sábado, 26 de julho de 2014

A Lenda do Morcego Branco - O Pescador






O Pescador - A lenda do morcego Branco

História de Adriano Siqueira - siqueira.adriano@gmail.com


Geraldo e Alcides eram amigos a muito tempo. Eles resolveram trazer o Lucas para pescar naquele rio. Eram bons para pescar e sabiam que Lucas jamais havia pescado. Seria ótimo contar para os seus amigos da escola que ele era mesmo um perdedor. Eles fizeram uma aposta com o Lucas para ver quem conseguia pescar mais peixes. Era comum naquela cidade que os jovens que pescavam mais peixes se tornavam grandes líderes de sua escola. Mas pescar à noite... Isso sim era um ato de coragem.
Geraldo olha para o rio e dá um sorriso e pergunta para o Lucas:
- Tem certeza que não quer desistir Lucas?
Lucas estava com a lanterna no chão e enquanto estava mexendo na sua mochila. Ele olha para o Geraldo...
- Não! Nunca! Se vocês já pescaram por aqui eu também posso!
Alcides olha para o Geraldo e dá um sorriso e todos começam, a armar as suas varas de pesca. Em poucos minutos os três estavam em silencio esperando o primeiro peixe quando de repente escutam um barulho. Lucas se assusta e deixa cair a sua vara no rio.
- Droga! Perdi a minha vara!
Geraldo e Alcides riem da situação do Lucas e comentam.
- Desista Lucas! Já é difícil ganhar da gente e agora que perdeu a sua vara podemos nos considerar vencedores.
- É isso mesmo Lucas! Você sempre será um perdedor!
Revoltado e olhando para a sua vara de pesca sendo levado pelo rio, Lucas responde:
- Eu não vou desistir! Vou pensar em outra maneira de pescar os peixes eu já volto.
- Peguei um! Peguei um! Geraldo gritava alegremente.
Lucas pega a sua lanterna e sai da beira do rio deixando os dois comemorando. Lucas anda pela floresta e fica falando sozinho.
- Eu nunca vou conseguir pescar os peixes. Eles têm razão! Sou mesmo um perdedor. O pessoal da escola vão rir de mim o ano todo! Para completar a minha namorada Marisa estava fazendo um bolo para comemorar a minha pesca. Tenho certeza que ela vai jogar ele na minha cara! Perdedor! Perdedor!
Lucas ouve novamente aquele barulho estranho e resolve investigar. Ele vai seguindo o barulho até chegar em um espinheiro enorme e ele finalmente vê um morcego branco preso bem no meio dele.
- Ah... Então foi você que me deu um susto... Eu deveria deixá-lo ai para sempre! Tem idéia do que você fez com a minha vida? Do que estou falando? Ele é apenas um morcego em apuros.
O morcego se debate tentando se livrar mas os espinhos estavam ferindo ainda mais o seu corpo. Lucas não agüenta ver a angustia do morcego. Ele tira a sua camisa e rasga em dois pedaços. Ele enrola um pedaço em cada mão, quebra alguns galhos, tira os que estavam prendendo o morcego. Ele pega o morcego e tira do espinheiro.
Lucas coloca o morcego no chão. O morcego se lambe um pouco e logo depois de recuperar as suas energias, finalmente sai voando.
Lucas dá um sorriso e diz:
- Pelo menos alguém se deu bem nesta história. É melhor voltar para o rio. Não vou conseguir pescar nada mesmo.
Quando Lucas chega no local onde os seus colegas estavam ele vê que cada um pegou cerca de dez peixes. Eles estavam rindo a toa e começaram a rir mais ainda quando viram que o Lucas havia chegado.
- Olha lá Alcides! O perdedor assistindo nossa conquista!
- É Geraldo! Vamos fazer um troféu de perdedor e pedir para as garotas mais lindas da escola entregar para o rapaz! Vamos tirar fotos e espalhar pela internet! Ele vai ficar famoso!
Furioso, Lucas responde:
- Pois podem parar de rir! Saibam que eu tenho um plano para pegar mais peixes que vocês! Mas para isso eu preciso ficar sozinho aqui na beira do rio!
Lucas disse isso para não ter que ficar ouvindo os seus colegas caçoando da sua cara até chegar em casa. Ele bem sabia que não tinha plano nenhum. Ele ficou assistindo os seus colegas arrumarem as suas coisas, Eles deixam um cesto para Lucas colocar os peixes e antes de partirem eles avisam que receberá o troféu de perdedor logo que chegar na escola pela manhã.
Lucas senta na beira do rio bem ao lado do cesto vazio e fica ali, pensando na sua derrota. Era humilhante demais. Ele não queria mais pertencer aquele mundo. Quando mais ele pensava em como seria amanhã mais ele queria acabar com a sua vida. Ficou pensando em se jogar no rio e acabar com tudo ali mesmo. Ele estava chorando. Lucas levanta e se prepara para mergulhar naquele rio frio. Ele sabia que não iria sobreviver, pois nem sabia nadar. Ele respira fundo e é surpreendido por uma voz feminina.
- Então acabou!
O coração de Lucas dispara. Ele liga a lanterna e fica procurando a pessoa que disse aquilo. Ele fica gritando... – Quem está ai? – Quem é você? - Apareça alma penada!
Aos poucos uma mulher aparece bem perto da beira do rio. Ela era bem pálida e usava um vestido branco. Seus lábios vermelhos mostravam claramente os seus dentes ponteagudos.
- Você é uma Vampira?
- Quem eu sou não importa! O que você vai fazer... Sim!
- O que eu vou fazer não é da sua conta! Você não sabe nada sobre a minha vida!
- Eu estou aqui faz um bom tempo. Eu ouvi o que seus colegas disseram. Vai ser um verdadeiro perdedor se continuar com esse seu plano insano.
- É minha vida! Faço dela o que eu quiser.
- Vocês humanos vivem colocando fantasias nas suas cabeças só para ficarem tristes. Acham que procurando a morte, encontram a salvação. Será que não entende que os problemas fazem parte da vida? Que eles aparecem para ser enfrentados.
Lucas abaixa a cabeça e diz:
- Eu não sei como vou resolver isso.
- Você já está resolvendo. Você está desabafando com alguém. E geralmente os problemas de alguns são fáceis para outros.
- Acha que pode resolver isso?
- Não completamente. Mas posso ajudar. Se quiser.
- Claro que quero! Mas... Mas o que vai querer em troca?
Ela sorri e se aproxima... Diz quase sussurrando:

- Um amigo!
A Vampira olha para as arvores e com apenas alguns gestos vários morcegos aparecem e ficam rodeando o rio. Aos poucos, eles vão mergulhando no rio. Cada morcego pega um peixe e joga no cesto de Lucas. Em poucos segundos os morcegos conseguem encher o cesto. Lucas fica impressionado com toda aquela cena. Seus olhos começam a lacrimejar. Ele olha para a vampira e diz:
- Foi mesmo tão fácil para você.
Ele a abraça... Os morcegos voltam para as arvores.
- Se você vier aqui uma vez por semana, os morcegos encherão o seu cesto e assim poderemos conversar. A floresta é um lugar muito solitário.
Lucas concorda. Dá outro abraço na vampira. Coloca o seu cesto nas costas e segue o seu caminho alegremente pois ele sabe que amanhã será um ótimo dia.
Enquanto Lucas se afasta da beira do rio a vampira se transforma novamente naquele morcego branco que ele salvou.


Autor Adriano Siqueira

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