segunda-feira, 6 de abril de 2015

O céu, o inferno e o Desespero



O Céu, O inferno e o Desespero
O Vampiro Neculai reúne o céu e o inferno para uma aliança sedutora e macabra 

– Alô Neculai! Elas já chegaram em seu escritório. 
– Deixe meu terno junto com o celular Deise. Vou aparecer em seguida. Você deve ser retirar. A conversa pode não ser tão animada.
– Elas não estão felizes Neculai. Tome cuidado meu querido vampiro.

...

– Mas que prazer ver vocês duas juntas  Lucrétia a própria voz do inferno que deixa muitos sentindo o calor de suas palavras apimentadas e cheio de verdades ardentes e Ariella A toda poderosa do céu que está divina sem ou diria que é a própria divindade.
– Vai morrer Neculai! Aproveite bem o seu minusculo tempo.
– Ariella? Falar assim pode deixar o todo poderoso soltando trovões.
– Ele me permite dizer o que quiser para você Neculai. Você é algo que já deveria ter sido destruído e aniquilado.

– Mas que satisfação ouvir do próprio céu as suas intenções para com este adorável vampiro. Achei o seu batom forte demais para a sua pele Ariella. Use uma cor mais clara da próxima vez.
– Que atrevido! Eu deveria destrui...
– Espere Ariella. Este vampiro ainda não me ouviu.
– Lucrétia. Imagino que o inferno tem assistido meus movimentos. Me diga. Teria como mandar algumas todos que vocês tiram minhas para os meus fãs? Eles iriam...
– Cale-se! Acha que não temos o que fazer Neculai? Ariella tem razão. Seu tempo é curto, minúsculo e insignificante. Logo você estará onde deveria. No mundo do esquecimento. O inferno não admite que você mate os que fizeram pactos. Você está quebrando regras criadas por gerações.
– Eu só estou tirando eles da fila e enviando para a morte sem passar pela burocracia enjoativa que vocês criam.
– As regras devem ser seguidas. Não vai ser um vampiro que vive em celular que vai ensinar o inferno a agir.
– Lucrétia querida. essa roupa de freira que está usando deve ter deixado um pouco de bondade no seu coração. Eu apenas quero que relaxem e escutem meu plano. Só isso. Escutem e decidam qual das duas me destrói primeiro.
– Seja rápido Neculai. Tenho um show do Elvis para assistir.
– Adoro seu humor Ariella e gostei muito do seu estilo Pin-up, prometo que serei breve. Vocês duas tem percebido que este pais está um pouco desorientado. Algumas pessoas estão indo para caminhos que está prejudicando tanto o céu como o inferno. As relações dos sere humanos está distanciando as religiões e as crenças. Cada um está ficando casa vez mais isolado e independente. Isso para vocês é um perigo. Logo todos estarão tão independentes que não vão querer mais a interferência de vocês neste mundo. Ele já não recorrem mais a vocês como faziam antes.
– Isso é algo que estamos investindo sempre, música, encontros...
– Ariella querida. Isso já não atrai mais. As músicas você compra pelo celular, os encontros são feitos, na sua maioria pelas redes sociais. É assim que eles vivem aqui. Vai demorar muito para vocês refazerem suas leias antiquadas. O inferno também está perdendo muito.
–  Ainda existem muitos que fazem pactos e tem medo do inferno.
– Hoje não Lucrétia. Hoje o pessoal tem medo dos terroristas, das balas perdidas da violência. Por isso estão se isolando mais.
– Digamos que existem alguns problemas Neculai. Não vejo como pode nos ser útil.
– Ariella. Você e a Lucrétia precisam de um instrumento. Algo que traga a fé de volta. Alguém que mostre para eles que vocês existem. Alguém que eles possam acreditar.
– Está dizendo que eles devem acreditar em você Neculai? Isso é ridículo. Venha Ariella vamos matá-lo agora. Metade eu e metade meu...
– Esperem! Eu ainda não terminei. Lucrétia. Eu posso dizer para todos que sou um vampiro que tem medo de objetos sagrados. Aguá benta, cruzes, espinhos. algo que hoje estava ultrapassado. Posso reaver isso. Olhe Ariella. Posso colocar estes instrumentos no menu de "Como destruir o Neculai" isso fará com que a maioria comece a se interessar mais por seu lugar. O medo fará isso. O medo dos Comodistas. São eles o meu alvo.
– E como o inferno entra nisso?
– Ah Sim. Lucrétia. Para que o plano dê certo. Preciso de uns demônios. Para sumir com algumas pessoas que vou colocar no metrô em um vagão especial dos Comodistas. Deixem pistas que foram os demônios. Ariella pode enviar alguns padres para averiguar o vagão. Eles dirão que se trata de Demônios.
– Isso atrairia nossa atenção e poderia colocar na cabeça da população que nós realmente existimos. Não é um plano ruim Neculai.
– Claro que não. Karina chefiará seus demônios para o ataque.
– Com a crença de que foram os demônios muitos vão querer procurar nossa proteção.
– Isso mesmo Ariella. Eles irão até vocês. Sem musiquinha, apenas por medo e por vontade própria.
– É um plano convincente Neculai. Isso pode te dar mais algum tempo de vida.
– Muito agradecido e que bom que fizemos este acordo.
– Acordo que pode ser quebrado a qualquer momento entendeu Neculai.
– Certamente Lucrétia. Eu quero apenas que os humanos comam na minha mão enquanto domino territórios.
– Sabemos do seu plano Neculai. Sabe que nos o impediremos.
– Conto com isso Ariella.
– Nossa Reunião acabou Neculai.
– Eu agradeço a vocês pela. ah... paciência.
– Lucrétia já foi... Você não vai Ariella?
– Eu quero um pouco mais de tempo.
– Me abraçando assim você parece querer um pouco mais do que "tempo".
– Um dia tudo isso vai acabar. Talvez os celulares sejam apenas uma moda que acabará logo. Já pensou para onde irá Neculai?
– Talvez existam mais comunicações que posso interagir. Quem sabe?
– Você beija bem.
– Eu sou um vampiro. Minha vida foi dedicada a seduzir e a conquistar.
– Você deveria usar mais o lado "seduzir".
– Isso é algo que usamos muito neste mundo.
– Preciso visitar este mundo mais vezes e você também.
– Já que você é um anjo não posso dizer que vou te levar para o céu, mas posso deixar você flutuar sem usar suas asas. Posso deixar você sorrindo sem perceber, posso satisfazer todos os desejos que jamais seriam realizados no céu.
– Como pode ser tão lindo e tão monstruoso.
– Se sou um monstro que atraí anjos como você. Isso me faz ser um monstro de muita sorte.
– Suas mãos são tão fortes.
– Eu gosto de agarrar bem uma oportunidade.
– Seus olhos, brilhantes e vermelhos. nem os homens e nem os vampiros tem todo este encanto.
– Sou único e posso ser seu.
– Não fale mais. Sua voz está me deixando fora de controle.
– Perca seu controle. Sempre quis conhecer um anjo descontrolado que me levasse ao caminho do prazer absoluto.
– Eu o levarei para onde nenhum anjo levaria.
– Estou sentindo isso. Quero caminhar devagar. Nada de atalhos.
– Será uma longa viagem. Eu prometo. Nada de GPS. Será só nós dois.
– Mostre-me. Estou sentindo a energia desta aventura pulsando forte.
– Sente a energia Neculai? Ela toda querendo ser sua.
– Completamente. Estou sentindo passo a passo.
– Sim! Lentamente. Essa energia que sente vai lhe dar mais tempo para ficar na terra sem voltar para o seu aparelho.
– Um presente de um anjo... é sempre... bem-vindo.
– Energia... Ela nos faz... vivos... Como é bom... viver.

...

– Contagem regressiva para o Programa do Neculai.... 5... 4... 3... 2... 1...

– Começa agora o programa do Neculai. Eu sou Solange Pen.
– E eu sou Marco Tong.
– Hoje uma notícia que chocou toda a cidade, o país e o mundo.
– Sim Solange. O vagão que sumiu com os Comodistas junto.
– Muito triste mesmo Marco. O Neculai está desolado com o acontecimento. Ele está tomando providências e ajudando a polícia junto com os Vigilantes para encontrarmos rapidamente os culpados.
– O caso está em toda a mídia. Pelo que os Padres estão dizendo, isso foi obra dos demônios.
– Gente! Eu nem sabia que os demônios existiam.
– E existem sim viu Solange. Pelo visto eles estão também atras dos Comodistas.
– Os padres estão fazendo uma reunião hoje para que todos possam se proteger de alguma maneira.
– Eles vão fazer um encontro com a população e logo vamos passar a data e o local. O Neculai também vai ajudar.
–  Este vampiro não é demais gente! O Neculai se importa com a população. Ele está ajudando como pode. Isso sim é um salvador. Não é Marco?
– Falando em Salvador Solange. Você ai de casa. Já adquiriu seu carnê de Proteção? Olha o que aconteceu com os Comodistas que não puderam pagar. Não deixe que a sua família passe por isso. A segurança da família é a coisa mais importante do mundo.
– Isso Mesmo Marco. adquiram o carne do Amigo Salvador Neculai e garanta uma boa noite de sono para você e sua família.
– Vamos agora para um rápido intervalo e já voltamos.
– Neculai! Neculai!



Por: Adriano Siqueira




sábado, 4 de abril de 2015

Aokigahara: A Floresta dos Suicidas

sexta-feira, 3 de abril de 2015

A Matéria do Desespero



A Matéria do Desespero
Um jornalista conhece o vampiro Neculai


– Neculai! A matéria que estava esperando do jornalista Carlos Tecla está no jornal.
– Obrigado pela informação Deise Day. Eu vou aparecer em segundos. Pegue o meu roupão e deixe no meu quarto junto com o celular. 
– Posso ler ao seu lado e te admirar? 
– Sim! Eu permito.
– Quero olhar para você e admirá-lo meu querido e eterno vampiro.
...
– Pode entrar Deise eu já estou na cama.
– Que pena que já está vestido Neculai.
– Leia a matéria para mim Deise. Estou curioso, embora eu já saiba o que está escrito.
– Sim meu idolatrado vampiro.


" O Dia que conheci o Neculai - por: Carlos Tecla
Ser repórter por muito tempo, no meu caso há trinta anos, nos deixa aquela lembrança de que o jornalismo produzido em jornal tenta antecipar os acontecimentos do cotidiano. Eu gostaria ue fosse verdade e assim eu poderia ter evitado tudo que aconteceu na noite de ontem. Eu fui chamado pelo meu editor a fazer uma entrevista com Thomas Battlefield, um grande lutador de uma liga chamada LDR que estava se iniciando no Brasil. Esta liga é sobre lutadores desconhecidos da mídia e eles se encontravam em um local divulgado apenas por algumas pessoas para lutarem até vencer. O nome desta liga era Luta De Rua e assim se formou o LDR Brasil. Thomas era o grande lutador e a platéia era da mídia alta e média. Os ingressos custavam três mil reais. O jornal onde eu trabalho denunciou Thomas por ter assassinado um dos lutadores. Um dos reporteres novatos foi investigar esta luta e acabou presenciando o assassinato, denunciando o lutador que fugiu em seguida. O Editor recebeu uma ligação sobre onde estaria o Thomas e fui escolhido por ele para fazer uma matéria para tentar se defender. Eu disse ao editor que era loucura. Que certamente Thomas iria me matar pois foi o nosso jornal que denunciou o seu assassinato mas meu editor disse que ele só queria mostrar sua inocência e que o nosso jornal ganharia muita popularidade com este furo jornalistico e então eu aceitei a proposta. Quem é jornalista sabe bem que, se a gente não for na frente, perdemos espaço para outros jornais e então liguei para o Thomas e em uma extensa pesquisa li tudo sobre ele. Li tanto que em cada pergunta que eu anotava para fazer anexava mais três perguntas dependendo da resposta que ele daria. Seria uma entrevista perfeita. Seria eu disse. Quando cheguei no local marcado fiquei com medo. Era escuro e dentro de um imóvel abandonado. Tinha muita poeira e entulhos de construção. Confesso ao leitor que eu olhava cada pedaço de madeira encontrado para me defender caso algo desse errado. Eu não sabia lutar mas eu sabia que uma paulada na cabeça doia. Já levei muitas pauladas na minha carreira e todas doeram bastante deixando muitos galos na minha cabeça. O Thomas me esperava. Ele era muito grande e devia pesar uns 120 quilos. Estava sorrindo, olhava para mim de uma forma muito assustadora. Mexia as mãos e os braços. Eu achei um pouco incomum está atitude já que eu ia só fazer perguntas e não lutar com ele. Talvez fosse algo natural de seu jeito, mas fui em frente e quando peguei o celular para colocar em modo de gravação e coloquei as mãos no bolso para retirar meu pequeno caderno para fazer as perguntas senti o seu primeiro empurrão seguido de um soco no estômago. Ele sorria e dizia que eu pagaria por tudo que o jornal fez com a carreira dele. Eu fiquei no chão, gemendo de dor. Ele foi até mim. Puxou meu cabelo levantando a minha cabeça e disse que ele daria pancadas doloridas mas que não me fariam desmaiar pois queria que eu aguentasse por muito tempo e sentisse toda a dor que ele podia me causar. Eu nunca conheci um homem tão cruel e furioso ao ponto de espancar alguém como eu que mal sabia lutar e tinha a metade do seu tamanho e peso.e o dobro da sua idade. Eu não iria aguentar nem mais um soco dele. Eu apenas assistia a sua furia quebrando tijolos e madeiras que estavam naquele local. Xingava o meu jornal, colocava as mãos na cabeça e dizia que sua vida tinha sido destruída por nossa causa. Eu estava com uma fera enlouquecida e não conseguia me mover atento aos próximos golpes que eu achava poder me defender, mas era claro que isso seria impossível. Logo tudo estaria acabado e eu seria a matéria do jornal como o jornalista estúpido que tentou fazer uma matéria sozinho e desarmado com um assassino. Foi quando vi o celular. Eu poderia pedir ajuda. Poderia ligar para o jornal ou para a policia. Estiquei a mão para tentar pegá-lo. O celular estava perto era só me esticar e eu conseguia. Mas meu medo era tanto que eu só olhava para ele. Imaginava que ele iria até mim. Talvez com um impulso da mente. Era um poder que eu queria ter naquele momento. Thomas se aproximou. Bateu minha testa duas vezes em uma madeira que estava perto. Fiquei tonto com muita dor. Senti o sangue correr em meu rosto. Dizia para ele não fazer isso mas ele só ria e gritava para me calar. Fiquei mais perto do celular. Eu o segurei. Estava no modo silencioso. Vi que alguém estava me ligando. O número era desconhecido. Apertei para atender. minha voz quase não saia. Quando Thomas me viu segurando o celular ele veio correndo em minha direção e eu só consegui dizer. – Alô! Me ajude! Uma sombra apareceu na minha frente entre eu e o Thomas. Um homem, sem roupas, com os olhos vermelhos e um estranho sorriso me disse com uma voz muito grossa para eu ficar onde estava e me abaixar. Eu não pensei duas vezes. Não conseguia olhar. Ouvi gritos horríveis e escutei barulhos de ossos quebrando e roupas sendo arrancadas. Sentia o sangue do Thomas ser jogado por todo o local. Escutei risos e comentários confusos. Minha cabeça não estava nada boa. Não conseguia me concentrar direito maseu podia jurar que aquele homem gostava do que fazia. Era natural para ele. Conversava naturalmente enquanto quebrava os ossos do lutador. Lembro de algumas piadas que ele disse. do tipo "– Olha! Consegui colocar a sua mão esquerda no seu cotovelo esquerdo!" Ele se sentia em casa fazendo aquilo. Logo em seguida ele ficou sério e me chamou. – Carlos! Meu nome é Neculai! Não precisamos de pessoas como o Thomas! "– Minhas ações pareceram ser violentas, mas eu apenas acelerei o que o destino estava guardando para ele." Olhei para o que havia restado do corpo de Thomas e quando olhei novamente para o Neculai ele já havia sumido. Esta foi a minha história sobre como conheci o Neculai, - Matéria produzida por Carlos Tecla."


– Parabéns meu querido Neculai! Você é um herói! Meu herói e de todos nós! Estou muito feliz com a matéria. Vai mostrar que você é o que o povo precisa. 
– Carlos fez um bom trabalho. 
– Toc Toc. 
– Olá Evandro. Pode entrar!
– Neculai. Esqueceu de dizer para o Carlos que foi você o cara que convenceu o editor e enviá-lo para a matéria. E foi você também que convenceu o Thomas de se vingar pela matéria em troca de abrigo.
– Evandro. Por que você sempre quer estragar o final feliz?
– Porque eu só vejo sangue e desespero no seu futuro. 
– Algo que vocês vão achar interessante. Vejam a outra matéria do Carlos.
– Aquela do vagão do metrô que sumiu em pleno dia? Foi o Carlos que fez está matéria também?
– Sim Deise. A polícia disse que eu estava envolvido mas o Carlos me defendeu. Como ele fará em todas as matérias.  
–  Você é bem esperto querido Neculai, Não acha Evandro?
– Eu só tenho onze anos, mas posso dizer que muita gente ficou desconfiada por vários motivos. O vagão que sumiu tinha sido reservado para os "Comodistas" Os que não pagavam o seu carnê. Neculai sugeriu para que eles ficassem no último vagão para serem protegidos gratuitamente e depois que eles foram colocados educadamente pelos Vigilantes do Neculai nos seus devidos lugares os Vigilantes saíram do vagão fecharam as portas e quando o metrô partiu para a outra estação. Faltava um vagão. Era justamente o último e por coincidência era exatamente onde estavam os "Comodistas". Neculai. Mesmo com um jornalista dizendo para todos que você não foi culpado, certamente a mídia vai falar muito deste caso.
– Muito bom Evandro. Por isso você está aqui do meu lado. Quando tiver a minha idade você será...
– Morto? Não obrigado! Tenho muito o que aproveitar ainda. Mas me diga Neculai. Como vai reforçar que você é inocente e o que realmente aconteceu com o vagão e as pessoas que estavam lá?
– Você é o adivinho nesta história Evandro. O vagão foi encontrado em um túnel entre uma estação e outra. Estava Vazio, mas isso é outra história. Eu tenho que ir. Deise. Mande parabéns para a Karina pelo trabalho que ela fez. 
– Sim Ela foi perfeita. Isso responde sua pergunta Evandro?
– Completamente.



Por Adriano Siqueira.

terça-feira, 31 de março de 2015

O Desespero vem para o Jantar


O Desespero vem para o Jantar
O vampiro Neculai encontra um novo sedutor da internet 

– Alô!
– Ele não virá para o seu jantar Verônica.
– Quem está falando? Quem não vira?
– Meu nome é Neculai. Estava me referindo ao Claudiney o homem que está esperando ansiosamente neste restaurante. 
– Como tem tanta certeza que ele não vai vir? É amigo dele?
– Não sou amigo. Mas neste exato momento ele está roubando a sua casa.
– Como assim? Tem algo estranho nesta conversa. Preciso ligar para ele.
– Claudiney não vai atender. Ele sabia que você viria ao seu encontro e você passou o endereço da sua casa para ele nas suas conversas na internet e ainda disse que não tinha cachorro. Você disse a ele que morava sozinha. Ele armou de encontrá-la só para roubar a sua casa. 
– Isso não é possível. A gente se conhece faz um bom tempo.
– Só pela internet. Ele é um ladrão bem conhecido. Gosta de conhecer mulheres ingênuas.
– Eu não sou ingênua. Tenho o endereço dele também. Já falamos por celular.
– Ele se aproveita de pessoas assim. Pega a confiança da pessoa e depois tira tudo que ela tem. 
– Como? Como ele pode?...
– Sei que você é uma mulher muito influente com a politica. Sabe muito bem fazer um cara conhecido ser até um presidente.
– Eu me conheço bem. Não precisa dizer o meu currículo. 
– É uma mulher que pode mandar no governo quando quiser mas infelizmente é solitária. Os homens tem medo de você. Por isso procura na internet alguém que possa ser o que você precisa. 
– Isso também não é novidade Neculai, mas no momento estou preocupada com a minha casa que aquele ladrão está roubando.
– Não se preocupe com ele. Eu darei a ele bons modos por quebrar sua confiança. 
– Mas... quem é você? 
– Neculai adora fazer amigos. 
– Escutei gritos? Que está acontecendo ai? 
– O Gatuno do Claudiney não consegue engolir tudo que ele roubou. Só um segundo...
– Mas que barulhos são esses? 
– Acho que ele engasgou com o seu troféu de ouro. Ja resolvo isso;
– O quê? Ele roubou meu troféu? Que desgraçado. Ganhei na Faculdade.
– Os anéis e colares desceram facilmente mas esse troféu está... bastante... complicado... Pronto. Agora vai! Engole logo!
– Meu Deus! Esse troféu é do tamanho da minha mão. 
– Pronto, Pronto... Engoliu e está quase em desespero. 
– Ele engoliu minhas joias?
– Estou tentando tirar agora mesmo só estou bebendo o sangue dele pois está delicioso.
– Agora lembro do Senhor. Neculai o assassino que está sendo aclamado por todos. 
– Confesso que sou bem conhecido Verônica. Pronto... Claudiney não engana mais ninguém.
– Eu confiei tanto nele. Como pode fazer isso comigo. 
– Isso acontece Verônica. Você não foi a primeira vitima, mas agora é a última.    
– Não deixe minhas joias com ele.
– Já estou tirando. Vou lavar e ficará novinho. 
– Não sei bem se quero usá-las novamente.
– Posso levar para a Deise então. 
– Quem é Deise? Sua amante?
– Uma amiga. Ela adora meus presentes. 
– Neculai. Você me fez rir depois de toda esta tragédia. 
– Eu sou um cara bastante divertido Verônica. O pessoal reclama um pouco no começo mas depois tudo termina em festa. 
– Você tem mesmo um estilo bem estranho de chamar para uma conversa. Por que não vem aqui e tomamos algo já que o meu jantar foi cancelado.
– Coloque o celular debaixo da mesa. 
– Tudo bem. Depois de tudo que aconteceu hoje, qualquer coisa agora seria uma surpresa agradável.
– Olhe para baixo.
– Oh meu Deus? Você Você esta aqui e... e... 
– Sem Roupas. 
– Era isso que eu ia dizer. Não saia daí. Vou ver como resolvo isso. Já volto.
– Seja breve. É constrangedor. As vezes me pergunto porque não inventaram uma roupa para um vampiro como eu. Viajar pelo celular já é complicado.  
– Pronto! Vista isso!
– É uma roupa de Garçom Verônica. 
– Era o que eu pude arrumar. Disse que meu marido se molhou. 
– Fui promovido a marido debaixo da mesa.
– Seja rápido Neculai. Os garçons já estão olhando.
– Já colocou uma calça por debaixo da mesa?   
– Só tirei.
– Entendo. Bom eu já estou vestido. Agora vou levantar e me sentar.
– Uau! Neculai!Você é um gato. 
– Eu sei o que sou. Um morcego, um lobo, uma coruja, mas não um gato.
– Não importa. Obrigado por fazer companhia. Não esperava que o Claudiney fosse um ladrão.
– Você não está com medo de mim?
– Deixa ver... Seus olhos, sua boca, seu corpo... Não estou com medo. Estou com fome. 
– É uma mulher de muitos desejos Verônica. Também tenho os meus.  
– Então bem-vindo Neculai. Eu sou o que você precisa para ser o que quiser no governo. 
– Façamos um brinde. E que nossa união seja bom para a Nação.
– Tim Tim.
– Que bom que este restaurante tem uma TV. Meu programa já vai começar.

...

– Começa agora - Programa do Desespero com os apresentadores Marco Tong e Solange Pen.
– Sei que vocês devem estar achando estranho ver que estou aqui no meio do palco do programa, de joelhos, enquanto Marco Tong aponta uma arma para mim. Eu vou explicar. Existem milhares de brasileiros hoje que estão passando por isso neste momento. A violência está sendo comum a cada dia e ficamos exatamente assim, de joelhos. Esperando que apareça um amigo salvador. Por isso, você aí do auditório. Você aí de casa compre agora o carnê do Amigo Salvador Neculai. Esse carnê garante a sua segurança. Não é Marco?
– Isso mesmo Solange. Deixe-me ajudá-la a levantar. O carnê vem com adesivos para colocar na porta da sua casa e já sabem né? Custa apenas um salário mínimo. E tem a proteção dos Vigilantes do Neculai. Olha só que maravilha heim Solange. 
– Pois é Marco. E os Vigilantes do Neculai estão aumentando a cada dia. Lembre-se que nesta época de crise o emprego fica cada vez mais difícil e por isso o carnê paga o salário destes Vigilantes. Por isso a sua ajuda é imprescindível para manter a segurança do seu Bairro, da sua Rua. Mas tem Comodistas que não estão colaborando...
– É muito triste isso Solange. São pessoas egoístas que só pensam nelas e não estão adquirindo o carnê e nem pensam em pagar estas pequenas prestações. Mas estamos de olho neles. 
– Sim Marco. Graças a ajuda de vocês, já sabemos quem não está colaborando e pedimos para que tomem cuidado, pois pode aparecer um ladrão a qualquer hora e ele vai acabar com toda a sua família em poucos minutos e depois não terá como se arrepender pois já será tarde demais. 
– Compre o nosso carnê e garanta a sua segurança. Vamos para um intervalo e já voltamos.
– É isso mesmo gente! Daqui à pouco voltaremos. 




Por Adriano Siqueira