão, seu corpo tinha outra forma. Coberto de pelos e com patas enormes ela, transformada em lobo, passou pela janela da vizinha e uivou com toda a fúria. Desesperada a vizinha gitou.
— Socorro! Um lobo no meu jardim!

Henrique, da janela, apenas sorri.

Sete horas da manhã. A delegacia liga para Henrique e ele recebe a descrição de uma mulher de cabelos ruivos assassinada em uma rua na cidade.
Ele corre para o local. Muita gente ao redor. Ele faz com que todos se afastem, até que chega perto do saco preto que cobria o corpo. Ele dizia para si mesmo... Não pode ser ela... Não ela...
Mas as preces não adiantaram. Lá estava Laura. Com quatro galhos de árvore transpassados pelo corpo, e uma palavra tatuada pelo corpo... Traidora...

— Oh meu Deus! Não... Laura!

Desesperado, ele arranca os galhos do seu corpo tentando conseguir uma chance de fazê-la voltar à vida. Tinha que voltar. Mas seu corpo ficou muito tempo exposto ao sol. Ela jamais voltaria...
Os policiais, amigos do sargento, arrastam-no para fora dali.
À noite, o sargento estava caído em um canto do seu quarto. Muitas garrafas jogadas pelo chão, junto a sua farda e insígnia. Ele chorava, mas não existiam lágrimas. Apenas suor...
Ele sabia que ela logo estaria ali para matá-lo. Ele até estava pensando em se render... Nada mais importava. Ele só queria estar com a Laura.
Os vidros da janela explodem, os estilhaços atingem Henrique em cheio. Ele se protege com os braços. Ouve muitas risadas. Aos poucos, ele toma coragem e vê na janela três mulheres. A mulher alta de cabelos negros que estava no meio disse:

— Eu sou a Márcia! A mulher que marcou a sua amada eternamente! Não vai me convidar para entrar?
— Maldita! Certamente sua fraqueza a convites ainda permanece. Acha que tenho medo de vocês? Pois olhe bem para mim... Entre... Entre e morra como deve.

Ela acha sua atitude patética. Dá um sinal para as amigas esperarem do lado de fora. Afinal, nada pode feri-la. Muito menos um humano.
Sem pensar e cheia de confiança, ela entra pela janela. Quando pisa no chão, ela sente o chão descer... Tenta pular para o lado, mas o barulho que vem de cima e chama a sua atenção. A cama de casal presa no teto se solta. A principio ela sorri, pois sabe que seria inútil contra seus poderes. Porém, embaixo da cama, existiam muitas estacas pontiagudas amarradas com espinheiros, que se enroscavam a várias tranças de alho.
Ela agonizava de dor. Suas mãos suplicavam para que ele a tirasse de lá.

— Você não tem ideia do quanto eu a amava.

Henrique pegou uma garrafa de vodca e umedeceu um pano. Passou um pouco em sua testa e depois tomou um bom gole.
Colocou o pano na boca da garrafa e acendeu. Ela gritava tentado escapar.

— Aqui está a sua vodca.

Henrique joga a garrafa na cama, explodindo em chamas.
Ele fica olhando seu corpo queimar. Depois, olha para a janela e se prepara para lutar com as outras vampiras, mas para sua surpresa, elas olham com respeito e logo em seguida, desaparecem.



Por Adriano Siqueira

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

A Carta - Contos de vampiros Por Adriano Siqueira





A Carta -
Por Adriano Siqueira



Sandra não gosta de viajar. Mas Transilvânia é um convite que ninguém recusaria.
Normalmente ela recebe convites para decoração através dos seus e-mails, não era esse o caso. A carta havia sido escrita a mão. Coisa muito rara hoje em dia, ainda mais quando as passagens estão no envelope. Seu trabalho era mesmo reconhecido no Brasil, mas no exterior? Pensar em como seu currículo seria enriquecido se decorasse uma casa na Transilvânia, a deixava muito eufórica - não importava que a carta dissesse que só poderiam atender à noite. Quem se importa?
Depois de mais de 6 horas de voo, um carro já a esperava! O motorista não falava muito bem português, arrastando muito para o espanhol! Dizia algo sobre o dono da casa já aguardar a presença de Sandra...
O motorista pára perto de um morro e aponta para uma colina logo no final da cidade.

— É lá, senhorita. Devemos continuar o percurso a cavalo. - A charrete esta nos aguardando.

No caminho, o homem olhava para Sandra... Como se procurasse algo... E encontrou. As mãos do então motorista, que mais parecia um guarda-costas, pegaram seu pescoço e ele abriu a boca, revelando os dentes caninos para mordê-la... Sandra pula da charrete e cai ribanceira abaixo, correndo pela estrada quando um homem aparece.

— Esse lugar é perigoso para uma mulher andar sozinha.
— Quem é você e como fala a minha língua?
— Seus trajes a denunciaram... Meu nome é Thomas. Você está pálida.
— É meu charme. Acho que um vampiro queria me morder.
— Não precisa ser um vampiro para querer te morder. - Disse Thomas chamando seu cavalo.
— Venha comigo. Eles atacam à noite... Venha para minha morada. - Thomas deu as mãos para ela subir. Uma armadilha sem dúvida, mas até então, era isso ou ficar lá só esperando ser jantar de algum vampiro.
— Tudo bem. Espero que tenha um chá bem quente.
— Aqui a bebida mais conhecida é o rum. As pessoas adoram álcool. Aqui é muito frio.

Sandra coloca os braços em volta do estranho e ele galopa velozmente para o castelo que estava perto.

— Você mora aqui?
— Sim... É a única moradia por perto. Venha... Vou mostrar seu quarto. Não se preocupe... É natural que tenha medo. Afinal aqui é o lar dos vampiros, não é?

Sandra sorri e acrescenta:

— Sim, é verdade. As lendas aqui são terríveis.
— Acredite em todas. A propósito, fui eu quem a chamou. Mas não enviei ninguém para apanhá-la, pois não sabia a que horas chegaria.
— Entendo perfeitamente – disse ela, olhando com desaprovação de tão clara era mentira que Thomas disse, pois ele havia comprado as passagens e com certeza saberia que horas ela iria chegar.
— Olhe ao seu redor, Sandra... Veja quanto trabalho terá.
— A começar pelas suas roupas de séculos passados. - Ela fecha a porta na cara de Thomas e ele sorri... E grita:
— O jantar será às nove horas.
— Jantar as nove horas? - Sandra vai até o guarda-roupa e olha com desaprovação, embora as roupas foram as coisas mais novas que ela encontrou lá. Parece que seu anfitrião sabia exatamente do que Sandra gostava.

Ela veste um vestido preto com alguns desenhos dourados envolvendo todo o vestido, colocando um pequeno lenço vermelho ao redor de seu pescoço, solta os cabelos e coloca uma sombra não muito visível, mas o suficiente para chamar a atenção. Embora estivesse frio, o castelo não tinha muita corrente de ar... Mas os barulhos de ratos e gotas pingando deixavam o ambiente inquieto e inseguro.
Sandra sai do quarto e anda pelos corredores do castelo até chegar na escada que dá para a sala de jantar. Uma mesa enorme servida apenas por dois garçons. Com variações de comida local e algumas coisas bem típicas brasileiras, como frutas etc.

— Demorei muito para encontrar as coisas da sua terra, mas quero que se sinta em casa.
— Nunca vou me sentir em casa com seus ratos fazendo festa pelo castelo...
— Pois saiba que esses "ratos" comem baratas e aranhas e tenho certeza não encontrou nenhum na sua cama.
— Não sei. Nada ainda me fez ter vontade de ir pra cama. - Sandra estava atacando a jovialidade de Thomas. Mas ele também sabia jogar.
— Acredito que os camponeses daqui tenham te chamado mais a atenção.
— Talvez, Thomas. Gosto de gente que trabalha e batalha pelas suas coisas.
— É claro... Andar pela floresta sozinha a deixou humilde. Pois vou dizer uma coisa que não sabe. Se você for agora para lá, para a vila, todos vão querer pendurá-la em uma árvore. Sabe, Sandra, as pessoas acham que este lugar é amaldiçoado.

As luzes das velas estavam ficando mais fracas, até que um relâmpago ilumina Thomas por completo. Rindo com os dentes salientes... Sandra leva um susto e fica bem grudada à cadeira. Mas as luzes voltam e ele estava absolutamente normal.

— O que foi, querida Sandra? Viu um fantasma?

Completamente pálida e suando, Sandra balança a cabeça negando ter visto algo. Ela tinha que sair de lá, e rápido.

— Eu preciso ir para o quarto, Thomas. Não estou me sentindo bem.
— Mas é claro, minha querida, a viagem era mesmo cansativa... Merece um descanso. Depois irei visitá-la em seus aposentos.
— Tudo bem, Thomas.

Ela ficou na cama, pensando em uma maneira de escapar dali. Mas nada tinha em mente.
Por mais que lutasse, Sandra estava cansada e adormeceu. No seu sonho, muitas imagens apareceram, era como se ela estivesse vivendo o sonho de outra mulher. As roupas diferentes. Épocas distantes. Banquetes de sangue e sempre que ela olhava para o lado, Thomas aparecia.
Enquanto Sandra tinha os mais diversos sonhos, uma névoa entra vagarosamente pela porta e, aos poucos, vai se transformando num corpo de homem. Era Thomas. Sentado na cama ele, passa as mãos no rosto de Sandra e sente o calor de sua pele...

— Não posso... Maldita é a fome e o desejo de amar...

Sandra acorda e olha para Thomas. Levando as mãos dele para o rosto dela. Ele a beija e seu beijo fica cada vez mais ardente... Mais desejos invadem aquele quarto. As mãos de Sandra tentam encontrar a estaca embaixo da cama, mas para sua surpresa, não encontram... Havia um rato brincando com ela, levando-a para mais longe de Sandra.

— Eu quero você, Sandra.
— Oh, eu também te quero, Thomas.

Ela pulou para o outro lado da cama para encontrar a estaca, mas foi em vão, o rato estava brincando com ela... Até que a estaca rola para a o lado esquerdo da cama, quase deixando Thomas ver. Ela troca de posição com o homem para deixar só ela vendo.

— Preciso do seu pescoço, Sandra.
— Claro Thomas. - Ela salta para fora da cama e senta-se perto da estaca...
— Porque saiu da cama? - Dizia Thomas atônito.
— É para não sujar a cama. Afinal, se me morder, vou ter que cuidar do castelo.
Thomas ria insanamente:
— É verdade. Agora venha.
Sandra com a estaca na mão, escondida por trás de seu corpo, chega perto de Thomas.

— Feche os olhos, Thomas. As nossas vidas jamais serão as mesmas.

Ele fecha os olhos e ela enfia com força a estaca no seu peito, fazendo Thomas instintivamente agarrar Sandra e mordê-la com a estaca enfiada e em seguida seu corpo se transforma em pó.
Depois de horas, ela acordou. Sandra só queria sair daquele lugar. Arrumou as suas malas e saiu do quarto. Antes de partir. Sua curiosidade foi maior. Ela tinha que conhecer o quarto do Thomas. Ela abriu a porta e viu que o quarto parecia ser de um príncipe. Ele tinha bom gosto. A decoração do quarto dele era um exemplo em decoração. Muito bem planejado. A não ser por aquele quadro velho. Não combinava com o quarto. O quadro mostrava Thomas com uma mulher. Uma mulher muito parecida com a Sandra. Ela sorriu e partiu...
Mais tarde, no avião, lendo o jornal. Sandra lê uma matéria sobre prováveis vampiros na região, quando o passageiro sentado ao lado dela pergunta:

— Você acredita em vampiros?

Sandra não responde. Ela apenas vai em direção ao passageiro e abre a sua boca mostrando os caninos pontiagudos e diz:

— É hora do jantar.




Por Adriano Siqueira

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

O Prazer Eterno - uma história de horror, sedução e magia




Cadastre-se no The Tred, dizia um site de vampiros.
Cadastre-se e seja um de nós... Eterno e cheio de prazeres.
É lógico que eu queria isso... Quem não quer? Mentira? Claro que era. Mas a ansiedade misturada com a curiosidade não deixava que eu recuasse. Então, deixando as ironias de lado, eu cliquei no botão cadastrar... um bonito visual apareceu... Cores bonitas! Visuais gráficos muito bons, porém achei um exagero fazer um visual desse apenas para um cadastro simples, mas fiquei lá olhando... Até que apareceram olhos... Olhos de uma mulher... As cores agora formavam a sua face e sua boca, muito sexy com um batom vermelho, e as mãos mexendo no cabelo estavam como que dançando na tela.
Eu queria copiar aquilo. Era magnífico, mágico e místico. Quando ouvi sua voz, fiquei quase que hipnotizado. Então eu dei o comando "Print-Screen" por instinto (costumava fazer isso para copiar algo interessante, assim fica mais fácil para ver on-line as imagens na net) rezando para conseguir capturar a imagem.

— Então você me quer?

-Claro! Claro que sim! Como faço? Eu quero! - Eu digitava afoito no teclado, como se estivesse falando com ela cara a cara, e clicava no meio do rosto dela, tentando achar um botão ou abrir um link. De alguma maneira, não poderia terminar ali, eu precisava continuar. Desesperado por pensar que o programa travou ou que tivesse simplesmente caído o sinal, ouvi mais uma vez a voz dela...

— Venha...!

Naquele exato momento, eu sentia meu corpo sofrer transformações que eu não conseguia explicar. Estava tonto e meus olhos estavam distorcendo tudo o que via - já não conseguia mais identificar nem as letras do teclado. A cor da minha camisa se misturava com as cores da mesa e do computador... Tudo ficou de uma cor só. Uma cor rubra. Eu sentia que estava cego... Aquela cor estava por todo o lugar e meu corpo estava flutuando, como se estivesse dentro de uma grande piscina cheia d´àgua... Mas respirando.
Um túnel se formou à minha frente e uma pequena luz apareceu. No final desse túnel, havia uma mulher acorrentada e perdida em desejos insanos, Eu não via nada naquele lugar para ter o tanto de prazer que ela aparentava, por causa dos movimentos que fazia com o corpo. Aquele sorriso, como se ela estivesse mesmo vivendo momentos de luxúria e sedução. Achei que ela estava sonhando ou estivesse drogada.
Antes que eu olhasse para os lados e percebesse que as nuvens de cor rubra tinham se transformado em paredes, ela acordou. estava assustada como se tivesse saido de um pesadelo e gritou para mim:

— Corra! Saia daqui... Sou investigadora de sites da Internet e isso não real é...
— Por quê? O que está havendo?

Nada. Nenhuma resposta. Do jeito que ela acordou, ela voltou a ter aquele sorriso. Fechando os olhos e voltando a um prazer que não entendia.
Uma mulher apareceu. Diferente do que eu achava que encontraria lá (uma vampira ou uma bruxa), vi apenas uma mulher com asas de anjo. Chegou perto de mim e disse que seu nome era Cristina e que eu teria o prazer que tanto procurava. Não como aquela mulher que estava lá vivendo feliz e sempre satisfeita de prazeres, sejam eles quais forem, mas que seria melhor bem melhor que aquilo.
Ela segurou meu braço e foi me levando para um lugar alto e mostrou para mim que não tinha só aquela mulher, mas muitas pessoas estavam da mesma maneira que ela.

— Sonhos, meu cavaleiro. Aqui todos eles se realizam.
— Não estou vendo nada. Estou vendo apenas muitas pessoas aprisionadas.

Cristina me abraçou e disse em voz baixa.
— Eles são felizes. Cuido bem deles. Você. Eu quero você para me ajudar e para ficar comigo. Embora aqui tenha muitas pessoas, eu me sinto só. Eles não me desejam...
Apareceu um espelho e ela olhou como se estivesse em transe como eles:

— Eu sou tão linda. Tão linda e ninguém ali embaixo sonha comigo. Uma rainha com reino e súditos, mas sem rei. Juntos, realizaremos todos os seus desejos... Eternamente.

Talvez ela não estivesse mentindo. Afinal, todos tinham seus sonhos particulares. E, mesmo assim, não deixava de pensar se ela fez essa proposta para todos que entraram no seu reino, e que a resposta seria algo como "Não quero, sua bruxa!" era uma resposta perigosa e mortal. Eu estaria em sérias complicações. Precisava pensar com calma. Precisava de tempo. Tempo para achar uma saída. Em todo o caso, o jogo estava apenas começando.
Uma cama, com várias luzes e móveis do estilo colonial apareceram ao meu redor, e aquele lugar onde estávamos se transformou em um verdadeiro paraíso. Será que tudo aquilo era real? Era minha mente que ela estava lendo? Afinal, eu estava mesmo ali?
Debatendo minhas dúvidas, as palavras dela estavam ficando mais altas. Dominar, ser Rei, teria sua companhia para sempre. Ela sabia que eu estava procurando uma saída.
Quando meus dedos passaram pelo seu cabelo, senti que uma parte parecia ter tocado meu teclado. Um calafrio correu a minha espinha. Será? Estaria meus olhos sendo enganados pela magia desta mulher?
Um computador apareceu no quarto.

— Era isso que queria, meu rei?

Ela tentava me persuadir. Estava começando a conhecer o seu jogo.
Sentei no computador... Tentei imaginar o começo de tudo... O site... The Tred... Cristina me guiando... O maldito Print-Screen, que agora eu acionava imaginando o desejo de vê-la como ela realmente é. E apertei a tecla Print-Screen novamente e finalmente a tela me mostrou a sua verdadeira forma. Um demônio apareceu... O encanto estava quebrado para mim e finalmente consegui ver a sua horrível face. Mas, e ela?
Gritando de raiva, Cristina me jogou a metros de distância. Fiquei bem no fundo do quarto. Aquela criatura monstruosa via a sua face como realmente era, quase que hipnotizada. Presa a sua própria imagem horrenda, o mundo que a cercava estava desaparecendo e com ela junto. Eu não sabia como sair disso, então corri para o túnel – para onde todos estavam correndo apavorados.
Cada um voltava para sua realidade enquanto eu corria e via tudo se destroir em minha volta.
Até que finalmente encontrei meu quarto e fui em sua direção.
Ácordei na minha cadeira. na frente do computador.
Será que foi tudo um pesadelo? Um mundo que lhe dava todo o prazer que quisesse? E o prazer eterno permanece prazer?

Essas perguntas nunca serão respondidas.



Autor: Adriano Siqueira

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Danze Down, O Vampiro de Energia



Um homem de 35 anos, moreno andava na rua calmamente. Ele usava uma camisa escura e uma calça cinza. Usava botas e seu cabelo era muito curto.
Ele entra em um supermercado e assiste calmamente um assalto em andamento. Várias pessoas no chão pedindo ajuda para ele. Três homens armados recolhendo o dinheiro dos caixas e das pessoas que estavam lá, carteiras, bolsas, anéis, celulares, tudo mais que tivesse algum valor. Os ladrões tomavam cerveja e jogavam as latas nas pessoas. Finalmente os ladrões viram o homem que estava de pé e observava tudo que acontecia. Um dos ladrões apontou a arma para ele e gritou:
─ Deita no chão! Agora! Eu mato você agora se não se deitar aí mesmo.
O homem olha a arma e não fica alarmado. O ladrão vendo que não havia nenhuma reação daquele homem ele grita:
─ Eu disse...
Antes do ladrão terminar a frase as pupilas daquele homem se contraem e as armas dos ladrões voam e ficam grudadas no teto do supermercado.
─ Mas que loucura é essa? Acabem com esse cara.
O homem segura o braço de um dos ladrões e uma energia branca envolve o corpo do ladrão. Ele grita e logo cai no chão com o corpo putrificado. Os outros dois ladrões tentam fugir mas o homem coloca a mão em suas testas e novamente a energia os envolve e os dois ficam com o corpo putrificados.
As pessoas que estavam dentro do supermercado se levantam e correm gritando. Novamente os olhos do homem se contraem e a multidão cai no chão em um sono profundo.
O homem caminha e vê uma garota de aproximadamente vinte anos, Morena de cabelos escuros, usando jeans e uma camiseta branca. Ela estava olhando para ele. Assustada. Ele contrai as pupilas, mas nada acontece. O homem segura no braço dela e a leva para fora do supermercado. Ela pergunta assustada:
─ Para onde está me levando?
─ Qual o seu nome?
─ Layane. Agora responda para onde está me levando?
─ Para casa. Você não deve correr perigo.
─ Mas isso é loucura. Cuidado! O semáforo está vermelho.
As pupilas de Danze se contraem e o semáforo fica verde. Layane fica surpresa e pergunta:
─ Quem... é... Você?
─ Meu nome é Danze... Danze Down. Sou um V.E.
─ O que significa?
─ Um controlador de objetos. Força Psi. Uma pessoa com poder telecinético... um... Sugador de energia.
─ Você é um vampiro de energia?
─ Sim. Eu me alimento de energia.
─ Espero que não acabe com a bateria do meu celular. Preciso dele.
Danze contrai as pupilas e o celular sai das mãos da Layane e gruda no teto do carro. Ela tenta tirar do teto mas não consegue.
─ Isso não é justo. Por que está fazendo isso comigo?
─ Usei meus poderes para fazer todos dormirem no supermercado.
─ Eu não fiz nada.
─ Você não dormiu. Meus poderes não funcionaram com você. É diferente deles.
─ Olha. Eu não sei do que está falan...
Danze segura o braço de Layane e ele afirma:
─ Se você não é como eles, é como eu.
─ Não! Eu não sou diferente. Sou como qualquer um.
─ Você é uma vampira de energia. Só não sabe ainda. Precisa ser treinada.
─ Não quero ser treinada. Quero ir para casa.
─ Fique tranquila e escute uma música. A viagem vai ser longa.
Danze liga o som do carro. Isso deixa Layane curiosa.
─ Que música é essa?
─ É um rock progressivo eletrônico do Jean Michel Jarre
─ Não conheço.
─ Todo o vampiro de energia usa rock progressivo eletrônico para organizar a sua energia interior.
─ Não gostei da música.
─ Sua energia está em completa desordem. Não vai conseguir usá-la, controla-la.
─ Vivo bem assim do jeito que sou.
─ Sua vida mudou depois que me conheceu. As câmeras de segurança registraram tudo. Eu teria apagado os videos mas quando vi que você era imune aos meus poderes tive que tirá-la de lá. Agora todos devem saber que você pode ser como eu.
─ Eu não direi nada. Só quero ir para casa.
─ Esqueça! A sua vida não será mais como antes. Será perseguida e torturada. Meu poder é uma arma que muitos querem.
Layane entra em pânico e começa a bater no Danze.
─ O que você fez com a minha vida?
Danze encosta o carro e segura Layane e responde.
─ Layane! Meus inimigos irão procura-la. Você pode morrer.
Layane cruza os braços e olha para fora do carro. Começa a pensar como será a sua vida agora. Como uma fugitiva. Danze coloca a mão no ombro dela e tenta acalma-la.
─ Tenho que treina-la. Você precisa saber usar os seus poderes. Cedo ou tarde você iria descobrir que é diferente.
─ Eu sabia que era diferente Danze. Só não queria aceitar isso.
─ As vezes Layane. Não conseguimos mentir para nós mesmos por muito tempo. Devemos aceitar o que somos. Eu sinto muito que tenha sido desta forma.
Layane olha para Danze e deita em seu ombro.
─ Eu só quero ser o que devo ser. Você me ajuda Danze?
─ Sim Layane. Eu estarei sempre ao seu lado.

Danze liga o carro e os dois seguem para o caminho que o destino traçou.



Por Adriano Siqueira

sábado, 15 de outubro de 2016

O Palhaço encontra o Desespero




O Palhaço encontra o Desespero

O vampiro Neculai encontra um palhaço e arma um circo



— Tem certeza que ela está em casa Renato?
— Eu pedi para ela ficar em casa Julio. Fica tranquilo.Rebeca está na sala assistindo TV como sempre.
— Não gostei dessa ideia.
— Qual parte da ideia você não gostou Julio?
— De toda a parte Renato. Você dar um susto nela com essa roupa de palhaço? Cara! Ela é sua namorada. Como pode fazer isso com ela? Eu vou para casa.
— Olha aqui Julio! Você não vai cair fora agora entendeu? É só um susto cara. Você só tem que gravar a cara de susto dela e pronto! Depois a gente coloca na internet e ri muito. Só isso.
— Para que? Só para colocar no seu Vlog? Ficar famosinho?
— Isso! Famoso e conhecido e futuramente rico! Muita gente vai curtir.
— Vai perder sua namorada e você não se importa?
— Cala a boca Julio! Segura logo essa câmera enquanto coloco a máscara de palhaço. Ela vai levar um susto e tanto. Agora bate na porta Julio.
— Espera Roberto! Que barulho é esse?
— Pô! Meu celular! Porcaria! Está dentro da minha roupa de palhaço. Mas quem diabos ligaria para mim a essa hora?
— Vamos sair daqui da porta antes que ela escute. Atende logo esse celular Renato.
— Alô!?
— Alô! Me conta uma piada! Ha Ha Ha!
— Q-quem está falando?
— Eu sou Neculai! Se não contar uma piada em três minutos você morre!
— Cara vê se não me atrapalha eu estou filmando aqui!
— Mas você não tem mais câmera para gravar.
— Como não? Julio! Julio!
— Olha para cima.
— N-não Julio! O que você está fazendo em cima da árvore? Julio Fala comigo.
— Ele não pode falar. Está com uma câmera enfiada na garganta.
— Mas quem fez isso com ele?
— Eu fiz! Eu sai do celular, peguei seu amigo. Quebrei o pescoço dele. Enfiei a câmera na sua garganta e o levei para o alto da árvore. Fiz isso em poucos segundos.
— Não! Julio! Cara! Era só uma brincadeira! Eu não queria machucar ninguém!
— Se não contar uma piada para mim. Eu vou matá-lo lentamente.
— Não é justo! Eu só queria assustar...
Já se passaram dois minutos.
— Está Bem! Eu conto a piada.
— Antes de contar a piada. Sabe onde estou?
— Não. Não sei.
— Socorro Renato! O Neculai vai me matar!
— Rebeca! Calma Rebeca! Eu vou pedir ajuda. Não faça nada com ela. Por favor.
— Eu estou sentindo o cheio do desespero da sua namorada. Logo eu vou ficar com muita sede.
— Faço o que quiser. Por favor não faça nada.
— Socorro Renato.
— Não toque nela!
Enquanto ela grita. Você conta uma piada. Se eu achar engraçado. Não vou fazer nada com você.
— Está bem! Eu conto a piada.
— Seja rápido.
— Um garoto perguntou para o pai dele porque os palhaços tem os narizes vermelhos e o pai respondeu que era por causa da gripe que todos eles tinham. No dia seguinte o garoto colocou um nariz de palhaço e disse para o seu pai se ele podia faltar na escola pois estava com gripe. Haha. Entendeu. Nariz de palhaço! Haha.
— ...
— Alô? Neculai?
— Eu estou atrás de você.
— Não! Eu conto outra piada.
— Acabou seu tempo.
— O que você está fazendo? Argh... Argh!
— Quebrei suas pernas. As duas.
— Socorro! Não! Espera Não me arraste! Preciso de um médico.
— Foi a pior piada que já ouvi na minha vida!
— Não! Por favor! Não me deixe aqui no meio da rua!
— Agora vou colocar essa máscara de palhaço na sua cara.
— Socorro!
— Falta só um detalhe. Vou amarrar a suas mãos nessas facas. Assim vai dar um toque bem assustador.
— Socorro!
— Agora a melhor parte do show. Está vindo um caminhão.
— Não! Me ajude!
— Só para completar o show. Rebeca! Venha aqui!
— Sim meu querido Neculai!
— Rebeca? O que está fazendo?
— Cala a boca Renato. Você é patético.
— Não querida. Ele é um palhaço que não sabe contar piadas.
— Ah Neculai. Acabe logo com isso. Vamos lá para dentro. Temos uma noite inteira só para nós.
— Só um momento Rebeca. Quero tirar um selfie com o palhaço.
— Não. Não. Rebeca me ajude!
Morra Renato.
— Agora Sim Sorria palhaço.
— Não! Socorro!
— O caminhão! olha ele vindo com velocidade. Isso mesmo Renato. Levante as mãos. mostre as facas.
— Parem por favor. Socorro... Arghhh...
— Ha Ha Ha. Panqueca de Palhaço para viagem! Ha Ha Ha.
— Neculai. Querido Vamos para dentro.
— Tudo bem Rebeca. Vamos fazer o nosso próprio circo.
— Hum! Quero ser sua ajudante de palco.
— Eu sou um bom mágico.
— Tenho certeza que é. Posso beijá-lo?
— Eu permito.