Livro Luar de Sangue da autora Dione M. S. Rosa

Livro Luar de Sangue da autora Dione M. S. Rosa
Livro que pode ser adquirido diretamente com a autora - clique no banner para conhecer o blog da autora.

domingo, 27 de novembro de 2016

Eu, você e a Naty Vamp a Vampira - contos de vampiros - por Adriano Siqueira




Eu, você e a Naty Vamp a Vampira
Por Adriano Siqueira


─ Eu duvido que você pegue esta bola agora Fábio.

Sofia coloca a bola no chão, dá cinco passos para trás, olha para o Fábio e para Luiz e chuta com toda a força. Fábio era o goleiro. A bola estava vindo em direção ao gol. Ele corre em direção a bola mas é empurrado por Luiz caindo e comendo poeira. Luiz cabeceia a bola que vai direta para o gol.
Fábio se levanta com a cara cheia de poeira, enquanto Sofia e Luiz ficam rindo da cara dele. Sofia para de rir, tira a camisa que estava enrolada na cintura de Luiz e... Antes que ele diga algo ela corre até Fabio e limpa o rosto dele. Depois, dá um beijo no rosto e retorna para o Luiz que pega de volta a sua camisa suja e fica
murmurando palavrões. Sofia beija a sua boca e sai correndo. Ele corre atrás dela. Fabio fica assistindo o casal se divertir. Ele pega a sua bola e fica pensando porque a Sofia escolheu o Luiz como seu namorado e não ele. E por que ele tinha que ficar sempre perto deles?
Até quando ele iria segurar este segredo? Talvez ele devesse contar para o amigo e cair fora disso tudo... Mas Fábio estava tão envolvido em seus pensamentos que nem percebeu a presença de uma estranha.

─ É noite!
Fábio quase coloca o coração para fora da boca, quando viu quem era
fica muito zangado.
─ Mas que diacho Naty Vamp! Você me deu um tremendo susto.
─ Eu... Desculpe Fábio... Mas desde que eles começaram a namorar, você vive fora de órbita. Conta logo para eles que você está apaixonado por ela e sai disso tudo.
Fabio olha surpreso Naty Vamp e pensa... Será que todo mundo percebeu isso? Ou será porquê ela é uma vampira e tem certas percepções mais aguçadas do que os humanos. Antes de continuar este assunto ele ressalta.
─ Sou humano. Meus defeitos, as minhas maneiras resolver meus problemas não é da sua conta.
Naty Vamp dá um sorriso e responde:
─ Este é o Fabio que conheço. Sempre se enchendo de problemas só para bancar o ocupado.
Fábio jogou a bola na direção da Naty Vamp mas ela some deixando apenas, um pouco de fumaça.
Que droga! É isso que se ganha por salvar uma vampira. Uma versão imperfeita de "Jeanne é um Gênio".
Ela reaparece na frente dele...

─ Não sou tão ruim assim... É que vocês... Humanos! Complicam demais.
─ Leia bem os meus lábios Naty Vamp. - Isso não é da sua conta!
─ Não quer nem saber quem é o culpado?
─ Como assim? Tem culpado? Se têm algum culpado. Sou eu!
─ Já vi que você nunca vai ser um guru sentimental. Vamos pegar a sua bola de exemplo.

Fabio entrega a bola para Naty Vamp. Ela segura e brinca jogando de uma mão para a outra.

─ Então está bola é você... O gol é a Sofia e quem chuta é o Luiz.

Fábio fica escutando impaciente enquanto Naty Vamp posiciona a bola para chutar.

─ Luiz está muito confiante nesta jogada. O gol está apenas a três metros de distância e não existe nada que o detenha de conquistar a vitória. Ele esta tão certo que se esquece de algo terrível.
─ O que é? O que é? Fala logo!

Naty Vamp dá dois passos para trás e chuta a bola com muita força. A bola explode ali mesmo... Fabio cai sentado e fica olhando a sua bola completamente destruída.

─ É ou não é algo terrível?
─ Minha Bola!!! Você explodiu a minha bola!
─ Isso se chama destino Fábio. E destino é algo que, vocês humanos, nunca contam. Naty Vamp!! Você não precisava destruir a minha bola para me dizer isso!
─ É que eu gosto de causar impacto! Além disso, queria mostrar para você que eles estão juntos por causa disso. Destino. Pode ser difícil de você entender agora, mas um dia, vai saber porque as coisas são como são.

Fabio fica sentando e começa a fazer caminhos na terra com os dedos.

─ Sabe Naty Vamp. Eu só queria estar no lugar do Luiz agora. Só para tê-la em meus braços.
─ Não seja egoísta? E eu? Quem me salvaria? Sei que sou forte e que tenho muitas vantagens sobre os humanos. Mas se não fosse a sua humanidade e compaixão eu seria desintegrada pelo sol. Isso já faz um ano. Você nunca me perguntou como eu fui parar no meio deste campo de futebol as cinco da manhã? Eu estava junto com mais duas vampiras e lutava com dez caçadores poderosos. As minhas amigas foram destruídas mas eu consegui agüentar até o final. Foi quando eles viram que eu não tinha forças para fugir do Sol e me deixaram aqui... Neste campo... Para morrer. O destino sorriu para mim quando trouxe você e quando me levou para a sua casa fiquei protegida. E consegui me reabastecer até a noite. Eu sempre serei grata. Por isso sempre vou estar perto de você. Eu aprendi uma lição naquele dia. Mesmo o ser mais insignificante do mundo sempre nos surpreende com algo que chamamos de compaixão. Isso sim! Meu caro Fábio. Um dia vou aprender como se conquista isso.
Naty Vamp beijou levemente a boca de Fábio e desapareceu em uma grande névoa branca.
Na manhã seguinte. Sofia vem a sua procura. Ela toca a campainha.
Fabio dá uma olhada pela janela e fica surpreso quando a vê na porta.
A Sofia na casa dele? Nem dava para acreditar. Agora sim ele começa a acreditar em destino. Ele se arruma em um minuto e corre para abrir a porta. Ela olha para ele e dá um leve sorriso.

─ Posso entrar?
─ Claro Sofia.
─ Rapidamente ele liga o rádio e sintoniza na estação que ela gosta.
─ Eu adoro essa rádio!
─ É... Eu sei... Mas o que a trás por aqui.
─ Eu quero te dizer algo... Ontem... Eu e o Luiz terminamos.
─ Mesmo? Terminaram? Acabaram? Romperam?
─ Isso mesmo Fábio.
─ Por que?
─ Ele achou que era melhor assim!
─ Ah... Foi ele que terminou.
─ Isso é tão importante para vocês, homens, né? Quem terminou primeiro?
─ Não exatamente. Mas dá a impressão...
─ Impressão de que?

Fábio pensou que ela estava lá porque não queria ficar sozinha e se o Luiz tinha rompido ela certamente iria ficar com alguém para não ficar abandonada ou como dizem.... Encalhada. Mas certamente ela não estava lá por realmente gostar dele. Mesmo com tudo isso passando na mente do Fábio. Ele respirou fundo e continuou falando.
─ Dê nada! Olha... eu não estou muito bem hoje... estou com uma enxaqueca pesada.
─ Espera Fábio. Eu não sabia que estava indisposto... mas...
─ Diga...
─ Eu preciso de você... Você é especial para mim.

Ela senta ao lado dele e acaricia seu rosto.

─ Muito especial.

Fabio se torturava por dentro. Ele estava revoltado com a situação.
Ele não a queria assim. Não desta maneira. Luiz sempre era o cara por cima e ele sempre ficaria com as sobras. Fabio sentiu que seu ombro estava molhado. Ela estava chorando e no ombro dele. Ele a abraçou e limpou as suas lagrimas.

─ Não faz isso não Sofia. Não fica assim.

Fábio se desmonta completamente. Esse era o ponto fraco dele. Alguém que precisa de ajuda e ainda por cima... Chorando.
Sofia olha para Fábio e ele insiste:

─ Diz o que você quer de mim, então!
─ Já disse... Quero que me ajude. Posso contar com você?
─ Claro... Sempre. Peça o que quiser.
─ O que quiser.
─ Isso mesmo... Mas só se parar de chorar. Eu moro em uma área de risco de enchentes.

Sofia dá uma leve risada e logo vai enxugando as lágrimas. Eles se levantam e ela se aproxima dele.

─ Você prometeu...
─ É eu sei que prometi... Estou pronto.

Fabio estava quase explodindo de emoção. Como a sua bola na noite anterior. Essa triste lembrança o fez ficar mais atento a Sofia.
Destino! Destino! Ele lembrou das palavras da Naty Vamp. Isso o deixou alerta. E ele ficava pensando.... Eu disse que faria qualquer coisa. - Minha Nossa por que eu disse isso?
Ela coloca as mãos no bolso da sua calça e tira um envelope. Fabio tenta não escutar o que ela queria dizer. Mas era impossível.
─ Queria que entregasse esta carta para o Luiz.
─ Eu... eu... Não posso! Não posso Sofia... Sinto muito.

Fabio pensava que se existia alguma hora para acabar com estes jogos. Esta hora era agora.

─ Só você pode fazer isso. Por favor Fábio você prometeu. Eu já não sei mais o que fazer.
Sofia começou a chorar de novo. Fabio queria evitar tudo isso mas ele sabia que era tarde. Muito tarde para parar.
─ Pare de chorar Sofia! Eu vou! Eu entrego esta carta e depois mas não ache que vou ver você com os mesmo olhos de antes. Para mim você é fraca e não sabe resolver os seus próprios problemas. Eu vou mesmo. Mas não é por você... É por mim. É para acabar com essa relação onde me sinto um lixo.
─ Não Fabio! Você não é um lixo. Você tem razão. Sou fraca.

Nunca amei ninguém como amo o Luiz. Ele é tudo para mim. Eu faria tudo por ele.
As palavras da Sofia espetavam como agulhas no Fábio. Mas ele resistia. Ele sabia que logo isso tudo acabaria. Mas aconteceu ali,algo que ele nunca havia imaginado. Estava começando a ter ódio dela.
Um ódio que ele jamais achou que iria sentir. Mesmo assim ele sorriu para ela.

─ Hoje à noite ele estará na casa dele. Por favor.. Eu sei que é pedir demais, mas eu quero saber tudo.. Se ele odiou ou se ele amou receber esta carta... Quero saber tudo. Doa o que doer.
Sofia da um abraço bem apertado no Fábio. Ele a abraça bem forte.
Desejando que muito que aquele momento fosse de afeto e de amor e não de agradecimento, Não por deixá-la usá-lo. Ela para de abraçar e vai ate a porta da saída, olha de novo para ele.

─ Diz que vai me ligar quando você voltar?

Novamente ele lembra de ter sonhado que um dia ela diria isso.
Pediria para ele ligar. Mas neste momento, pela primeira vez. Ele pensou em mandá-la para o inferno. Ele respirou fundo...

─ Vou ligar!

Se você deseja escutar as respostas sussurradas de todas as perguntas que fez por toda a sua vida, ande pelas ruas a noite. Pois é lá, na mais densa escuridão que elas estarão.
Fabio estava andando por mais de uma hora. Segurava aquela carta, com raiva. Passou por muitos bueiros e latas de lixo. Pensou em jogar fora e sumir. Pensou em ler, pensou em mentir na resposta do Luiz,
mas só pensou.

─ Está pensando demais.
─ Ah!!! De novo Naty Vamp? Que droga! Já levei surtos demais para um dia.
─ É eu vi... Acaso isso que está na sua mão é uma carta?
─ É sim! Mas não é da sua conta.
─ Me diz Fábio! Quanto deve se viver... Quantos exércitos devemos enfrentar para chegar a ter uma situação tão embaraçosa como esta que você está?
─ Não enche Naty Vamp! Não me interessa como soube que a Sofia me convenceu a entregar essa carta para o seu ex-namorado, mas o assunto acaba aqui.
─ E você queria ser ele?
─ Ainda quero! E queria que você estivesse no meu lugar só para me ver por dentro agora.
─ Nem preciso. Dá para ver que você está bem sisudo.

Fabio para de andar e olha para Naty Vamp e pergunta:

─ O que eu faço?

Naty Vamp olha para o Fabio Ela sabe que jamais chegaria perto de uma situação dessas. Ela não gosta de jogar, mas quando joga é para ganhar. Ela sabia que Fábio era inexperiente e apaixonado.
Dois problemas que levariam muitos guerreiros a morte. Mas Fabio precisava passar por isso. É parte da vida dos humanos. Aprender com os erros.

─ Vá em frente! Faça o que prometeu. Mas não culpe só ela por estar fazendo isso. Neste jogo é importante saber quem realmente é o culpado. Sabe Fabio... Às vezes aceitar a derrota evita mais humilhação. Você ganha mais tempo para se preparar melhor. E você sabe bem que estes jogos existem todo o dia.
─ Isso não é um jogo! É minha vida!

Fábio não percebe que eles estavam sendo seguido por dois homens bem suspeitos. E eles abordam os dois.

─ Tudo bem com vocês! Tem um real para arrumar para a gente?

Fabio toma a frente e diz:

─ Não tenho não!

Naty Vamp retoma a frente do Fábio e diz.

─ Ele tem sim. Um monte. Olha o tênis novinho dele. E essa camisa ele comprou ontem mesmo.

Fabio levanta as sobrancelhas e fica olhando para a Naty Vamp.
─ Obrigado pelo apoio viu Naty Vamp!

Ela nada diz... Apenas pisca para Fábio.

─ Então o garoto esta escondendo o dinheiro? Isso faz mal para a saúde.

Eu adoro humanos gananciosos! - Diz Naty Vamp indo ao encontro dos dois homens.

─ Então Dona! Vai facilitar para nós!
─ Claro meninos! Que tal um jantar!
─ É! A mulher é cheia da grana!

Um dos homens segura o braço da Naty Vamp e a abraça.

─ Me dá um beijinho...

Naty Vamp segura firme os cabelos daquele homem e morde o seu pescoço. Sem perdão, sem compaixão e principalmente... Sem culpa. O outro homem tenta reagir mas, mal consegue se mover. Paralisado pela frieza de como ela tira a vida do amigo. Ele só gagueja e cai de joelhos e fica clamando pelos nomes de muitos deuses.
Porém ela já estava satisfeita, deixando o pobre homem clamando por sua vida e sanidade.
Naty Vamp olha para o Fábio e ele entende que ela não poderia ficar ali. Ele concorda silenciosamente com a cabeça. Ela manda um beijo e desaparece.
A casa do Luiz já estava bem perto. Não havia muito para pensar. Era algo menor. Chegou a pensar naquele instante que tinha perdido a sua humanidade. Tudo de repente ficou sem sentido para ele.
Quando chegou na casa do Luiz ele bateu na porta e ficou esperando seu amigo aparecer mas, para a sua surpresa, uma enfermeira abriu a porta. Ele ficou preocupado e perguntou onde o seu amigo estava. Ela disse que estava fazendo seu tratamento diário. Ele era portador de uma doença que não tinha cura e ontem os sinais de sua morte estavam aparecendo. Fabio tentou convencer a enfermeira de que era importante mas foi em vão. Ela fechou a porta e ele andou um pouco. Parou se
sentou no chão.
Fabio pensava por que ele havia escondido seu estado para do seu próprio amigo? Esconder da sua própria namorada?
Fabio entendia finalmente o motivo dele acabar o namoro. Ele não queria que eles sofressem. Não queria os amigos por perto com pena.
Defeitos humanos ele dizia:

─ Naty Vamp tinha razão! Vivemos pensando no nosso próprio nariz. Bem que ela disse para não desejar ser outra pessoa. Nós nunca sabemos o que elas realmente são. Somos mascarados. Completamente desconhecidos até para os amigos. E eu... Fui um egoísta.

Ele vê uma ambulância vindo pela rua até a casa de Luiz... Os enfermeiros correm para dentro da casa. Ele volta para ver melhor.
Vê um corpo coberto por um pano branco. A enfermeira e os pais estavam chorando muito e diziam claramente "Luiz se foi."
Eu não pude segurar as lágrimas. A chuva começou a cair e a carta,que estava na minha mão agora estava molhada e borrada. O que estava escrito não tinha mais sentido. Nada tinha mais sentido.


autor
Adriano Siqueira
Postar um comentário

Banner deste blog

Banner deste blog
Contos de Vampiros e Terror

  ©CONTOS DE VAMPIROS - Todos os direitos reservados.

Template by Dicas Blogger | Topo