Livro Luar de Sangue da autora Dione M. S. Rosa

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terça-feira, 11 de outubro de 2016

DE NOSFERATU À PROFECIA

Fonte: Revista Cine Mistério – nº 3 – 1977
Coleção: Adriano Siqueira

O Filme de horror parece ser, de todos os gêneros cinematográficos, o mais resistente. Um ano depois dos irmãos Lumière inventarem o cinema surgiu o primeiro filme desse tipo. E de lá para cá –  os diretores não desistiram de inventar formas (e fórmulas) novas de assustar e os espectadores não cansaram de se assustar. Ao contrário do que acontece na vida, o objetivo aqui é quanto mais susto melhor. Dráculas, Frankensteins, vampiros, exorcistas e encarnações do diabo são os donos do espetáculo.

O antepassado de todos esses monstros foi o gigante polar criado em 1912 pelo diretor francês George Meliès. O exemplo entusiasmou particularmente os alemães e nórdicos. Foi assim que se produziu uma verdadeira explosão de filmes de horror. Algumas dessas obras se tornaram clássicas no gênero, como M. O vampiro de Dusseldorf, de Fritz Lang e O Gabinete do Dr. Caligari, de Robert Wiene, que junto ao sucesso de crítica arrastaram verdadeiras multidões aos cinemas de todo o mundo.



Esse sucesso estrondoso só encontra explicação no fato de que o fantástico sempre foi um dos ópios da humanidade. Em todas as épocas o homem recorreu ao insólito como uma forma de se liberar das limitações da vida cotidiana. A literatura que se utiliza de temas sobrenaturais e fantásticos se estende desde os contos e poemas populares até as mais altas obras do espírito humano. O grande poeta alemão Goethe, por exemplo, explorou o tema do vampirismo em seu poema A Noiva de Corinto, no qual a moça sugava o sangue de seu noivo. Em 1818, a escritora inglesa Mary Shelley publicou a sua novela Frankenstein, onde surge o tema do sábio louco que constrói um monstro com órgãos e tecidos humanos transplantados. Mas o grande êxito do gênero seria o Drácula, de Bram Stoker, Depois dessa obra foram muitos os escritores que cultivaram o gênero. Entre eles figuram alguns dos maiores nomes da literatura universal, como Guy de Maupassant, Edgar Allan Poe e Lawrence Durrel. Mas foi com o advento do cinema que o horror encontrou o seu veículo ideal de expressão.



O Gabinete do Dr. Caligari, produção alemã de 1919 é considerado o primeiro clássico de horror. Conrad Veidt, um dos grandes atores da época, interpretava um terrível sonâmbulo. Pouco depois surgia Lon Chaney no papel de Quasímodo, em O Corcunda de Notre Dame. Ele Seria um dos grandes mestres do macabro.



A esta altura, Drácula e Frankestein já haviam iniciado a sua luta pela conquista das platéias. Mas foi aquele que teve a prioridade cronológica. Em 1922 surgiu o primeiro Drácula, no filme de F. W. Murnau, Nosferatu, o Vampiro. O primeiro Frankenstein, dirigido por James Whale só apareceria em 1931, relançando o grande ator Boris Karloff. É a velha história de Mary Shelley transporta e adaptada para o cinema. Um cientista que procura recriar a vida artificialmente e transplanta o cérebro de um criminoso para um fantoche de forma monstruosa. A nova criatura, repudiada pelos homens, se consola com a amizade de um cego e uma garotinha.



A esta altura, os norte-americanos já eram os senhores absolutos do gênero. A aceitação vertiginosa pelo publico de seus novos heróis coincidiu com uma grave crise econômica nos Estados Unidos. Os mortos-vivos, Drácula, Frankenstein e seus êmulos se tornaram um dos principais derivados para a necessidade de escapismo do povo americano. O Drácula, dirigido por Tod Browning e lançado em 1931, é até hoje considerado o melhor de toda a série. O Filme depende em grande parte do notável desempenho de Bela Lugosi, no papel de um vampiro.



Outro sucesso do gênero horror que até hoje entusiasma as plateias de todo o mundo é King Kong, história de um gorila que rapta a bela Ann, durante uma excursão numa ilha desconhecida. Depois de uma aventura que parece interminável através de uma selva povoada de incríveis animais antidiluvianos. Ann é libertada. O gorila é capturado e levado para Nova Iorque, preso em fortíssimas correntes. Uma tarde, porém, King Kong se liberta e sai pela cidade, semeando o pânico e a destruição em toda parte, na busca desesperada de Ann.



A Guerra dos Mundos, filmado na década de 50, atesta o crescente interesse do homem pelo espaço interplanetário, cujas portas começavam a ser abertas. Baseado no romance homônimo do escritor inglês H. G. Wells a história encontrou no cinema um maravilhoso meio de expressão. Os marcianos chegam à Terra e começam a sua invasão pela Califórnia. Los Angeles é destruída e só um milagre salva os principais protagonistas. Filmada em pleno período de guerra fria, a obra foi interpretada como uma alegoria da possível invasão dos Estados Unidos pelos soviéticos. Os efeitos especiais da invasão marciana são magistrais.



Os Filmes de horror das décadas de 50 e 60 utilizam de preferência monstros que ameaçam a sociedade de destruição. Em Godzilla, filme japonês dirigido por Inoshiro Honda, a cidade de Tóquio é ameaçada de destruição pelo Godzilla, Um monstro produzido devido às radiações atômicas. O Planeta Proibido, cuja história decorre no ano de 2200 um monstro misterioso destrói os membros de uma expedição científica. Em O Vale de Gwangi alguns cowboys, em pleno faroeste, descobrem e capturam um monstro. As conseqüências sãos as mais terríveis.



Na década de 70, o homem parece ter se cansado dos monstros. Os grandes motivos para causar horror são os que ameaçam a sua mente e não mais os que atentam contra o seu corpo. O Exorcista, com seus diabos e seus exorcismos, arrepiou (e continua arrepiando) plateias de todo o mundo. Agora, no mesmo estilo, A Profecia vem obtendo o mesmo sucesso.


Diante de tudo isso, uma pergunta fica no ar: isso não será conseqüência do pavor cada vez maior que o homem sente diante da possibilidade de alguém intervir e dominar a sua mente? Experiências neste sentido vêm sendo feitas em várias partes do mundo, através de drogas, mensagens subliminares etc. Não há intervenção do diabo.


Mas, sem dúvida alguma, é um plano muito mais diabólico do que o Capeta poderia pensar.

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