terça-feira, 24 de novembro de 2015

Paixão pelo Medo - Conto de Vampiro



Paixão pelo Medo

Mauricio estava em seu quarto estudando para a prova de literatura que seria no dia seguinte logo pela manhã. Ele tinha que tirar uma boa nota pois as provas anteriores estavam muito abaixo da média. 
Ele sabia que não teria uma nova chance. Precisava recuperar as notas perdidas. Seria uma longa noite de estudos.
Ele mora no oitavo andar de um prédio na Vila Mascote, um bairro na zona sul de São Paulo. 
Mauricio tem 17 anos de idade. Mora com suas duas mães. Elas são muito bem casadas e ele se sente um garoto de sorte pois elas são muito atenciosas com ele, mas também são exigentes. Querem que o Mauricio estude muito e seja alguém na vida. Hoje, elas estão no Rio de Janeiro na casa dos avós de Mauricio. A mãe Selma é jornalista e nasceu em São Paulo, ela conheceu Regina (a outra mãe) em um show de rock no Rio de Janeiro. Ela é vocalista de uma grande banda.      
O celular do Mauricio tocou e ele atendeu. Era a sua namorada Vivian. Ela gostava muito do Mauricio, mas ele ainda estava indeciso sobre este romance. Quando eles saiam Mauricio parecia estar em outro mundo e deixava a sua namorada falar e falar e ele apenas concordava ou comentava pouco sobre o assunto. Vivian era uma garota atraente, mas Mauricio não se sentia bem. Estava muito preso em seu mundo. Ficava imaginando histórias e mundos diferentes. Queria um mundo mais cheio de aventuras. Uma garota que valeria a pena se apaixonar. Mauricio gostava de viver paixões loucas. O cotidiano para ele era algo terrível e sem sentido. 
— Alô Vivian. Como você está.
— Eu não me sinto bem. Você não me liga. Não manda mensagem. Não conversa comigo. Isso não é um namoro. 
— Eu sei. Desculpe. Estou estudando para a prova de literatura amanhã. Estava concentrado. 
— Você vive concentrando. Não se diverte comigo. 
— A gente foi no cinema no sábado. 
— Sim mas você não falou nada e só me beijou quando me viu e depois só me beijou quando foi embora. Eu não me sinto bem assim. Se você não gosta de mim é só falar. 
— Eu gosto de você Vivian.
— Então diga que me ama. Diga que vai se dedicar para mim. Diga que vai me dar valor. Que me vê como sua namorada.
— E-eu bem. Sim. Eu amo você.
— Isso foi forçado. 
— Desculpe. É que estou com a prova de literatura na minha mente. 
— Mauricio. Faz o seguinte. Fique com seus livros sobre literatura. Eu não vou ficar aqui conversando com alguém que não se importa.
— Mas eu me importo Vivian. É que preciso tirar boas notas.
— Você é o pior namorado que alguém já teve.
— Alô? Vivian? Desligou. 
Mauricio fecha o livro de literatura e olha para a janela e comenta. 
— Acho que a Vivian não vai querer continuar este namoro. Acho que ninguém vai querer namorar comigo. Eu só penso em ter uma vida cheia de emoção. A noite está perfeita para uma boa aventura. Não está chovendo e a lua está cheia. 
Ele olhou para os livros que estavam em cima da sua cama. 
— Mas eu preciso estudar. Que droga. Que vida inútil. Vou fazer um suco. 
Quando Mauricio abriu a porta do quarto. A sua janela explodiu. Ele se jogou no chão e protegeu a sua cabeça com os braços. O impacto foi tão forte que pedaços da janela passaram pelo corredor do apartamento e chegaram até a sala. Era uma distância de seis metros até a sala. Ele ficou abaixado. Pensou que o terrorismo tinha chegado no Brasil. Pensou que era uma bomba e continuou naquela posição deitado no chão e com os braços protegendo a cabeça. O silêncio foi invadido por gemidos. Mauricio escutou gemidos no seu quarto. Alguém estava ferido. Ele se levantou com cuidado e foi até o quarto. A janela estava toda destruída. Agora era um buraco na parede do seu quarto. Logo que ele olha para o chão ele vê uma garota toda cheia de sangue e com uma estaca de madeira enfiada em seu peito. Ela estava tremendo e gemendo. Suas mãos tentavam arrancar a estaca, mas ela não tinha forças suficiente para isso. Mauricio se ajoelha perto dela e ela fica olhando para ele e para a estaca. Estava pedindo ajuda. Ele segura a estaca e começa a puxar para fora. A garota começa a gritar. Ele sabe que deve estar doendo muito pois ele sente que a estaca estava raspando as costelas. Ele usa mais e mais força até que consegue arrancar a estaca toda cheia de sangue. e joga para fora da janela. Mauricio fica olhando a garota e ele pergunta.
— Você está bem? Quer um pouco d´água? 
Eram perguntas estúpidas. Mas ele estava nervoso. Não sabia o que perguntar. A janela era no oitavo andar. Ele se perguntava como ela chegou ali. Foi jogada por um avião ou helicóptero? Caiu do céu? E a estaca? Será que a pessoa que fez isso virá atrás dela? 
Enquanto a sua cabeça formava uma pergunta atrás da outra, o interfone tocou. A garota segurou em sua mão e a ela fazia gestos para que ele não atendesse. 
— Calma. Talvez apenas queiram saber se está tudo bem aqui. Muitos vizinhos devem ter ouvido a janela explodir. Eu já volto. Prometo. 
Mas ela insistia para ele ficar. E apontou para a janela. 
— Quer que eu olhe a janela? 
Mauricio se levantou e olhou para fora. Haviam dois carros pretos na rua. Quatro homens apontando para a janela. Alguns falavam por celular. 
— Foram eles que enfiaram a estaca em você.
Ela afirma com a cabeça. O interfone continua tocando. 
— Não saia daí. Eu vou ver o que posso fazer. 
— Alô!
— Tem um homem aqui querendo falar com o senhor. Disse que é urgente. 
— Diga que não vou atender. Peça para ir embora. 
— Só um mom... Bang Bang.
Mauricio escuta os dois tiros e desliga o interfone e corre para o quarto. A garota estava em pé, cambaleando e se segurando nas paredes. 
— Você não está bem. Precisa se deitar. 
Mauricio vê que o buraco do seu peito causado pela estava havia se fechado completamente. 
— Você se recupera rápido.
A garota pega os lençóis da sua cama e vai até a porta. Ela os enrola fazendo parecer uma corda. aporta para a porta. 
— Quer que eu abra? Não! Eles estão vindo para cá. Vão te matar. 
Ela sorri e continua apontado para abrir. Mauricio abre a porta e tenta acompanha-la mas ele é empurrado para dentro do seu apartamento e ela fecha a porta.
— Não pode ir sozinha! Você está ferida!
Mauricio fica desesperado. Ele sabe que ela está fraca e eram muitos homens. Sabia também que depois que eles liquidassem aquela garota ele seria o próximo. Ele vai até a janela e vê que só tem os carros pretos lá. Os homens devem ter entrado no prédio. Antes de tomar alguma atitude o celular toca.
— Alô!
— Oi filho é a Selma. Está estudando muito? 
— Oi mãe. Sim! Claro! Eu... Nossa. 
— O que foi filho? 
— Nada mãe. É uma noite agitada por aqui é só. 
— A Regina comprou um presente para você mas só vai dar se for bem na prova. 
— Agradece a mãe Regina e diga que estou com saudades. 
Crash!
— O que foi isso filho? 
Mauricio olha pela janela e vê um homem do lado de fora segurando o lençol amarrado no seu pescoço. Ele tentava se livrar com as mãos e suas pernas batiam na janela logo abaixo do apartamento dele. 
— Nada mãe. é a TV que está ligada. 
— Olha la heim Mauricio não estude com a TV Ligada. 
Crash! 
Mais dois homens são jogado para fora do prédio e caem até o chão. 
— Abaixa o volume da TV filho. E vai estudar.
— Está bem mãe. Manda um beijo para os avós. 
— Espera. A Regina vai falar com você. 
— Ah. Tudo bem!
— Oi filho.
Crash! 
— Filho? 
— Ah. Oi mãe. Não esquenta com o barulho aqui. É a TV. 
— Está alta mesmo. Cuidado para não ser multado por barulho viu. Os vizinhos não gostam de som alto. 
— Pode Deixar. Guarda o meu presente! Amo vocês.
— Beijo filho. Te amo. 
Crash! 
Os homens eram jogados em vários apartamentos diferentes. Mauricio olha para ver se falta mais algum homem. Mas os gritos começam a aparecer por todo o prédio. Quando o Mauricio chega perto da janela novamente leva um susto quando a garota entra no seu quarto. 
— Você me assustou. Está tudo bem? 
Ela balança a cabeça afirmando que sim.Logo em seguida ela o abraça. 
— Precisa descansar. Deite-se um pouco. 
Ela se recusa. Os barulhos de sirenes invadem todo o bairro. Houve muitas mortes em pouco tempo. Mauricio queria que ela ficasse, mas ele também sabia que ela seria presa que a policia a encontrasse. A garota o abraça e ela dá um beijo na sua boca e depois vai até a janela. Antes dela partir Mauricio pergunta. 
— M-meu nome é Mauricio. Qual o seu? Nos veremos novamente?
Ela olha para ele e responde bem baixinho. 
— Meu nome é Ariane. Nos veremos sim. Boa prova amanhã. 
Mauricio assiste a vampira flutuar e ir na direção da lua. 

Ele sabia que, depois dessa noite, a sua vida iria mudar para sempre.




Por Adriano Siqueira




segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Fator Montese - Parte 11



Fator Montese
Parte 11

Luney e o Cavaleiro Valente estavam a procura de um outro caminhão que carregava um programa com a outra metade do código para completar o Ritual Montese.

— Sei que parece loucura Valente, mas vamos supor que o Neculai consiga recuperar todo este Ritual em forma digital. Acha que ele usaria para o bem?
  
— Luney! Só de olhar para este vampiro, sem ele dizer nada já tenho vontade de enfiar a minha espada no peito dele. Sabe bem que não gosto dos vampiros. São traiçoeiros e eles só querem o nosso sangue. Se eu encontrar este caminhão, pode ter certeza que destruirei este ritual por completo. Já vi como está sendo usado de forma terrorista. Nas mãos do Neculai seria um desastre.

— Você aprecia um bom desafio mesmo né Valente. Uma vez me desafiaram a subir em um prédio na Avenida Paulista na década de 80 eu fui lá e provei para todos que eu podia. Até um conjunto que tocava rock na época me viu em cima do Top Cine e eles tocaram lá. Tem até o vídeo deles na internet. Eu que dei a ideia.
— Acho que você fala muito Luney.
— Falando em desafio. Bom eu tenho um para você.
— Estamos no meio de uma missão.
— É rapidinho.
— Não.
— Te dou uma camiseta nova sem ter a cara do "Neculai para presidente".
— Hum. Qualquer camiseta é melhor que esta. Tudo bem então. Qual é o desafio.
— Vamos roubar um carro.
— O que? A insanidade do Neculai é contagiosa? Que loucura é essa homem?
— Vai ser rapidinho Valente. O carro está aqui perto. Ele está em um exposição que vai abrir amanhã cedo. Temos que tirar o carro de lá. Ele é assombrado. Muita gente pode morrer por causa dele. As crianças gostam de entrar nos carros antigos. Você não iria querer que algo acontecesse com elas não é?
— Luney não seja manipulador como o Neculai. Se o carro é tão perigoso por que acha que deixariam em uma exposição para o público?
— Eles não sabem disso. Eu sei. O carro é do começo dos anos 80. O dono do carro odiava o cachorro que o seu filho tinha. Um dia ele levou o cachorro no carro para passear. Nunca mais viram o cachorro e ele disse para o filho que ele pulou a janela e nunca mais voltou. O garoto cresceu, o pai dele morreu de velhice e ele vendeu o carro do pai. Só que...
— Continue Luney. A história está interessante.
— O comprador do carro morreu dias depois dentro do carro. Ele tinha marcas de mordidas de cachorro por todo o corpo. Nunca acharam o cachorro.
— Um cachorro fantasma?
— É. O carro foi vendido novamente para um colecionador de carros antigos. Um assaltante tentou roubar o carro e morreu do mesmo jeito.
— Esse merecia.
— O colecionador ficou com medo de usar o carro. Ele usa um guincho para levar o carro nas exposições.
— Então ele sabe.
— Ele suspeita. Mas não quer vender.
— Então é só explicar para o pessoal e assim podemos levar o carro.
— Não seja ingênuo Valente. A exposição abre amanhã. Acha que vão emprestar o carro para um passeio?
— Eu posso tentar. Pro que parou?
— Preciso de um acessórios.
— Sim mas você está roubando um jornaleiro?
— Quieto Valente. Me ajuda com a porta.
— Tudo bem.

O cavaleiro Valente transforma a sua espada em um é de cabra e consegue abrir a porta do jornaleiro.
— Está feito. O que está fazendo?
— Estou pegando os jornais e revistas e enrolando eles nos meus braços e pernas. Não quero ser ferido por aquele cachorro. Achei uma camiseta para você. Está como brinde de uma revista.
— A camisa vai só até o umbigo.
— Você disse que qualquer camiseta era melhor do que a do Neculai.
— É desconfortante.
— Vamos logo Valente. Agora não é hora para pensar em moda.
— Essa missão não é exatamente para um cavaleiro como eu.
— Aventuras Valente! É isso que importa.
— Troco por um sanduíche.
— Eu sinto a adrenalina no corpo. Lembra aquelas séries antigas da TV como a Supermáquina ou o as aventuras do Speed Bugg ou Carangos e Motocas ou Mamãe calhambeque.
— Que língua você está falando Luney?
— Pronto Valente. Já chegamos no local. Distraia os seguranças e assim posso pegar o carro. Ah. Não esqueça de esconder sua espada.
Valente se concentra e transforma a espada em um machado.
— Um machado? Brilhante! Ficou muito discreto agora Valente.
O cavaleiro Valente se aproxima da porta principal enquanto o Luney escala uma parede de quinze metros para entrar pelo telhado.  O cavaleiro começa a falar com o segurança.
— Olá meu amigo. Vim ver a exposição de carros.
— Só abre amanhã. Afaste-se por favor! Deixe este machado no chão!
— Calma! Eu sei que só abre amanhã, mas eu queria que soubesse que tem um cara aí dentro que quer roubar um carro e eu queria vê-lo pois sei que amanhã o carro já não vai estar aí.
— Do que está falando?
O segurança avisa outros seguranças para irem até a entrada.
— Senhor espere um momento estou chamando mais pessoas para contar a sua história. Se afaste do machado por favor.
— Mas e verdade o cara vai roubar o carro. Eu só quero vê-lo. Estou curioso.
Os outros seguranças chegam e começam a fazer perguntas. Valente coloca o pé no cabo do machado e a parte da frente do machado voa preso a uma corrente em direção aos seguranças. Valente pega a arma e balança várias vezes até que a corrente prendendo todos os três seguranças.
— Pronto! Fácil! Mas o quê...
Valente tem segundos para se abaixar. O carro passa por cima dele e Breca logo em seguida. Valente consegue subir em cima do carro e escuta o Luney gritando.
— O cachorro está aqui. Ele tentou me morder. Valente tente achar algo no porta malas.
— Achar o que?
— Sei lá... Uma coleira. Ossos do cachorro. qualquer coisa dele.
— Diminui a velocidade.
— Se eu fizer isso o cachorro vai acabar comigo!
— Estou indo! Para de reclamar. Para onde vai levar o carro.
— Para a casa do dono do cachorro.
— Achei ossos no Porta malas. Tem uma espingarda também e estava bem escondida embaixo do forro.
— É isso. O dono do carro matou o cachorro aqui dentro.
— O que vai fazer?
— Argh. Segura.
— Controla essa carro! Eu quase caí!
— As revistas no meu braço estão sendo destruídas pelas mordidas. Não estou conseguindo controlar o carro. Se segura!
— Que noite!
O carro entra com tudo no quintal do dono do cachorro. Ele abre a porta assustado.
— Quem são vocês? Oque estão fazendo com o carro que era do meu pai?
— É uma longa história homem. Seu cachorro ainda está aqui.
— Quando Luney abre a porta o cachorro se torna visível e corre em direção ao seu dono e começa a lambê-lo.
— Dogi! Dogi você está vivo? Que saudade rapaz.
Luney explica para o dono tudo que sabe.
— Ele não está mais vivo. Encontramos os ossos dele no porta-malas junto com esta espingarda . Desde então ele tem assombrado os donos deste carro.
— É a arma do meu pai. Não acredito que ele fez isso. Eu disse que eu amava meu cachorro acima dele. Meu pai queria que eu fosse tão frio quanto ele. Achava que sendo frio eu sofreria menos e seria mais rigido com as pessoas. Ele sabia que meu ponto fraco era o meu cachorro. Levou o Dogi para passear no carro e nunca mais eu o vi. Meu pai nunca me contou a verdade. Espalhei muitos cartazes pela cidade procurando meu cachorro. Chorei por vários dias. Foi por causa disso que hoje sou dono de um canil. E agora Dogi está aqui. Vamos ficar juntos para sempre.
— Você tem que enterrar os ossos do seu cachorro no seu quintal. Assim ele poderá ir em paz.
O rapaz estava chorando, mas ele aceita o pedido do Luney.
— Dogi! Farei tudo para você continuar seu caminho feliz. Me desculpe pelo meu pai. Me desculpe por não tê-lo protegido como deveria. Eu era só uma criança.
O cachorro balança o rabo e late algumas vezes e vai até uma parte do quintal que fica bem perto a janela do quarto do seu dono e começa a cavar um buraco. Ele late novamente antes de desaparecer deixando o rapaz sorrindo com muitas lágrimas.
— Acho que ele até escolheu o lugar para ficar não é? Obrigado por achar meu cachorro. Vou fazer o que pediu.
Valente interrompe.
— Temos que ir Luney.
— Novamente estamos sem carro Valente. Você está bem?
— E-eu... Estou bem. Que o cachorro tenha a paz que merece.
Um carro buzina e eles olham. Era a Alicia Zoom. Ela sorri e convida.
— Carona rapazes? Achei vocês pelo GPS. Que camiseta é essa Valente? Está com o umbigo para fora.
— Foi o Luney que me deu. Ele não entende nada de moda.




Por: Adriano Siqueira

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

O Hotel do Desespero



O Hotel do Desespero
O Vampiro Neculai realiza desejos insanos.


— Alô?
— Olá Juliana Grave. Eu sou Neculai.
— Quem? Que horas são? Eu não conheço você. 
— Conhece sim. Acabou de sonhar comigo. 
— Eu não... São duas horas da manhã... 
— Vim realizar seu sonho.
— O que?... Isso é loucura. olha eu quero voltar a dormir. 
— Você tem trabalhado demais. Fez coisas demais. Agora é a minha vez de fazer algo por você. 
— Neculai. Este nome não me é estranho. 
— Tem um carro preto na frente do seu prédio. A motorista vai te levar para um lugar especial. 
— Está falando sério?
— Veja pela janela. 
— Eu estou vendo. Que loucura.
— Que tal um pouco de divertimento na sua vida Juliana? Não se preocupe. Vou cuidar de você. Quando estiver dentro do carro. Eu estarei lá. Não me deixe esperando.
— Mas eu não... Desligou. Mas quem é este Neculai? O carro está mesmo me esperando. 
...
— Olá motorista. Eu sou a Juliana. Seu carro era para mim?
— Sim! O Neculai está no banco de trás. 
— Ah Sim! Obrigada. 
— N-neculai? 
— Que bom que aceitou o convite. 
— Não sei o que deu em mim. Eu não conheço você e não costumo sair com estranhos.
— Já disse. Você me conhece. Nos sonhos.
— Onde estamos indo?
— Vamos em um baile de máscaras, mas antes...
...
— Você beija tão bem Neculai. Fazia tanto tempo que não saio com alguém. 
— Tem trabalhado demais Juliana. Deixe que o seu sonho se realize. Deixe eu cuidar de você.
— Por que paramos?
— Vamos a um baile de máscaras. Precisamos de uma máscara.
...
— Agora sim você está pronta. 
— Que bom que gostou Neculai. Este lugar é fabuloso. Bem caro, mas tem seu estilo. 
— A máscara está perfeita. E não fale de dinheiro. Vamos falar de sonhos realizados.
— Sempre sonhei com bailes de máscara. Queria dançar toda a noite.
Eu tenho um segredo. 
— Me conte seu segredo Neculai. 
— Eu aprecio beijar olhando para alguém usando uma máscara. 
— Segredo ou Desejo? 
— Me surpreenda Juliana.
...
— Chegamos Neculai.
— Dê uma volta com o carro eu te ligo quando precisar voltar.
— Tudo bem. Bom divertimento. 
— Vamos Juliana. Vamos aproveitar a noite.
— Você manda Neculai.
— Sempre! Ha Ha Ha.
...
— Lugar lindo. Alguns amigos do meu escritório disseram que viriam para cá.
— Eu sei toda a história. Eles queriam vir, mas sem você. Alugaram apartamentos nos andares de cima para terem uma noite mágica e não queriam você por perto. Acham que você é muito workaholic. Isso não foi nada gentil. Uma mulher ativa deveria ser sempre bem querida. 
— Nem todos gostam de pessoas como eu Neculai. 
— Vamos dançar. Deixe o mundo que conhece olhando nossa dança. Hoje a noite é nossa.
— Obrigada por me trazer. Eu queria vir mas sem alguém do meu lado eu não teria como dançar.
— Você tem um segredo não é Juliana?
— Do que está falando Neculai. 
— Gosta de máscaras e sangue.
— Sim. Eu não sei por que estou concordando com isso, eu me sinto tão a vontade de falar com você sobre meus desejos. Sim é verdade. O sangue vermelho no corpo é muito excitante. Em pessoas usando máscara... Excitante demais.  
— Eu estou aqui para realizar desejos. São uma prioridade que pretendo cumprir nesta noite. 
— Mas como meu querido Neculai?
— Você verá Juliana.  Aproveite a dança e depois iremos para o nosso apartamento que reservei aqui.
— Você pensa em tudo Neculai.
— Eu gosto de agradar sempre. Ha Ha Ha. 
...
...
— Chegamos no apartamento que reservei querida Juliana
— Parece com o meu sonho. Você me levava para um quarto...
— Continue Juliana. 
— E-eu não sei se devo. O sonho era tão intenso cheio de...
— Sangue...
— ...e Desespero. Ha Ha Ha. Aqui está a chave. Mas antes gostaria que não acendesse a luz. Tudo Bem?
— Sim Neculai. Deixe apenas a luz noturna iluminar este nosso momento.
— Venha. Deite-se na cama. Segure minha mão. Eu indico o caminho. 
— Seus olhos brilham no escuro Neculai. 
— Sim. Eu posso ver com facilidade no escuro. Deite-se. Coloque a sua cabeça em meu peito. Vou passar minha mão no seu cabelo. 
— Eu estou no sonho. Só pode. Era assim mesmo que eu queria... A cama está um pouco molhada. 
— Sim. como no seu sonho Juliana. 
— Então isso é...
— É. Ha Ha Ha. Eu disse que pensava em tudo.
— Posso beijá-lo Neculai.
— Sim! Eu permito.
— Preciso de você. Quero agora. Sinto que esta cama não tem só nós dois. 
— Como no sonho Juliana. Tem um casal. Mas eles não vão nos atrapalhar. Ha Ha Ha 
— Eles estão?...
— Felizes. Ha Ha Ha
— Eu não me importo. Preciso muito de você agora. 
— Eu e você cercado de muito sangue e desespero.
...
...
— Que dificuldade para estacionar o carro Fábio. Não imaginei que este hotel estaria tão lotado.
— Eu avisei Regina. Hoje é o Baile de Máscaras neste hotel. Valeu a pena a demora. Agora é só tomar um banho e dançar à noite toda. Vou no banheiro. Não tente escapar.
— Engraçadinho. Eu mataria você se tentasse algo. 
— Isso eu duvido. Eu sempre consigo o que quero. Sou irresistível.
— Um perdedor isso sim, mas é melhor sair com você do que a workaholic da Juliana. Como convenceu a sua mulher que iria ao baile de máscaras comigo? Ela não tem ciumes não?
— Ah eu dei um jeito. Não esquenta. Hoje é só eu e você. Minha Tchutchuquinha.
— Para de me chamar assim! Que ódio desse seu jeito estúpido. Vai logo se arrumar. 
— Tem sorte que estou de bom humor Regina. Vou tomar um banho e vou levar a chave do quarto para você não fugir.
— Vai lá. Tomara que escorregue e caia de boca na privada. Tapado.
— Privada é seu modo de vida Regina. 
— Vai logo. Estorvo!  E coloca a toalha quando sair. Não quero rir a noite toda! 
Bzzzz Bzzzz
 — O celular mas quem me ligaria a essa hora? Será que é a workaholic? Alô?
— Eu sou o Neculai. 
— Sou a Regina. Qual é a pizza? Tem um sabor especial aqui. Tapanafuça com garrafada. entrego no local. 
— Ha Ha Ha! Seu bom humor me deixa aliviado Regina. Assim não morro de tédio. 
— Sério Neculai. Que ótimo. Tenho um monte de insultos para um otário como você que fica ligando para garotas indefesas como eu. O que vai ser? vai ficar gemendo e babando enquanto falo te insulto? 
— Não precisa. Antes da uma hora da manhã você vai estar implorando por ajuda.
— Só se for me ajudarem a parar de rir Neculai. 
— Na gaveta do seu lado direito da cama tem uma arma com quatro balas. 
— O que? Nossa! É verdade! Qual é a sua cara? 
— É para você se proteger do Fábio. Sabe como ele silenciou a mulher dele para estar com você hoje?
— Como assim? Ele é uma anta, mas duvido que mataria alguém. 
— Quer apostar? Foi ele que colocou a arma aí. Ele vai acabar com você. Como fez com a mulher dele antes de vir para este hotel. Já atirou em alguém Regina. 
— Para com isso. Vou desligar agora! 
— O celular não desliga. 
— Como não. Droga está travado. Vou arrancar a bateria. Mas que merda é essa? Ainda está ligado!
— Ha Ha Ha. Aposto que está arrepiada agora.
— Eu não sei quem é você, mas pare com isso agora.
— Vai ter que atirar nele. Ele está com a chave. Você não tem como sair. Pensa rápido. Ele já desligou o chuveiro. 
— O que foi Regina? Quem está no celular? Mas que droga é essa? Onde achou esta arma. Me dá isso aqui. 
— Não chegue perto Fábio. Eu atiro. O que você fez com sua mulher? 
— O que? Isso não é da sua conta. Me dá esta arma. 
— Eu atiro. Fala logo. 
— Ela está em casa. 
— Me deixa falar com ela.
— V-você está louca? Se ela souber que estou com você eu estou morto. 
— Vai morrer se não ligar para ela agora!
— Esta bem. Eu ligo. — Alô? Selma? Selma? 
— Ele está mentindo. A arma tem silenciador. Ninguém vai ouvir. Fábio só quer te distrair Regina. Atire! Na perna dele. Agora!
Tunf! Tunf!
— Ahhh! Minha perna. Para com isso! Chama ajuda! Socorro. 
— Quieto Assassino! Se gritar de novo eu atiro na sua cabeça. 
— Não! Não atira! Eu não posso andar! 
— O que ia fazer Fabio? Deixar o meu corpo debaixo da cama? Me jogar na banheira? Você merece morrer! 
— Não! Só queria me divertir. 
— Matando as pessoas? Assassino! 
— Deixe-me cuidar dele Regina.
— O que? Como?
— Pode parar de falar comigo. O desespero do seu amigo me atraiu muito. Eu estou bem aqui atrás de você Regina. Sedento.
— M-mas como? V-você está sem roupa. 
— Vou colocar o roupão. Você não se importa não é Fábio? 
— Quem é você? Ela me atirou na perna. Preciso de um médico agora mesmo! 
— Então você matou sua esposa e foi para o Beije de máscaras. Ha Ha Ha. Parece título de filme. 
— Desgraçado eu não tenho que dizer nada para vocês.
— Nem vai precisar. No momento só quer o seu sangue! Ha Ha Ha.
— Socorro Regina! Atira neste cara! 
— Isso Regina. Sou um vampiro. Atirar em mim só vai estragar a parede do hotel. Agora Fábio. Aproveite o seu final de noite e eu aproveito o resto dela... Ha Ha Ha com o seu sangue. 
— Afaste-se! Não se aproxime! Me ajude! Não!
— Ah. Mas olha só que sabor delicioso todo este sangue e desespero dançando juntos em minha garganta. É um banquete e tanto. Espero que tenha se divertido muito nesta noite Fábio. Regina! Pegue o celular e tire uma selfie com a gente. Todos juntos. 
— Você deve ser algum maníaco. Eu jamais vou fazer o seu jogo. 
 É mesmo? Veja o sangue que está no chão. Sinta o cheiro do desespero. O que você está sentindo Regina?
— E-eu estou... Não sei dizer. Estou suada. está muito calor aqui. 
— Por que não fica mais a vontade? 
— Sim! é isso que vou fazer. Vou me deixar. Preciso tirar esta roupa. Ela esta me incomodando. 
— O cheiro de sangue e desespero está por todo o quarto. Você sente cada momento disso, muito intensamente. Está dominando seu corpo. 
— Sim! Eu preciso de você Neculai! 
— Não sei se devo. Você não me queria. Fez pouco de mim.
— E-eu quero! Me desculpe pelo que eu disse Neculai. Por favor. Venha. Sou sua. Farei tudo que quiser. 
— Temos alguns momentos apenas. Preciso trazer uma amiga para este apartamento. Ela se chama Juliana. Você deve conhece-la como a workaholic. Ela tem uma louca fantasia de fazer amor em um quarto cheio de sangue como no filme Coração Satânico. Você me ajuda?   
— Sim! Faço tudo que quiser! Do que precisa? 
— De Sangue... Ha Ha Ha
— Sim. É todo seu. Venha meu vampiro Venha Neculai. Me...


Por Adriano Siqueira 

SÍNDROME DO ZUMBI - Você Sabia?

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

O Mistério dos Leitores Desaparecidos




O Mistério dos Leitores Desaparecidos
Pode um livro destruir o mundo?


A investigadora Ana Lize estaciona o seu carro no local esperado. Era uma casa bem antiga com o chão cheio de cacos vermelhos como eram as casas na década de 70.  Tocou a campainha e espero por algum tempo. Uma senhora atendeu. Ela foi até o portão e o abriu para a investigadora entrar. Seu rosto mostrava preocupação. Sua neta havia sumido sem deixar pistas. Curiosamente isso tem sido frequente nestes dias. Muitas pessoas sumiram sem deixar pistas. Em menos de um mês ja constava mais de mil pessoas em vários estados brasileiros. Muitos cobravam explicações. Mas ninguém sabia o que realmente estava acontecendo. 
  
— Dona Regina sei que é um momento difícil, estamos fazendo de tudo para ajudar a resolver este mistério. Preciso ver o quarto da sua neta. 
— Vocês tem alguma pista em comum? algo relacionado com os outros que sumiram? 
— Temos pouca coisa. Todos apreciavam livros novos. Estilo suspense e horror. Um livro em especial foi lançado faz pouco tempo e parece que todos tinham está obra. 
— "Tormento Total". Este é o nome do livro. foi o último que ela comprou. Ele ainda está na cama dela. 
— Sim. É este mesmo o nome do livro.
— Deveriam prender o autor. 
— Ele está ajudando nas investigações. Seria prematuro prender um autor por causa de um livro. Não foram encontrados nenhum corpo e por isso nem podemos dizer que o caso é de assassinato. São desaparecimentos. O livro foi proibido de ser vendido até que tudo se esclareça. Tenho certeza que logo todos serão encontrados. 
— O livro foi lançado na terça-feira, e hoje é quinta-feira e já sumiram mais de mil leitores. 
— Alguém já leu o livro para descobrir algo.
— Foi a primeira coisa que fizemos e ainda tivemos a presença do autor. Era uma história de suspense sobre monstros. Mesmo assim nada aconteceu com ninguém. Quero dizer que ninguém sumiu por ler o livro. Porém todos sumiram logo após a compra do livro. Algumas pessoas que sumiram nem chegaram a ler todo o livro. Algumas páginas estavam marcadas. números aleatórios dependendo do cotidiano dos leitores, algumas liam de noite ou de dia. Nada descobrimos.
— Quando eu era mais jovem eu li um livro sobre alguns livros que matavam os leitores. 
— Sei qual livro é esse. é do autor Umberto Eco. o livro era "Em nome da Rosa" Mas já analisamos os papeis da impressão e não encontramos nada. Eu também tenho meu lado Geek. Já li uma história em quadrinhos de aventuras do Homem-Aranha com o Demolidor e eles tentam impedir que um jornal seja distribuído por causa da tinta usada que matava as pessoas. O vilão era o Dr. Octopus. Mas como já disse investigamos todo o material do livro. Não achamos nada suspeito Dona Regina.
— Eu gostaria de poder ajudar mais Ana.
— Regina. Qualquer notícia que tiver sobre sua neta entre em contato. Farei o mesmo se eu souber algo sobre ela.
Ana Liza entra no carro e fica com o mistério na cabeça.
 — Os livros sempre foram uma ótima forma da gente fugir um pouco deste mundo. Não seria nada bom as pessoas começarem a desaparecer. Mas o que?...
Um carro desgovernado vem em direção a investigadora e ela tem apenas alguns segundos para desviar. O outro carro bate em um muro. Ana saí do carro e corre para ver se existe alguém ferido mas ela só encontra o livro dentro do carro e mais nada.
— Isso está indo longe demais. O motorista desapareceu e o livro estava jogado no chão. 
O Autor do livro é convidado por um programa de TV. Neste programa ele explica que o livro foi recolhido pela editora e até que o caso dos desaparecimentos seja resolvido a venda do livro está suspensa tanto na forma física como na digital. Mesmo que na forma digital ainda não tenham provas de pessoas desaparecidas. Tudo era um grande mistério. As pessoas continuavam sumindo. No dia seguinte, já existiam cem mil pessoas desaparecidas e isso intrigava até a editora pois mandaram produzir apenas três mil livros e eles já haviam recolhido tudo. A população estava com medo. Ninguém mais queria comprar livros com receio de sumirem. As livrarias estavam vazias. Todos estavam querendo saber mais notícias sobre os desaparecimentos. Mesmo com as livrarias e editoras incentivando os leitores a continuarem a comprar livros o público não aparecia. Este mistério estava deixando as livrarias sem recursos. Sem as vendas, não havia como se manter. As livrarias foram fechando as portas. Algumas maiores tinham outros produtos. mesmo assim o medo de chegar perto de algum livro afastava o público. 
Em uma semana foram anunciados mais de um milhão de desaparecidos. O mundo estava em pânico. Os livros começaram a serem jogados fora. Ninguém mais queria livros em casa. As pessoas estavam proibidas de lerem livros. as escolas e bibliotecas colocaram os livros em grandes caixas fechadas e lacradas. Mesmo com algumas pessoas dizendo que os livros não tinham culpa, nada adiantava. O autor foi preso mesmo não tendo provas suficientes. A população queria linchá-lo. Para todos, ele era o culpado por tudo que acontecia. 
Em alguns lugares o autor virou um profeta. Para alguns, o livro estava anunciando o fim do mundo. 
O Brasil era o único país que passava por este fenômeno. em menos de um mês cem milhões de habitantes haviam desaparecido. Nada foi descoberto. O autor do livro se suicidou na própria cela onde estava preso. Alguns diziam que foi assassinado em uma emboscada.
Todos os países investigaram estes misteriosos casos de desaparecimento. Mas nenhum deles foram ao Brasil. O país estava em quarentena. Tudo foi investigado pelos dados que existiam na internet. Muita especulação sobre um novo vírus, mas nenhum corpo havia sido encontrado. 
Quando o mistério completou dois meses o país estava completamente vazio. Não existia mais nenhuma vida humana. Todos haviam desaparecido. Os países vizinhos estavam em clima de guerra. Como um país com 204 milhões de habitantes poderia desaparecer, sem guerra, sem bombas, sem vírus, sem doença e sem aviso. 
O mundo todo estava preocupado. Poderia acontecer com outros países? O que realmente aconteceu com o Brasil? Nada foi destruído, Nenhum corpo foi encontrado. O mistério deixou muitos países sem sono. 
Um grupo de cientistas foi enviado para o Brasil. Usavam todo o tipo de proteção possível e sabiam que poderiam desaparecer, mas qualquer pista valeria o sacrifício. 
O grupo era constituído por oito pessoas. cada um especialista em vários campos. Procuraram o foco de tudo. O livro. Finalmente o encontraram.
Havia algo errado. A capa do livro não tinha as mesmas cores mostradas na internet. Um dos especialistas disse que por causa da luz do local e do clima a cor vista no país era diferente. Com uma analise mais profunda foi descoberto que a ilustração era inédita. Como o autor do livro não existia mais, coletaram o que puderam para tentar descobrir de onde a ilustração veio. Tudo que descobriram é que a ilustração era de uma tribo indígena e foi dado para a família do autor. mostrava um Brasil abandonado pois a terra era sagrada jamais deveria ser habitada.  Com tudo descoberto a conexão foi brutalmente interrompida. 
Eles estavam andando em uma rua deserta na cidade e começaram a ouvir muitos barulhos vindo de todos os lugares. 
Os oito pesquisadores ficaram impressionados com o que estavam presenciando. O medo tomou conta dos seus corações. Cada um deles olhavam para o outro pois sabiam que jamais sairiam vivos dali, 
Crianças. Crianças por todos os lugares. Armadas com todo o tido de arma existente. Uma delas começou a falar.
— Adultos! Vocês sempre acharam que podiam nos censurar. Proibindo de ler tudo o que quiséssemos e as vezes se recusavam de ler para a gente. Nos ignoravam completamente. 
Todos ouviam a voz do menino.
— Descobrimos a ilustração do livro através de um amigo das estrelas. Enviamos a ilustração em uma carta falsa para o autor dizendo que era da família dele e era para ser usada na capa. A ilustração era uma chave. Abria uma dimensão para outro mundo sem ferir ninguém. A capa do livro não tinha efeito quando vista pela internet. Por isso uma criança de uma região foi escolhida para ter e livro e mostrar para todos. Mostramos as capas para os adultos Só mostrar já era suficiente mesmo que o adulto fosse deficiente visual ele sentiria o poder da ilustração. Todos que estavam neste país foram para outro mundo e nunca mais voltarão. Finalmente temos a paz que tanto queríamos. Podemos fazer tudo agora. Ler, jogar e brincar. E quando vocês desaparecerem. Nenhum país enviará mais ninguém para este país. Seremos livres e nunca vamos nos preocupar com uma invasão. Mas se isso acontecer mostramos a capa do livro e eles vão desaparecer. 
Um dos pesquisadores pergunta.
— Mas quando vocês forem adultos? O que acontecerá com cada um? 
— O homem das estrelas que nos deu esta ilustração disse que não funciona quando as crianças já conhecem a imagem. Quando formos adultos ela não terá efeito em quem já conhece e viu o livro. 
— Vocês não podem fazer isso! 
— E vocês podem nos censurar sempre? 
— Era para o bem de vocês, 
— Só por serem adultos não significa que vocês são certos em tudo. Brigam o tempo todo. Fazem guerra, maltratam o mundo, são gananciosos, são egoístas, assassinos, ladrões e destruidores. Merecem ter este fim. Agora vejam as capas. Podem fechar os olhos a energia já pegou vocês. Nunca mais verão a terra novamente. 



Abraços
Adriano Siqueira