segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Balada Noturna - Contos de Vampiros - por Adriano Siqueira




Balada Noturna
por Adriano Siqueira


Márcia era uma vampira odiável, as suas duas amigas vampiras a temiam. Geralmente elas se metiam em encrenca por sua causa. Mas esta noite, ela prometeu que iria se comportar. Ficaram quase uma hora dentro de uma casa noturna sem ter nenhum problema. Até que ela começou a achar que tudo estava um tédio. Márcia começou a ficar inquieta. Isso era sinal de que ela estava procurando barulho. Ela não queria perder a amizade das suas amigas ela só queria se divertir um pouco.
— Meninas. Me esperem lá fora. Vou pedir mais uma bebida e iremos para outro lugar mais agitado. Não fiquem preocupadas!
Márcia foi até o bar que ficava ao lado da pista de dança. Olhou para as pessoas que estavam encostadas, até o garçom perguntar o que ela iria beber.
— Uma vodca, sem gelo.
O garçom se abaixou para pegar a garrafa de vodca, quando escutou o barulho dos socos, e das cadeiras e garrafas sendo atiradas no balcão. Ele ficou abaixado tentando entender o que acontecia. Mas ele só conseguiu ouvir:
— Vamos matar a maldita!
Quando se levantou, tinha muita gente machucada e alguns mortos... mas a mulher que estava no balcão olhava como se nada tivesse acontecido.
— Qual é garçom? Cadê minha vodca?
— Márcia. Tá na hora!
— Ela segurou o garçom pelo colarinho e o levantou um metro do chão.
— Quero a minha vodca agora!
Ele suou muito quando viu mais duas mulheres discutindo com a Márcia.
—Você prometeu Márcia! Já chega! Acabou!
—Quem são vocês para mandar em mim! Ou vocês são minhas amigas ou não são nada!
Márcia solta o garçom, que cai, sua camisa absorve o sangue do chão. Ele ainda escutou ela falar.
—Ah, meninas. Eu estava só brincando. Somos amigas!
Márcia abraçou as duas e finalmente, elas saem do local.

Mais tarde o Sangerto Henrique estava colhendo o depoimento do garçom.
... E essas foram as suas últimas palavras.
— Tudo bem! Pode ir para casa.
O sargento Henrique anotou o seu depoimento e seguiu para casa. Foi uma longa noite. Ele estava cansado. Quando chegou em sua casa, ele reparou nos sapatos de salto alto jogados no chão da sala. O sangento pegou a sua arma e foi ao único lugar que estava fazendo barulho. O banheiro. O chuveiro estava ligado.
Abriu a porta lentamente e viu as cortinas de plástico transparente que monstravam apenas a silueta do corpo e os cabelos ruivos. Ele reconheceu bem aquelas curvas insinuantes. Guardou a arma. Henrique era solteiro e em toda a sua vida, nunca tinha visto uma mulher com curvas tão perfeitas.
Os olhos da mulher finalmente se direcionaram para ele. Por algum tempo, os dois não disseram nada. Apenas o sorriso daquela mulher fez Henrique aproximar e dar um beijo demorado. Ela respondeu ao beijo com ansiedade e tirou a roupa de Henrique, quase arrancando. Sem paciência para botões e zípers. Eles se amaram no resto da noite.

Eram cinco da manhã. Henrique olhou novamente aquelas curvas. A mulher vestia-se com roupas que lhe caiam perfeitamente. Os olhos sedutores assistiam Henrique na cama.

— Para alguém de quarenta e cinco, você tem a fome de um adolescente.
— Por você, eu teria essa mesma fome com oitenta.
— Tem certeza que não quer se manter assim pela eternidade?
— Não! A velhice faz com que nossa vida tenha um sentido. Um sentido que só a lembrança pode trazer. E eu quero lembrar de você. Isso sim! Eu quero essa lembrança pela eternidade.
— Eu sou eternamente sua. Essa é a nossa balada noturna.
— Laura! Eu...

Ela desviou os olhos para acertar a calça e respondeu:

— Não posso, Henrique... Por favor, não me peça.
—Ela matou 22 pessoas! Quem sabe quantas mais ela vai matar só para se divertir?
— O destino dela está marcado. É só uma questão de dias... Meus amigos logo irão pegá-la.
—Eu a quero, Laura. Não importa a lei de vocês. Ela matou muita gente. Você pode ser a próxima. Se ela souber que está comigo. Um humano. Ela pode...
—Silêncio! Não fale mais... Nada vai acontecer. Abrace-me.
—Antes de ir... Não se transforme em morcego. A vizinha passou mal do coração quando viu um morcego voando por aqui. Ela quase chamou os bombeiros.
—Pode deixar. Serei mais discreta.
Ela soltou a mão de Henrique e correu para a janela. Ela saltou mas, quando chegou ao chão, seu corpo tinha outra forma. Coberto de pelos e com patas enormes ela, transformada em lobo, passou pela janela da vizinha e uivou com toda a fúria. Desesperada a vizinha gitou.
— Socorro! Um lobo no meu jardim!

Henrique, da janela, apenas sorri.

Sete horas da manhã. A delegacia liga para Henrique e ele recebe a descrição de uma mulher de cabelos ruivos assassinada em uma rua na cidade.
Ele corre para o local. Muita gente ao redor. Ele faz com que todos se afastem, até que chega perto do saco preto que cobria o corpo. Ele dizia para si mesmo... Não pode ser ela... Não ela...
Mas as preces não adiantaram. Lá estava Laura. Com quatro galhos de árvore transpassados pelo corpo, e uma palavra tatuada pelo corpo... Traidora...

— Oh meu Deus! Não... Laura!

Desesperado, ele arranca os galhos do seu corpo tentando conseguir uma chance de fazê-la voltar à vida. Tinha que voltar. Mas seu corpo ficou muito tempo exposto ao sol. Ela jamais voltaria...
Os policiais, amigos do sargento, arrastam-no para fora dali.
À noite, o sargento estava caído em um canto do seu quarto. Muitas garrafas jogadas pelo chão, junto a sua farda e insígnia. Ele chorava, mas não existiam lágrimas. Apenas suor...
Ele sabia que ela logo estaria ali para matá-lo. Ele até estava pensando em se render... Nada mais importava. Ele só queria estar com a Laura.
Os vidros da janela explodem, os estilhaços atingem Henrique em cheio. Ele se protege com os braços. Ouve muitas risadas. Aos poucos, ele toma coragem e vê na janela três mulheres. A mulher alta de cabelos negros que estava no meio disse:

— Eu sou a Márcia! A mulher que marcou a sua amada eternamente! Não vai me convidar para entrar?
— Maldita! Certamente sua fraqueza a convites ainda permanece. Acha que tenho medo de vocês? Pois olhe bem para mim... Entre... Entre e morra como deve.

Ela acha sua atitude patética. Dá um sinal para as amigas esperarem do lado de fora. Afinal, nada pode feri-la. Muito menos um humano.
Sem pensar e cheia de confiança, ela entra pela janela. Quando pisa no chão, ela sente o chão descer... Tenta pular para o lado, mas o barulho que vem de cima e chama a sua atenção. A cama de casal presa no teto se solta. A principio ela sorri, pois sabe que seria inútil contra seus poderes. Porém, embaixo da cama, existiam muitas estacas pontiagudas amarradas com espinheiros, que se enroscavam a várias tranças de alho.
Ela agonizava de dor. Suas mãos suplicavam para que ele a tirasse de lá.

— Você não tem ideia do quanto eu a amava.

Henrique pegou uma garrafa de vodca e umedeceu um pano. Passou um pouco em sua testa e depois tomou um bom gole.
Colocou o pano na boca da garrafa e acendeu. Ela gritava tentado escapar.

— Aqui está a sua vodca.

Henrique joga a garrafa na cama, explodindo em chamas.
Ele fica olhando seu corpo queimar. Depois, olha para a janela e se prepara para lutar com as outras vampiras, mas para sua surpresa, elas olham com respeito e logo em seguida, desaparecem.



Por Adriano Siqueira

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